As Boas Novas Segundo Lucas 20:1-47

20  Num daqueles dias, enquanto ele ensinava o povo no templo e declarava as boas novas, os principais sacerdotes e os escribas, com os anciãos, vieram  e lhe disseram: “Diga-nos, com que autoridade você faz essas coisas? E quem lhe deu essa autoridade?”+  Ele lhes respondeu: “Eu também lhes farei uma pergunta, e vocês, respondam-me:  O batismo* de João era do céu ou dos homens?”*  Tiraram então conclusões entre si, dizendo: “Se dissermos: ‘Do céu’, ele dirá: ‘Por que vocês não acreditaram nele?’  Mas, se dissermos: ‘Dos homens’, o povo todo nos apedrejará, pois estão convencidos de que João era profeta.”+  De modo que responderam que não sabiam de onde se originou.  Jesus lhes disse: “Então eu também não lhes digo com que autoridade faço essas coisas.”  Então, ele começou a contar ao povo a seguinte ilustração: “Um homem plantou um vinhedo+ e o arrendou a lavradores, e viajou para fora, por bastante tempo.+ 10  Na época devida, enviou um escravo aos lavradores, para que lhe dessem alguns dos frutos do vinhedo. Os lavradores, porém, depois de espancá-lo, mandaram-no embora de mãos vazias.+ 11  Mas ele lhes enviou outro escravo. A esse também espancaram, humilharam* e mandaram embora de mãos vazias. 12  Ele ainda mandou um terceiro; a esse também feriram e expulsaram. 13  Em vista disso, o dono do vinhedo disse: ‘O que farei? Enviarei o meu filho, o amado.+ Provavelmente respeitarão a ele.’ 14  Quando os lavradores o viram, raciocinaram entre si, dizendo: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, para que a herança se torne nossa.’ 15  Assim, eles o lançaram para fora do vinhedo e o mataram.+ O que lhes fará então o dono do vinhedo? 16  Voltará e matará esses lavradores, e dará o vinhedo a outros.” Ao ouvirem isso, eles disseram: “Que isso nunca aconteça!” 17  Mas ele olhou fixamente para eles e disse: “O que então significa isto que está escrito: ‘A pedra que os construtores rejeitaram, essa se tornou a principal pedra angular’?+ 18  Todo aquele que cair sobre essa pedra será despedaçado.+ Quanto àquele sobre quem ela cair, será esmagado.” 19  Os escribas e os principais sacerdotes procuraram então agarrá-lo naquela mesma hora, porque perceberam que ele havia contado essa ilustração pensando neles. Mas tinham medo do povo.+ 20  E, depois de observá-lo com atenção, eles enviaram homens que haviam contratado secretamente para fingir ser justos, a fim de apanhá-lo nas suas palavras,+ e assim entregá-lo ao governo e à autoridade do governador. 21  E eles lhe perguntaram: “Instrutor, sabemos que o senhor fala e ensina corretamente, e não mostra parcialidade, mas ensina o caminho de Deus em harmonia com a verdade: 22  É permitido* ou não pagarmos impostos a César?” 23  Mas ele percebeu a astúcia deles, e lhes disse: 24  “Mostrem-me um denário. A imagem e inscrição de quem está nele?” Responderam: “De César.” 25  Ele lhes disse: “Sem falta, então, paguem a César o que é de César,+ mas a Deus o que é de Deus.”+ 26  Pois bem, não foram capazes de apanhá-lo no que ele disse perante o povo, mas, espantados com a resposta dele, ficaram calados. 27  No entanto, alguns dos saduceus, os quais dizem não haver ressurreição,+ aproximaram-se e perguntaram-lhe:+ 28  “Instrutor, Moisés nos escreveu: ‘Se um homem morre e deixa esposa, mas não deixa filhos, o irmão dele deve tomar a viúva em casamento para dar descendência ao seu irmão.’+ 29  Acontece que havia sete irmãos. O primeiro tomou uma esposa, mas morreu sem filhos, 30  de modo que o segundo 31  e o terceiro se casaram com ela. O mesmo aconteceu com todos os sete; eles morreram sem deixar filhos. 32  Por fim, morreu também a mulher. 33  Assim, na ressurreição, de qual deles ela se tornará esposa? Pois os sete a tiveram como esposa.” 34  Jesus lhes disse: “Os filhos deste sistema de coisas se casam e são dados em casamento, 35  mas os que são considerados dignos de ganhar aquele sistema de coisas e a ressurreição dentre os mortos não se casam nem são dados em casamento.+ 36  De fato, eles nem podem mais morrer, porque são como os anjos, e são filhos de Deus por serem filhos da ressurreição. 37  Mas, que os mortos são levantados, até mesmo Moisés revelou no relato sobre o espinheiro,+ quando ele chama Jeová de ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’.+ 38  Ele é Deus, não de mortos, mas de vivos, pois, para ele, todos eles vivem.” + 39  Em resposta, alguns dos escribas disseram: “Instrutor, o senhor falou bem.” 40  Pois eles não tinham mais coragem de lhe fazer uma única pergunta. 41  Então ele lhes perguntou: “Como é que dizem que o Cristo é filho de Davi?+ 42  Porque o próprio Davi diz no livro dos Salmos: ‘Jeová disse ao meu Senhor: “Sente-se à minha direita, 43  até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés.”’*+ 44  Portanto, Davi o chama de Senhor. Então, como é que ele é seu filho?” 45  E, enquanto todo o povo estava escutando, ele disse aos seus discípulos: 46  “Cuidado com os escribas, que gostam de andar de vestes compridas e gostam muito dos cumprimentos nas praças públicas, dos primeiros assentos nas sinagogas e dos lugares mais destacados nos banquetes,+ 47  que devoram as casas* das viúvas e, para impressionar,* fazem longas orações. Eles receberão um julgamento mais severo.”*

