1, 2. Que tarefa desagradável Elias tinha diante de si, e em que sentido ele e Acabe eram diferentes?

ELIAS queria muito ficar sozinho com seu Pai celestial. Mas a multidão em volta desse profeta verdadeiro tinha acabado de vê-lo invocar fogo do céu, e muitos sem dúvida queriam ganhar o seu favor. Antes de poder subir ao cume do monte Carmelo e orar a Jeová Deus em particular, Elias tinha diante de si uma tarefa desagradável: falar com o Rei Acabe.

2 Os dois homens eram muito diferentes. Acabe, vestido com trajes reais, era um apóstata ganancioso e sem força moral. Elias usava a vestimenta oficial de um profeta — um manto simples e rústico, provavelmente de pele de animais, ou de pelo de camelo ou de cabra. Ele era um homem de muita coragem, integridade e fé. Muita coisa sobre o caráter desses dois homens tinha sido revelada nesse dia que estava para terminar.

3, 4. (a) Por que o dia havia sido ruim para Acabe e outros adoradores de Baal? (b) Que perguntas consideraremos?

3 Havia sido um dia ruim para Acabe e outros adoradores de Baal. A religião pagã que Acabe e sua esposa, a Rainha Jezabel, promoviam no reino de Israel, de dez tribos, tinha sofrido um terrível golpe. Baal havia sido exposto como uma fraude. Aquele deus sem vida não tinha conseguido acender um simples fogo, apesar do ritual de seus profetas de cortar a si mesmos, bem como de suas danças e de seus apelos desesperados. Baal tinha fracassado em proteger aqueles 450 homens de sua merecida execução. Mas esse deus falso havia fracassado em algo mais, e esse fracasso logo seria total. Por mais de três anos, os profetas de Baal tinham implorado ao seu deus que acabasse com a seca que afligia o país, mas ele não conseguiu fazer isso. Pouco depois, o próprio Jeová mostraria sua superioridade por acabar com a seca. — 1 Reis 16:30–17:1; 18:1-40.

4 Mas quando Jeová agiria? Como Elias se comportaria até que isso acontecesse? E o que podemos aprender desse homem  de fé? Vejamos isso examinando o relato. — Leia 1 Reis 18:41-46.

Um homem de oração

5. O que Elias disse para Acabe fazer, e será que Acabe aprendeu alguma lição do que havia acontecido naquele dia?

5 Elias se aproximou de Acabe e disse: “Sobe, come e bebe; pois há o ruído da turbulência dum aguaceiro.” Será que esse rei perverso aprendeu alguma lição do que havia acontecido naquele dia? O relato não diz de maneira específica, mas não vemos nenhuma palavra de arrependimento, nenhum pedido para que o profeta o ajudasse a se aproximar de Jeová e pedir perdão. Não, Acabe simplesmente “passou a subir para comer e beber”. (1 Reis 18:41, 42) Que dizer de Elias?

6, 7. O que Elias pediu em oração, e por quê?

6 “Quanto a Elias, subiu ao cume do Carmelo e começou a agachar-se no chão e a manter a face entre os joelhos.” Enquanto Acabe foi encher o estômago, Elias teve a oportunidade de orar ao seu Pai celestial. Note a postura humilde mencionada aqui — Elias, no chão, com a cabeça tão abaixada que seu rosto chegava perto dos joelhos. O que ele estava pedindo? Não precisamos  adivinhar. Em Tiago 5:18, a Bíblia diz que Elias orou pelo fim da seca. Provavelmente, ele fez essa oração no cume do monte Carmelo.

As orações de Elias refletiam seu desejo sincero de ver a vontade de Deus ser realizada

7 Antes disso, Jeová tinha dito: “Estou decidido a dar chuva sobre a superfície do solo.” (1 Reis 18:1) Portanto, Elias orou para que se realizasse a vontade de Jeová, assim como Jesus ensinou seus seguidores a fazer uns mil anos mais tarde. — Mat. 6:9, 10.

8. O que o exemplo de Elias nos ensina sobre a oração?

8 O exemplo de Elias nos ensina muito sobre a oração. Para ele, o mais importante era a realização da vontade de Deus. Quando oramos, é bom nos lembrar do seguinte: “Não importa o que peçamos segundo a sua vontade [de Deus], ele nos ouve.” (1 João 5:14) Fica claro então que, para nossas orações serem aceitas, precisamos saber qual é a vontade de Deus — um bom motivo para fazer do estudo da Bíblia parte da nossa vida diária. Com certeza, Elias também queria ver o fim da seca por causa de todo o sofrimento que as pessoas de seu país estavam passando. É provável que ele se sentisse muito grato depois de ter visto o milagre que Jeová realizou naquele dia. Da mesma forma, queremos que nossas orações reflitam gratidão sincera e preocupação pelo bem-estar de outros. — Leia 2 Coríntios 1:11; Filipenses 4:6.

