As Boas Novas Segundo Mateus 22:1-46

22  Jesus lhes falou novamente com ilustrações, dizendo:  “O Reino dos céus pode ser comparado a um rei que fez uma festa de casamento+ para o seu filho.  Ele mandou seus escravos chamar os convidados à festa de casamento, mas estes não quiseram ir.+  Mandou novamente outros escravos, dizendo: ‘Digam aos convidados: “Já preparei o banquete; meus touros e meus animais gordos já foram abatidos e tudo está pronto. Venham à festa de casamento.”’  Mas os convidados, indiferentes, foram embora, um para seu próprio campo, outro para seu negócio;+  e os outros agarraram os escravos dele, os maltrataram e os mataram.  “O rei ficou furioso e enviou seus exércitos, matou aqueles assassinos e queimou a cidade deles.+  Depois disse aos seus escravos: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não eram dignos.+  Portanto, vão às estradas que saem da cidade e convidem para a festa de casamento a qualquer um* que encontrarem.’+ 10  Então, esses escravos foram às estradas e reuniram todos os que encontraram, tanto maus como bons, e a sala para a cerimônia do casamento ficou cheia de convidados.* 11  “Quando o rei entrou para verificar os convidados, viu um homem que não estava usando roupa de casamento. 12  Disse-lhe, portanto: ‘Amigo, como você entrou aqui sem roupa de casamento?’ Ele ficou sem fala. 13  O rei disse então aos seus servos: ‘Amarrem as mãos e os pés dele, e lancem-no na escuridão lá fora. Ali é que haverá o seu choro e o ranger dos seus dentes.’ 14  “Porque há muitos convidados, mas poucos escolhidos.” 15  Então, os fariseus foram embora e fizeram planos para apanhá-lo nas suas palavras.+ 16  Depois, enviaram-lhe seus discípulos, junto com partidários de Herodes,+ para lhe dizer: “Instrutor, sabemos que o senhor é verdadeiro e que ensina o caminho de Deus em verdade, e que não busca agradar a homens, pois não olha para a aparência das pessoas. 17  Diga-nos, então: O que acha? É permitido* ou não pagar a César o imposto por cabeça?” 18  Mas Jesus, conhecendo a maldade deles, disse: “Hipócritas, por que vocês me põem à prova? 19  Mostrem-me a moeda do imposto.” Trouxeram-lhe um denário. 20  Ele lhes perguntou: “De quem é esta imagem e inscrição?” 21  Responderam: “De César.” Então ele lhes disse: “Portanto, paguem a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus.”+ 22  Quando ouviram isso, ficaram maravilhados e, deixando-o, foram embora. 23  Naquele dia, os saduceus, que dizem não haver ressurreição,+ se aproximaram e lhe perguntaram:+ 24  “Instrutor, Moisés disse: ‘Se um homem morrer sem deixar filhos, o irmão dele deve se casar com a viúva para dar descendência ao seu irmão.’+ 25  Acontece que havia conosco sete irmãos. O primeiro se casou e morreu, e, visto que não tinha descendente, deixou a sua esposa para o seu irmão. 26  O mesmo aconteceu com o segundo e com o terceiro, e assim com todos os sete. 27  Por último, morreu a mulher. 28  Assim, na ressurreição, de qual dos sete ela será esposa? Pois todos a tiveram como esposa.” 29  Em resposta, Jesus lhes disse: “Vocês estão enganados, porque não conhecem nem as Escrituras, nem o poder de Deus;+ 30  pois, na ressurreição, os homens não se casam, nem as mulheres são dadas em casamento, mas são como os anjos no céu.+ 31  A respeito da ressurreição dos mortos, vocês não leram o que lhes foi falado por Deus, que disse: 32  ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’?+ Ele é o Deus, não de mortos, mas de vivos.”+ 33  Ouvindo isso, as multidões ficaram maravilhadas com o seu ensino.+ 34  Depois que os fariseus ouviram que ele havia silenciado os saduceus, reuniram-se num só grupo. 35  E um deles, perito na Lei, o pôs à prova com uma pergunta: 36  “Instrutor, qual é o maior mandamento da Lei?”+ 37  Ele lhe disse: “‘Ame a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua mente.’+ 38  Esse é o maior e primeiro mandamento. 39  O segundo, semelhante a esse, é: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo.’+ 40  Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”+ 41  Então, enquanto os fariseus estavam reunidos, Jesus lhes perguntou:+ 42  “O que vocês pensam do Cristo? De quem ele é filho?” Disseram-lhe: “De Davi.”+ 43  Ele lhes perguntou: “Como é, então, que Davi, sob inspiração,+ o chama de Senhor, dizendo: 44  ‘Jeová disse ao meu Senhor: “Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés”’?+ 45  Então, se Davi o chama de Senhor, como é que ele é seu filho?”+ 46  E ninguém foi capaz de lhe dizer uma só palavra em resposta e, daquele dia em diante, ninguém se atreveu a lhe fazer mais perguntas.