Notas de rodapé

Ou: “A imersão; O mergulho”.
Ou: “de origem humana”.
Ou: “desonraram; trataram de modo vergonhoso”.
Ou: “lícito; certo”.
Ou: “como escabelo para os seus pés”.
Ou: “os bens”.
Ou: “e, como pretexto”.
Ou: “pesado”.

Notas de estudo

principais sacerdotes: Quando a palavra grega aparece no singular e se refere ao principal representante do povo diante de Deus, ela é traduzida como “sumo sacerdote”. Aqui, a palavra grega aparece no plural e se refere aos homens mais importantes do sacerdócio, incluindo ex-sumos sacerdotes e, possivelmente, os cabeças das 24 turmas de sacerdotes.

escribas: Inicialmente, essa palavra era usada para se referir aos copistas das Escrituras. Na época de Jesus, a palavra era usada para se referir a homens que eram peritos na Lei mosaica e que a ensinavam a outros.

anciãos: Lit.: “homens idosos”. Na Bíblia, a palavra grega presbýteros se refere principalmente a uma pessoa que tem autoridade e responsabilidade numa comunidade ou nação. Embora essa palavra possa ser usada às vezes para indicar idade (como acontece em Lu 15:25; At 2:17), ela não se refere apenas a quem é idoso. Neste versículo, a palavra “anciãos” se refere a homens de autoridade entre os judeus. Muitas vezes eles são mencionados junto com outros dois grupos: os principais sacerdotes e os escribas. O Sinédrio era formado por homens desses três grupos. — Mt 21:23; 26:3, 47, 57; 27:1, 41; 28:12; veja o Glossário, “Ancião; Homem idoso”.

principais sacerdotes: Veja a nota de estudo em Mt 2:4.

escribas: Veja a nota de estudo em Mt 2:4.

anciãos: Veja a nota de estudo em Mt 16:21.

ilustrações: Ou: “parábolas”. A palavra grega parabolé significa literalmente “colocar ao lado (junto)”, e pode se referir a uma parábola, um provérbio ou uma comparação. Jesus muitas vezes explicava uma coisa por ‘colocá-la ao lado’ de algo, ou seja, por compará-la com outra coisa parecida. (Mr 4:30) As ilustrações de Jesus eram curtas, e muitas vezes eram histórias fictícias que ensinavam uma lição de moral ou uma verdade espiritual.

arrendou: Esse era um costume bem comum em Israel nos dias de Jesus. Nessa ilustração, o homem tinha investido muito esforço no vinhedo. Assim, ele tinha bons motivos para esperar que, na época da colheita, os lavradores dessem a parte dele.

ilustração: Ou: “parábola”. — Veja a nota de estudo em Mt 13:3.

arrendou: Veja a nota de estudo em Mt 21:33.