Confiante e vigilante

9. O que Elias pediu ao seu ajudante, e que duas qualidades consideraremos?

9 Elias tinha certeza de que Jeová acabaria com a seca, mas não sabia quando ele faria isso. Assim, o que o profeta fez nesse meio-tempo? Note o que o relato diz: “Ele disse ao seu ajudante: ‘Por favor, sobe. Olha na direção do mar.’ Ele subiu, pois, e olhou, e então disse: ‘Não há absolutamente nada.’ E ele prosseguiu, dizendo: ‘Volta’, por sete vezes.” (1 Reis 18:43) O exemplo de Elias nos ensina pelo menos duas lições. Primeiro, veja a confiança desse profeta. Depois, considere a sua vigilância.

Elias ansiosamente procurou evidências de que Jeová estava prestes a agir

10, 11. (a) Como Elias mostrou confiança na promessa de Jeová? (b) Por que podemos ter confiança similar à de Elias?

10 Visto que Elias tinha confiança na promessa de Jeová, ele ansiosamente procurou evidências de que Jeová estava prestes a agir. Ele enviou seu ajudante a um ponto alto para verificar no  horizonte se havia qualquer sinal de chuva. Ao voltar, o ajudante trouxe esta notícia nem um pouco animadora: “Não há absolutamente nada.” O horizonte estava claro, e o céu, pelo visto, sem nuvens. Mas você notou algo estranho? Lembre-se que Elias tinha acabado de dizer ao Rei Acabe: “Há o ruído da turbulência dum aguaceiro.” Como o profeta podia dizer isso se não havia nenhuma nuvem?

11 Elias conhecia a promessa de Jeová. Como seu profeta e representante, ele tinha certeza de que seu Deus cumpriria Sua palavra. Elias tinha tanta confiança que era como se já estivesse ouvindo o aguaceiro. Talvez nos lembremos da descrição que a Bíblia faz de Moisés: “[Ele] permanecia constante como que vendo Aquele que é invisível.” Será que Deus é tão real assim para você? Ele fornece muitos motivos para termos esse tipo de fé nele e em suas promessas. — Heb. 11:1, 27.

12. Como Elias mostrou que era vigilante, e como reagiu ao saber que havia surgido uma pequena nuvem?

12 A seguir, veja como Elias era vigilante. Ele mandou seu ajudante voltar não uma nem duas vezes, mas sete vezes! Podemos imaginar o ajudante ficando cansado de realizar essa tarefa repetitiva, mas Elias continuou ansioso por um sinal e não desistiu. Finalmente, depois da sétima vez que voltou, o ajudante disse: “Eis que sobe do mar uma nuvem pequena, como a palma da mão dum homem.” Consegue visualizar o ajudante com o braço estendido e usando a palma da mão para medir o tamanho de uma pequena nuvem subindo no horizonte do Grande Mar? Talvez ele não tenha ficado muito impressionado. Mas para Elias aquela nuvem significava muito. Então ele deu uma tarefa urgente ao ajudante: “Sobe, dize a Acabe: ‘Atrela! E desce para que o aguaceiro não te detenha!’” — 1 Reis 18:44.

13, 14. (a) Como podemos imitar a vigilância de Elias? (b) Que razões temos para agir com urgência?

13 Mais uma vez Elias deixou um excelente exemplo para nós. Também vivemos numa época em que Deus em breve agirá para cumprir o seu propósito. Elias esperava o fim de uma seca; os servos de Deus hoje esperam o fim de um corrupto sistema mundial. (1 João 2:17) Até Jeová Deus agir, devemos nos manter sempre vigilantes, como Elias. O próprio Filho de Deus, Jesus, aconselhou seus seguidores: “Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.” (Mat. 24:42) Será que Jesus queria dizer que seus seguidores não teriam a mínima ideia de quando viria o fim? Não, pois ele falou  extensivamente sobre como o mundo seria quando o fim estivesse próximo. Todos nós podemos observar o cumprimento desse sinal detalhado da “terminação do sistema de coisas”. — Leia Mateus 24:3-7.