Notas de rodapé

Ou: “todos os”.
Ou: “de convidados para o banquete; de pessoas recostadas à mesa”.
Ou: “lícito; certo”.

Notas de estudo

ilustrações: Ou: “parábolas”. A palavra grega parabolé significa literalmente “colocar ao lado (junto)”, e pode se referir a uma parábola, um provérbio ou uma comparação. Jesus muitas vezes explicava uma coisa por ‘colocá-la ao lado’ de algo, ou seja, por compará-la com outra coisa parecida. (Mr 4:30) As ilustrações de Jesus eram curtas, e muitas vezes eram histórias fictícias que ensinavam uma lição de moral ou uma verdade espiritual.

ilustrações: Ou: “parábolas”. — Veja a nota de estudo em Mt 13:3.

roupa de casamento: Por ser o casamento de um membro da família real, é possível que o anfitrião tivesse fornecido aos convidados uma roupa especial para aquela ocasião. Nesse caso, quem não usasse a roupa especial estaria mostrando um grande desrespeito.

ranger dos seus dentes: Ou: “apertar os seus dentes”. Expressão que pode indicar angústia, desespero e raiva. Dá a ideia de que a pessoa pode até falar coisas que ofendem ou agir com violência.

ranger dos seus dentes: Veja a nota de estudo em Mt 8:12.

para apanhá-lo: O verbo grego traduzido aqui como “apanhar” era usado no contexto de caça e significa literalmente “pegar numa armadilha”, como se pega um pássaro numa rede. Em Ec 9:12 a Septuaginta usa essa mesma palavra grega para traduzir uma palavra hebraica que significa “capturar com uma armadilha”. Os fariseus usaram elogios falsos e perguntas que não eram sinceras (Mt 22:16, 17) para induzir Jesus a dizer algo que pudesse ser usado contra ele.

partidários de Herodes: Veja o Glossário.

César: Ou: “o Imperador”. O imperador romano dos dias de Jesus era Tibério, mas a palavra “César” não se referia apenas ao imperador que estivesse governando no momento. Podia se referir ao governo do Império Romano como um todo e também a seus representantes oficiais. Paulo os chamou de “autoridades superiores” e Pedro os chamou de “rei” e “governadores”. — Ro 13:1-7; 1Pe 2:13-17; Tit 3:1; veja o Glossário.

imposto por cabeça: Imposto anual que o Império Romano cobrava de todos os que tinham sido registrados por um censo. (Lu 2:1-3) O valor cobrado provavelmente era de um denário, o equivalente a um dia de trabalho.

hipócritas: A palavra grega hypokrités era usada originalmente para se referir aos atores do teatro grego (e, mais tarde, do romano) que usavam máscaras grandes que aumentavam o volume da voz. Depois, a palavra começou a ser usada como uma metáfora para se referir a pessoas que escondem suas intenções ou sua personalidade e fingem ser o que não são. Os “hipócritas” mencionados aqui por Jesus eram os líderes religiosos judaicos. — Mt 6:5, 16.