por bastante tempo: Apenas Lucas inclui esse detalhe na ilustração sobre os lavradores maus. — Compare com os relatos paralelos em Mt 21:33 e Mr 12:1.

a principal pedra angular: Ou: “a pedra mais importante”. A expressão hebraica que aparece no Sal 118:22 e a expressão grega usada aqui significam literalmente “a cabeça do cunhal”. Embora existam opiniões diferentes sobre o significado dessa expressão, ela aparentemente se refere à pedra que era colocada em cima da quina formada por duas paredes. Essa pedra unia firmemente as duas paredes. Jesus citou essa profecia e explicou que ele mesmo era “a principal pedra angular”. Assim como essa pedra no topo de uma construção era bem visível, Jesus seria a pedra mais destacada e importante da congregação de cristãos ungidos, que é comparada a um templo ou casa espiritual.

a principal pedra angular: Veja a nota de estudo em Mt 21:42.

César: Ou: “o Imperador”. O imperador romano dos dias de Jesus era Tibério, mas a palavra “César” não se referia apenas ao imperador que estivesse governando no momento. Podia se referir ao governo do Império Romano como um todo e também a seus representantes oficiais. Paulo os chamou de “autoridades superiores” e Pedro os chamou de “rei” e “governadores”. — Ro 13:1-7; 1Pe 2:13-17; Tit 3:1; veja o Glossário.

imagem e inscrição: Naquela época, o denário trazia no lado da frente a imagem da cabeça do imperador romano Tibério (que reinou de 14 a 37 d.C.) usando uma coroa de louros. Havia também uma inscrição em latim que dizia: “Tibério César Augusto, filho do divino Augusto”. — Veja também o Apêndice B14-B.

denário: O denário era uma moeda romana de prata que tinha uma inscrição com o nome de César. Era “a moeda do imposto” que os romanos cobravam dos judeus. (Mt 22:17, 19; Lu 20:22) Nos dias de Jesus, os trabalhadores rurais geralmente ganhavam um denário por dia de trabalho (12 horas). As Escrituras Gregas Cristãs muitas vezes usam o denário como base para calcular outros valores em dinheiro. (Mt 20:2; Mr 6:37; 14:5; Ap 6:6) Em Israel, as pessoas usavam várias moedas de cobre e de prata no seu dia a dia. Moedas de prata produzidas em Tiro eram usadas para pagar o imposto do templo. Mas, para pagar os impostos que Roma cobrava, as pessoas pelo visto usavam o denário, que trazia o nome e a imagem de César. — Veja o Glossário e o Apêndice B14-B.

A imagem e inscrição: Veja a nota de estudo em Mt 22:20.

paguem: Lit.: “devolvam”. As moedas eram produzidas por ordem de César e, por isso, ele tinha o direito de exigir algumas delas de volta. Mas ele não tinha o direito de pedir que uma pessoa dedicasse sua vida a ele. É Deus quem dá aos humanos “vida, fôlego e todas as coisas”. (At 17:25) Assim, somente ele merece nossa dedicação. Quando um humano dedica sua vida a Deus, ele está como que pagando, ou devolvendo, a Deus um pouco do que recebeu. Deus tem o direito de exigir nossa devoção exclusiva.

a Deus o que é de Deus: As coisas “de Deus” incluem a adoração de todo coração, o amor de toda alma e a obediência leal em tudo. — Mt 4:10; 22:37, 38; At 5:29; Ro 14:8.

paguem: Veja a nota de estudo em Mt 22:21.

a César o que é de César: Esta resposta de Jesus também aparece nos relatos paralelos em Mt 22:21 e Mr 12:17. Essa é a única ocasião registrada na Bíblia em que Jesus fez referência ao imperador romano. ‘Pagar a César o que é de César’ inclui pagar por serviços prestados pelo governo, e mostrar respeito e obedecer às autoridades em tudo o que não contraria as leis de Deus. — Ro 13:1-7.

a Deus o que é de Deus: Veja a nota de estudo em Mt 22:21.

saduceus: Esta é a única vez que o Evangelho de Lucas menciona os saduceus. (Veja o Glossário.) Esse nome (em grego, Saddoukaíos) provavelmente vem do nome de Zadoque (que muitas vezes é escrito Saddoúk na Septuaginta). Zadoque recebeu o cargo de sumo sacerdote nos dias de Salomão, e seus descendentes pelo visto serviram como sacerdotes por centenas de anos. — 1Rs 2:35.