Uma pequena nuvem foi suficiente para convencer Elias de que Jeová estava prestes a agir. O sinal dos últimos dias nos dá motivos convincentes para agir com urgência

14 Cada aspecto desse sinal fornece provas fortes e convincentes. Será que essas provas são suficientes para nos motivar a agir com urgência em nosso serviço a Jeová? Uma pequena nuvem subindo no horizonte foi suficiente para convencer Elias de que Jeová estava prestes a agir. Será que o fiel profeta ficou decepcionado?

Jeová traz alívio e bênçãos

15, 16. Que coisas aconteceram rapidamente, e o que Elias talvez tenha se perguntado sobre Acabe?

15 O relato continua dizendo: “No ínterim sucedeu que os próprios céus se enegreceram com nuvens e vento, e começou a haver um grande aguaceiro. E Acabe seguiu no carro e foi para Jezreel.” (1 Reis 18:45) As coisas começaram a acontecer muito rápido. Enquanto o ajudante de Elias estava transmitindo a mensagem do profeta a Acabe, aquela pequena nuvem se tornou muitas, deixando o céu coberto e escuro. Soprou um vento forte. Finalmente, depois de três anos e meio, caiu chuva no solo de Israel. O solo seco absorvia toda a água. À medida que a chuva se tornava um aguaceiro, o rio Quisom foi enchendo, sem dúvida levando embora o sangue dos profetas de Baal que tinham sido executados. Deu-se também aos israelitas desobedientes uma oportunidade de se livrar da terrível mancha da adoração de Baal no país.

“Começou a haver um grande aguaceiro”

16 Com certeza, Elias esperava que isso acontecesse! Talvez ele se perguntasse como Acabe reagiria àqueles acontecimentos dramáticos. Será que Acabe se arrependeria e se desviaria da poluída adoração de Baal? Os acontecimentos do dia tinham fornecido razões convincentes para se fazer essas mudanças. É claro que não temos como saber o que Acabe estava pensando naquele momento. O relato diz simplesmente que o rei “seguiu no carro e foi para Jezreel”. Será que ele aprendeu alguma lição? Estava decidido a mudar seu modo de agir? O que aconteceu  mais tarde indica que não. Mas o dia ainda não tinha terminado para Acabe — nem para Elias.

17, 18. (a) O que aconteceu com Elias na estrada para Jezreel? (b) Por que foi notável Elias correr do Carmelo até Jezreel? (Veja também a nota.)

17 O profeta de Jeová começou a viajar pela mesma estrada que Acabe. Sua viagem seria longa, no escuro e debaixo de chuva. Mas algo incomum aconteceu a seguir.

18 “A própria mão de Jeová mostrou estar sobre Elias, de modo que ele cingiu seus quadris e foi correr adiante de Acabe até Jezreel.” (1 Reis 18:46) É óbvio que “a própria mão de Jeová” estava agindo sobre Elias de maneira sobrenatural. Jezreel ficava a 30 quilômetros de distância, e Elias não era mais jovem. * Visualize o profeta pegando suas vestes compridas, prendendo-as nos quadris para ter liberdade de movimento nas pernas e correndo por aquela estrada encharcada — tão rápido que chega a alcançar, ultrapassar e ir mais depressa que a carruagem real!

19. (a) A vitalidade e a resistência que Deus deu a Elias talvez nos lembrem de que profecias? (b) Enquanto corria até Jezreel, o que Elias com certeza sabia?

19 Que bênção isso deve ter sido para Elias! Sentir essa força, vitalidade e resistência — talvez até mais do que quando era jovem — deve ter sido uma experiência empolgante. Talvez nos lembremos das profecias que garantem aos fiéis saúde perfeita e vigor no futuro Paraíso terrestre. (Leia Isaías 35:6; Luc. 23:43) Enquanto corria por aquela estrada molhada, Elias com certeza sabia que tinha a aprovação de seu Pai, o único Deus verdadeiro, Jeová!

20. Como podemos obter as bênçãos de Jeová?

20 Jeová deseja muito nos abençoar. Procuremos obter suas bênçãos; vale a pena qualquer esforço para alcançá-las. Como Elias, precisamos ser vigilantes, avaliando com cuidado as evidências convincentes que mostram que Jeová logo agirá nestes tempos perigosos e urgentes. E, assim como Elias, temos todos os motivos para confiar plenamente nas promessas de Jeová, o “Deus da verdade”. — Sal. 31:5.

^ parágrafo 18 Pouco depois disso, Jeová designaria Elias para treinar Eliseu, que ficaria conhecido como aquele “que despejava água sobre as mãos de Elias”. (2 Reis 3:11) Eliseu serviu como ajudante de Elias, evidentemente dando ajuda prática a esse homem mais velho.