Hipócritas: Veja a nota de estudo em Mt 6:2.

denário: Essa moeda romana de prata tinha o nome de César inscrito, ou gravado, nela. Era o valor que os romanos cobravam dos judeus como “imposto por cabeça”. (Mt 22:17) Nos dias de Jesus, os trabalhadores rurais geralmente ganhavam um denário por um dia de trabalho (12 horas). As Escrituras Gregas Cristãs muitas vezes usam o denário como base para calcular outros valores em dinheiro. (Mt 20:2; Mr 6:37; 14:5; Ap 6:6) Em Israel, as pessoas usavam várias moedas de cobre e de prata em seu dia a dia. Para pagar o imposto do templo, elas usavam moedas de prata produzidas em Tiro. Mas, para pagar os impostos que Roma cobrava, as pessoas pelo visto usavam o denário de prata que trazia a imagem de César. — Veja o Glossário e o Apêndice B14-B.

imagem e inscrição: Naquela época, o denário trazia no lado da frente a imagem da cabeça do imperador romano Tibério (que reinou de 14 a 37 d.C.) usando uma coroa de louros. Havia também uma inscrição em latim que dizia: “Tibério César Augusto, filho do divino Augusto”. — Veja também o Apêndice B14-B.

paguem: Lit.: “devolvam”. As moedas eram produzidas por ordem de César e, por isso, ele tinha o direito de exigir algumas delas de volta. Mas ele não tinha o direito de pedir que uma pessoa dedicasse sua vida a ele. É Deus quem dá aos humanos “vida, fôlego e todas as coisas”. (At 17:25) Assim, somente ele merece nossa dedicação. Quando um humano dedica sua vida a Deus, ele está como que pagando, ou devolvendo, a Deus um pouco do que recebeu. Deus tem o direito de exigir nossa devoção exclusiva.

a César o que é de César: Esta resposta de Jesus, que também aparece nos relatos paralelos de Mr 12:17 e Lu 20:25, é a única ocasião registrada na Bíblia em que Jesus fez referência ao imperador romano. ‘Pagar a César o que é de César’ inclui pagar por serviços prestados pelo governo, mostrar respeito e obedecer às autoridades em tudo o que não contraria as leis de Deus. — Ro 13:1-7.

a Deus o que é de Deus: As coisas “de Deus” incluem a adoração de todo coração, o amor de toda alma e a obediência leal em tudo. — Mt 4:10; 22:37, 38; At 5:29; Ro 14:8.

ressurreição: O substantivo grego usado aqui, anástasis, se refere literalmente à ação de “levantar; ficar de pé”. Ele aparece umas 40 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs para se referir à ressurreição dos mortos. (Mt 22:31; At 4:2; 24:15; 1Co 15:12, 13) A Septuaginta usa em Is 26:19 um verbo grego relacionado com anástasis para traduzir o verbo hebraico para “viver” na expressão: “Os seus mortos viverão.” — Veja o Glossário.

o segundo se casou com ela: Entre os antigos hebreus, se um homem morresse sem ter um filho do sexo masculino, esperava-se que o irmão do falecido se casasse com a viúva com o objetivo de continuar a linhagem do falecido. (Gên 38:8) Esse costume, que mais tarde passou a fazer parte da Lei mosaica, era conhecido como casamento de cunhado (ou levirato). (De 25:​5, 6) O fato de os saduceus dos dias de Jesus mencionarem o casamento de cunhado mostra que as pessoas ainda realizavam esse tipo de casamento naquela época. A Lei permitia que um homem se recusasse a realizar o casamento de cunhado, mas ao fazer isso ele mostrava que não queria “edificar a família de seu irmão”, o que era vergonhoso. — De 25:​7-​10; Ru 4:​7, 8.

deixou a sua esposa para o seu irmão: Veja a nota de estudo em Mr 12:21.

as Escrituras: Expressão muitas vezes usada para se referir às Escrituras Hebraicas como um todo.

ressurreição: O substantivo grego usado aqui, anástasis, se refere literalmente à ação de “levantar; ficar de pé”. Ele aparece umas 40 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs para se referir à ressurreição dos mortos. (Mt 22:31; At 4:2; 24:15; 1Co 15:12, 13) A Septuaginta usa em Is 26:19 um verbo grego relacionado com anástasis para traduzir o verbo hebraico para “viver” na expressão: “Os seus mortos viverão.” — Veja o Glossário.

ressurreição: Veja a nota de estudo em Mt 22:23.