ressurreição: A palavra grega usada aqui, anástasis, significa literalmente “levantar; ficar de pé”. Ela aparece umas 40 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs para se referir à ressurreição dos mortos. (Mt 22:23, 31; Lu 20:33; At 4:2; 24:15; 1Co 15:12, 13) Em Is 26:19, a Septuaginta usa um verbo derivado de anástasis para traduzir o verbo hebraico que significa “viver” na expressão: “Os seus mortos viverão.” — Veja o Glossário.

o segundo se casou com ela: Entre os antigos hebreus, se um homem morresse sem ter um filho do sexo masculino, esperava-se que o irmão do falecido se casasse com a viúva com o objetivo de continuar a linhagem do falecido. (Gên 38:8) Esse costume, que mais tarde passou a fazer parte da Lei mosaica, era conhecido como casamento de cunhado (ou levirato). (De 25:​5, 6) O fato de os saduceus dos dias de Jesus mencionarem o casamento de cunhado mostra que as pessoas ainda realizavam esse tipo de casamento naquela época. A Lei permitia que um homem se recusasse a realizar o casamento de cunhado, mas ao fazer isso ele mostrava que não queria “edificar a família de seu irmão”, o que era vergonhoso. — De 25:​7-​10; Ru 4:​7, 8.

se casaram com ela: Veja a nota de estudo em Mr 12:21.

sistema de coisas: A palavra grega usada aqui, aión, tem o sentido básico de “época”. Ela pode se referir também a uma situação existente ou a características marcantes de certo período ou época. Jesus estava dizendo que a blasfêmia contra o espírito santo não seria perdoada nem agora, neste sistema perverso governado por Satanás (2Co 4:4; Ef 2:2; Tit 2:12), nem no futuro sistema de coisas governado por Deus, onde as pessoas terão “vida eterna” (Lu 18:29, 30). — Veja o Glossário.

no futuro sistema de coisas: Ou: “na época futura”. A palavra grega aión tem o sentido básico de “época”. Ela pode se referir também a uma situação existente ou a características marcantes de certo período ou época. Neste versículo, Jesus estava se referindo à época futura em que o Reino de Deus assumirá o controle da Terra e as pessoas terão vida eterna. Lu 18:29, 30; veja o Glossário, “Sistema(s) de coisas”.

os filhos: Ou: “as pessoas”. A palavra grega traduzida aqui como “filhos” é masculina. Mas, neste versículo, ela é usada em sentido mais amplo e também se refere às mulheres. Isso fica claro porque a palavra grega para dados em casamento era usada com respeito a mulheres. Neste versículo, a expressão completa “filhos deste sistema de coisas”, ao que tudo indica, é uma expressão idiomática, e se refere tanto a homens como a mulheres que têm um estilo de vida ou atitudes que refletem as características do mundo.

deste sistema de coisas: A palavra grega aión tem o sentido básico de “época”. Ela pode se referir também a uma situação existente ou a características marcantes de certo período ou época. Neste versículo, ela se refere ao sistema de coisas governado pelo Diabo. — Veja as notas de estudo em Mt 12:32; Mr 10:30 e o Glossário, “Sistema(s) de coisas”.

sistema de coisas: A palavra grega usada aqui, aión, tem o sentido básico de “época”. Ela pode se referir também a uma situação existente ou a características marcantes de certo período ou época. Jesus estava dizendo que a blasfêmia contra o espírito santo não seria perdoada nem agora, neste sistema perverso governado por Satanás (2Co 4:4; Ef 2:2; Tit 2:12), nem no futuro sistema de coisas governado por Deus, onde as pessoas terão “vida eterna” (Lu 18:29, 30). — Veja o Glossário.

no futuro sistema de coisas: Ou: “na época futura”. A palavra grega aión tem o sentido básico de “época”. Ela pode se referir também a uma situação existente ou a características marcantes de certo período ou época. Neste versículo, Jesus estava se referindo à época futura em que o Reino de Deus assumirá o controle da Terra e as pessoas terão vida eterna. Lu 18:29, 30; veja o Glossário, “Sistema(s) de coisas”.