Deus, que disse: Jesus estava se referindo aqui a uma conversa que Moisés e Jeová tiveram por volta do ano 1514 a.C. (Êx 3:​2, 6) Na época daquela conversa, já fazia 329 anos que Abraão tinha morrido, 224 anos que Isaque tinha morrido e 197 anos que Jacó tinha morrido. Mesmo assim, Jeová não disse: ‘Eu era o Deus deles.’ Ele disse: ‘Eu sou o Deus deles.’ — Mt 22:32.

mas de vivos: De acordo com o relato paralelo em Lu 20:38, Jesus fez também este comentário: “Pois, para ele [ou: “do ponto de vista dele”], todos eles vivem.” A Bíblia mostra que para Deus as pessoas que não o servem estão como que mortas, mesmo que ainda vivam. (Ef 2:1; 1Ti 5:6) Por outro lado, Deus tem tanta certeza de que vai cumprir seu objetivo de ressuscitar seus servos fiéis que, do seu ponto de vista, eles continuam vivos. — Ro 4:​16, 17.

Ele é o Deus, não de mortos: A tradução dessa frase está de acordo com os manuscritos mais antigos e mais confiáveis. Mas em alguns manuscritos a palavra “Deus” aparece duas vezes na frase, e por isso algumas Bíblias a traduzem como: “Deus não é Deus dos mortos.” Uma tradução das Escrituras Gregas Cristãs para o hebraico (chamada de J18 no Apêndice C4) usa o Tetragrama aqui. A frase da J18 poderia ser traduzida para o português como: “Jeová não é o Deus de mortos.” — Compare com Êx 3:​6, 15.

mas de vivos: Veja a nota de estudo em Mr 12:27.

silenciado: O verbo grego também pode ser traduzido como “calar” (lit.: “amordaçar”). Essa palavra forte é bem apropriada, já que os saduceus tinham feito a pergunta só para tentar enlaçar Jesus. A resposta de Jesus foi tão perfeita que os saduceus não tinham mais o que dizer. — 1Pe 2:15, nota de rodapé.

amou: Esta é a primeira vez que o verbo grego agapáo (amar) aparece no Evangelho de João. No total, esse verbo e o substantivo relacionado, agápe (amor), aparecem 44 vezes neste Evangelho — mais vezes do que nos outros três Evangelhos juntos. Na Bíblia, agapáo e agápe com frequência se referem ao tipo de amor que não é egoísta e que é guiado, ou governado, por princípios. Uma prova disso é o uso de agapáo aqui neste versículo, que diz que Deus amou o mundo, ou seja, a humanidade pecadora que precisa ser resgatada. (Jo 1:29) O apóstolo João também usou a palavra agápe em 1Jo 4:8, que diz: “Deus é amor.” E, em Gál 5:22, Paulo cita o amor (agápe) como o primeiro aspecto do “fruto do espírito”. Ele também descreve em detalhes esse tipo de amor em 1Co 13:4-7. O modo como a palavra é usada nas Escrituras mostra que o amor muitas vezes é mais do que um sentimento que se tem naturalmente por alguém. Em muitos contextos, agápe envolve fazer um esforço consciente para demonstrar amor e se preocupar com as necessidades dos outros. (Mt 5:44; Ef 5:25) Assim, o amor que os cristãos se esforçam para desenvolver precisa incluir um senso moral que leva em consideração princípios, deveres e o que é correto. Ao mesmo tempo, ele não é frio ou mecânico; muitas vezes envolve um sentimento carinhoso que vem do coração. (1Pe 1:22) Isso fica claro no Evangelho de João. Quando João escreveu em Jo 3:35 que “o Pai ama o Filho”, ele usou uma forma de agapáo. Mas, quando registrou as palavras do próprio Jesus falando desse amor que o Pai sente pelo Filho, João usou uma forma do verbo grego filéo, que envolve sentimentos de carinho e afeto. — Jo 5:20.

mente: Ou seja, a capacidade de pensar. A pessoa precisa usar sua capacidade mental para conhecer a Deus e desenvolver amor por ele. (Jo 17:3, nota de rodapé; Ro 12:1) Jesus estava citando De 6:5. O texto original hebraico usa três palavras que significam ‘coração, alma e força’. Mas o relato de Marcos em grego usa quatro palavras: coração, alma, mente e força. Essa diferença pode ter acontecido por vários motivos. Um deles é que talvez Marcos tenha acrescentado a palavra “mente” para transmitir melhor o sentido completo do texto hebraico. Não existia no hebraico antigo uma palavra específica para “mente”, mas o conceito de “mente” estava muitas vezes incluído na palavra hebraica “coração”. (De 29:4; Sal 26:2; 64:6; veja a nota de estudo em coração neste versículo.) Por esse motivo, a Septuaginta grega muitas vezes traduz a palavra hebraica para “coração” usando a palavra grega para “mente”. (Gên 8:21; 17:17; Pr 2:10; Is 14:13) Outra possibilidade é que Marcos tenha acrescentado a palavra grega para mente porque seu significado estivesse incluído na palavra hebraica para “força”, usada em Deuteronômio. (Compare De 6:5 com Mt 22:37, que usa “mente” em vez de “força”.) O cruzamento de ideias entre as palavras hebraicas e gregas pode ajudar a explicar por que o escriba respondeu a Jesus usando a palavra “entendimento”. (Mr 12:33) Também pode explicar por que os escritores dos Evangelhos não fizeram uma tradução palavra por palavra ao citar Deuteronômio. — Veja a nota de estudo em força neste versículo e as notas de estudo em Mt 22:37; Lu 10:27.

Ame: O verbo grego traduzido aqui como “ame” é agapáo. Esse verbo e o substantivo relacionado agápe (amor) aparecem mais de 250 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs. Quando 1Jo 4:8 diz que “Deus é amor”, a palavra usada ali é agápe. E, conforme a Bíblia mostra, Jeová é o exemplo supremo de alguém que mostra o amor agápe, um amor que é guiado por princípios e coloca os interesses dos outros acima dos seus. Uma característica do amor de Deus é a preocupação com as necessidades dos outros. Seu amor é leal e envolve ações, não apenas emoções. Imitar a Deus, mostrando o amor agápe, é uma escolha consciente. (Ef 5:1) Visto que os humanos têm essa capacidade, faz sentido que a Bíblia ordene que eles amem, como acontece no primeiro e no segundo mandamentos, mencionados neste versículo e no contexto. Jesus estava citando De 6:5. Nas Escrituras Hebraicas, o verbo para “amar”, ʼahév (ou ʼaháv), e o substantivo ʼahaváh (amor) são as principais palavras usadas para se referir ao amor e incluem as ideias transmitidas pelas palavras gregas agapáo e agápe. Quando são usadas com relação a amar a Jeová, elas se referem ao desejo de ser completamente dedicado e de servir apenas a ele. Jesus foi o exemplo perfeito de alguém que teve esse tipo de amor. Ele mostrou que amar a Jeová envolve mais do que um simples sentimento. O amor a Deus precisa governar a vida da pessoa como um todo, influenciando todos os seus pensamentos, suas palavras e suas ações. — Veja a nota de estudo em Jo 3:16.

Jeová: Esta é uma citação direta de De 6:5. No texto hebraico original de De 6:5, aparecem as quatro letras hebraicas que formam o nome de Deus (que equivalem a YHWH). — Veja o Apêndice C1.

coração: A Bíblia geralmente usa a palavra “coração” em sentido figurado para se referir a tudo o que uma pessoa é por dentro, incluindo seus pensamentos, sentimentos, atitudes e motivações. Mas, quando a Bíblia menciona a palavra “coração” junto com “alma” e “mente”, ela pelo visto assume um sentido mais específico e representa principalmente as emoções, desejos e sentimentos de uma pessoa. As três palavras usadas aqui (“coração”, “alma” e “mente”) não se referem a coisas totalmente diferentes uma da outra. Na verdade, elas se complementam. Juntas, elas destacam do modo mais forte possível que o amor a Jeová tem que ser completo.

toda a sua alma: Ou: “todo o seu ser”. — Veja o Glossário, “Alma”.