aquele sistema de coisas: A palavra grega aión tem o sentido básico de “época”. Ela pode se referir também a uma situação existente ou a características marcantes de certo período ou época. Neste versículo, ela se refere à época futura em que o Reino de Deus assumirá o controle da Terra e ocorrerá a ressurreição dentre os mortos. — Veja as notas de estudo em Mt 12:32; Mr 10:30 e o Glossário, “Sistema(s) de coisas”.

os filhos: Ou: “as pessoas”. A palavra grega traduzida aqui como “filhos” é masculina. Mas, neste versículo, ela é usada em sentido mais amplo e também se refere às mulheres. Isso fica claro porque a palavra grega para dados em casamento era usada com respeito a mulheres. Neste versículo, a expressão completa “filhos deste sistema de coisas”, ao que tudo indica, é uma expressão idiomática, e se refere tanto a homens como a mulheres que têm um estilo de vida ou atitudes que refletem as características do mundo.

filhos: A palavra grega para “filhos” é masculina, e aparece duas vezes neste versículo. Em alguns casos, ela é usada em sentido mais amplo e também pode se referir às mulheres. — Veja a nota de estudo em Lu 20:34.

no livro de Moisés: Os saduceus achavam que apenas os livros escritos por Moisés (o Pentateuco) tinham sido inspirados por Deus. Eles não aceitavam o que Jesus ensinava sobre a ressurreição porque, pelo visto, pensavam que não havia nenhuma base no Pentateuco para esse ensino. Jesus poderia ter citado muitos textos das Escrituras Hebraicas, como Is 26:19, Da 12:13 e Os 13:14, para mostrar que os mortos seriam ressuscitados. Mas, como Jesus sabia quais livros da Bíblia os saduceus aceitavam, ele preferiu citar as palavras de Jeová para Moisés. — Êx 3:​2, 6.

até mesmo Moisés revelou: Veja a nota de estudo em Mr 12:26.

quando ele chama Jeová de ‘o Deus de Abraão’: Ou: “quando ele diz: ‘Jeová, o Deus de Abraão’”. Conforme explicado por Jesus, o relato de Moisés mostrou que Jeová continuava sendo o Deus de Abraão, Isaque e Jacó mesmo muito tempo depois de eles terem morrido. Jesus citou Êx 3:6, e o contexto (Êx 3:4, 5) mostra que era “Jeová” quem estava falando. Em Êx 3:6, Jeová diz a Moisés: “Eu sou o Deus do seu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó.” Naquela época, Abraão já tinha morrido fazia 329 anos; Isaque, fazia 224; e Jacó, fazia 197. Mesmo assim, Jeová não disse: ‘Eu era o Deus deles.’ Ele disse: ‘Eu sou o Deus deles.’ O fato de as Escrituras Hebraicas mostrarem que era Jeová quem estava falando com Moisés é um dos motivos de a Tradução do Novo Mundo usar o nome de Deus aqui no texto principal. — Veja o Apêndice C1 e o Apêndice C3 (introdução e Lu 20:37).

pois, para ele, todos eles vivem: Ou: “pois, do ponto de vista dele, todos eles vivem”. A Bíblia mostra que para Deus as pessoas que não o servem estão como que mortas, mesmo que ainda vivam. (Ef 2:1; 1Ti 5:6) Por outro lado, Deus tem tanta certeza de que vai cumprir seu objetivo de ressuscitar seus servos fiéis que, do seu ponto de vista, eles continuam vivos. — Ro 4:16, 17.

Jeová: Esta é uma citação direta do Sal 110:1. No texto hebraico original desse salmo, aparecem as quatro letras hebraicas que formam o nome de Deus (que equivalem a YHWH). Mas a maioria das traduções da Bíblia não usa o nome de Deus nas Escrituras Gregas Cristãs (conhecidas como Novo Testamento) nem mesmo em citações das Escrituras Hebraicas. (Veja o Apêndice A5.) Em vez disso, elas usam simplesmente o título “Senhor”. Mas, como mostra o Apêndice C, traduções da Bíblia em diversos idiomas usam no texto principal das Escrituras Gregas Cristãs o nome de Deus em formas como Jeová, Iavé, יהוה (YHWH, o Tetragrama), ou as palavras SENHOR ou ADONAI (em letras maiúsculas, mostrando que substituem o nome de Deus). Algumas edições do século 17 da King James Version (Versão Rei Jaime) usam a tradução “o SENHOR” neste e em outros três versículos das Escrituras Gregas Cristãs que citam o Sal 110:1. (Mt 22:44; Mr 12:36; At 2:34) Outras edições lançadas mais tarde fizeram o mesmo. Já que os tradutores da Versão Rei Jaime usaram “o SENHOR” para indicar onde o nome de Deus aparece no texto original das Escrituras Hebraicas, é lógico concluir que eles tenham usado “o SENHOR” nas Escrituras Gregas Cristãs porque entenderam que o texto grego original se refere a Jeová. Também é interessante notar que a New King James Version (Nova Versão Rei Jaime), publicada pela primeira vez em 1979, passou a usar “o SENHOR” nas Escrituras Gregas Cristãs para substituir o nome de Deus em todas as citações das Escrituras Hebraicas.