mente: Ou seja, a capacidade de pensar. A pessoa precisa usar sua capacidade mental para conhecer a Deus e desenvolver amor por ele. (Jo 17:3; Ro 12:1) O mandamento que Jesus citou aqui está registrado em De 6:5. O texto original hebraico usa três palavras que significam ‘coração, alma e força’. Mas o relato de Mateus em grego usa “mente” em vez de “força”. Essa diferença pode ter acontecido por vários motivos. Um deles é que não existia no hebraico antigo uma palavra específica para “mente”. O conceito de “mente” era muitas vezes incluído na palavra hebraica para “coração”. (De 29:4; Sal 26:2; 64:6; veja a nota de estudo em coração neste versículo.) Por esse motivo, a Septuaginta grega muitas vezes traduz a palavra hebraica para “coração” usando a palavra grega para “mente”. (Gên 8:​21; 17:17; Pr 2:​10; Is 14:13) Mas o conceito de “mente” também podia ser expresso usando-se a palavra hebraica para “força”, que pode se referir à força física e também à capacidade mental ou intelectual. Isso talvez explique por que Mateus traduziu a palavra hebraica para “força” usando a palavra grega para “mente”. De qualquer forma, o cruzamento de ideias entre as palavras hebraicas e gregas pode ajudar a explicar por que os escritores dos Evangelhos não usaram exatamente as mesmas palavras ao citar Deuteronômio. — Veja as notas de estudo em Mr 12:30; Lu 10:27.

Ame o seu próximo: A Lei mosaica mandava os israelitas amar o seu próximo. (Le 19:18) A palavra “próximo” significava simplesmente “outra pessoa”. Mas alguns judeus limitaram o significado da palavra dizendo que ela se referia apenas a outros judeus, principalmente aos que seguiam as tradições orais. Segundo eles, todas as outras pessoas deviam ser consideradas inimigas.

O segundo: Embora já tivesse respondido à pergunta do fariseu em Mt 22:37, Jesus foi além e mencionou um segundo mandamento. (Le 19:18) Dessa forma, Jesus ensinou que é impossível cumprir um mandamento sem cumprir o outro, e que toda a Lei e os Profetas podem ser resumidos nesses dois mandamentos. — Mt 22:40.

próximo: A palavra grega traduzida aqui como “próximo” pode se referir a uma pessoa que mora perto, mas também pode se referir a qualquer pessoa com quem se tem algum tipo de contato. — Lu 10:29-37; Ro 13:8-10; veja a nota de estudo em Mt 5:43.

a Lei . . . os Profetas: “A Lei” são os livros de Gênesis a Deuteronômio. “Os Profetas” são os livros das Escrituras Hebraicas escritos pelos profetas. Mas, quando as duas expressões são mencionadas juntas, elas podem se referir a todos os livros das Escrituras Hebraicas. — Mt 7:12; 22:40; Lu 16:16.

Desses . . . dependem: Ou: “Nesses . . . se baseiam”. O verbo grego traduzido aqui como “depender de” significa literalmente “estar pendurado em”. Jesus indicou aqui que não só a Lei e os Dez Mandamentos, mas todas as Escrituras Hebraicas estão “penduradas”, ou baseadas, no amor. — Ro 13:9.

toda a Lei e os Profetas: Veja a nota de estudo em Mt 5:17.

Cristo: Esse título vem da palavra grega Khristós e equivale ao título “Messias” (do hebraico mashíahh). Tanto a palavra grega como a hebraica significam “ungido”. É uma referência a uma cerimônia que existia nos tempos bíblicos: quando um governante era escolhido, alguém o ungia, ou seja, derramava óleo em sua cabeça.

o Cristo: Aqui, Mateus usou o artigo definido em grego antes do título “Cristo”. Provavelmente, ele fez isso para destacar o papel de Jesus como o Messias.

do Cristo: Ou: “do Messias”. — Veja as notas de estudo em Mt 1:1; 2:4.

sob inspiração: Lit.: “em espírito”. Ou seja, inspirado pelo espírito de Deus; sob a influência do espírito de Deus. — Veja o Glossário, “Espírito”.

Jeová: Esta é uma citação direta do Sal 110:1. No texto hebraico original desse salmo, aparecem as quatro letras hebraicas que formam o nome de Deus (que equivalem a YHWH). — Veja o Apêndice C1.

debaixo dos seus pés: Ou seja, debaixo de sua autoridade.

Mídia

Tibério César
Tibério César

Tibério nasceu em 42 a.C. Em 14 d.C, ele se tornou o segundo imperador de Roma. Tibério morreu em março de 37 d.C. Ele era o imperador (ou César) na época do ministério de Jesus. Assim, ele era o governante quando Jesus disse sobre a moeda do imposto: “Paguem a César o que é de César.” — Mr 12:14-17; Mt 22:17-21; Lu 20:22-25.