nas praças públicas: Ou: “nos mercados; nos lugares de reunião”. A palavra grega agorá é usada aqui para se referir a uma área aberta que existia nas cidades do Antigo Oriente Próximo e de outras regiões influenciadas pelos impérios grego e romano. Essas praças públicas serviam como centro de compras e vendas e como local de reuniões públicas.

primeiros assentos: Ou: “melhores assentos”. Os presidentes da sinagoga e os convidados importantes pelo visto se sentavam perto dos rolos das Escrituras, na parte da frente da sinagoga, onde todos podiam vê-los. É provável que esses lugares especiais já estivessem reservados para essas pessoas de destaque.

praças públicas: Veja a nota de estudo em Mt 23:7.

primeiros assentos: Veja a nota de estudo em Mt 23:6.

Mídia

Primeiros assentos na sinagoga
Primeiros assentos na sinagoga

Esta animação se baseia, em parte, nas ruínas de uma sinagoga do século 1 d.C. em Gamla, cidade localizada cerca de 10 quilômetros ao nordeste do mar da Galileia. Nenhuma sinagoga do século 1 d.C. permaneceu intacta até os dias de hoje. Assim, não é possível confirmar os detalhes com exatidão. Mas esta representação inclui alguns detalhes que provavelmente faziam parte de muitas sinagogas daquela época.

1. Os primeiros (ou melhores) assentos da sinagoga talvez ficassem na plataforma do orador ou perto dela.

2. A plataforma do orador, onde um instrutor lia trechos da Lei. O local da plataforma talvez variasse de uma sinagoga para outra.

3. Os assentos ao longo das paredes talvez fossem para pessoas de destaque na comunidade. Outras pessoas talvez se sentassem em esteiras no chão. Parece que a sinagoga em Gamla tinha quatro degraus de assentos ao longo das paredes.

4. Na parede do fundo, talvez ficasse a arca ou o armário onde eram guardados os rolos sagrados.

A organização dos lugares na sinagoga era um lembrete constante de que algumas pessoas eram consideradas mais importantes do que outras. Os discípulos de Jesus discutiram várias vezes sobre quem tinha mais destaque entre eles. — Mt 18:1-4; 20:20, 21; Mr 9:33, 34; Lu 9:46-48.

Lugares mais destacados nos banquetes
Lugares mais destacados nos banquetes

No século 1 d.C., as pessoas costumavam se recostar à mesa para comer. Elas apoiavam o cotovelo esquerdo em uma almofada e comiam com a mão direita. De acordo com o costume greco-romano, a sala de jantar geralmente tinha três divãs em volta de uma mesa baixa. Os romanos chamavam esse tipo de sala de jantar de triclinium. (Essa palavra latina vem de uma palavra grega que significa “sala com três divãs”.) Era comum três pessoas se recostarem em cada divã, o que dava um total de nove pessoas. Mas com o tempo começaram a ser usados divãs maiores para acomodar mais de três pessoas. Segundo a tradição, cada posição na sala de jantar tinha um nível de honra diferente. Um dos divãs era o menos honroso (A), um tinha um nível de honra intermediário (B) e um era o mais honroso (C). As posições em cada divã também tinham níveis diferentes de importância. Cada pessoa era considerada mais importante do que quem estava à sua direita e menos importante do que quem estava à sua esquerda. Num banquete formal, o anfitrião costumava se recostar no divã menos honroso, na primeira posição (1). Nesse caso, a posição mais importante de todas (2) ficava no divã do meio, à esquerda do anfitrião. Não se sabe exatamente até que ponto os judeus adotaram esse costume, mas parece que Jesus estava se referindo a ele quando ensinou a seus seguidores que eles precisavam ser humildes.