As Boas Novas Segundo João 12:1-50

12  Seis dias antes da Páscoa, Jesus chegou a Betânia,+ onde estava Lázaro,+ a quem Jesus havia levantado dentre os mortos.  Ofereceram-lhe ali um jantar; Marta servia,+ e Lázaro era um dos que comiam* com ele.  Então, Maria pegou quase meio quilo de óleo perfumado, nardo genuíno, muito caro, derramou-o nos pés de Jesus e os enxugou com seu cabelo.+ A casa se encheu com a fragrância do óleo perfumado.+  Mas Judas Iscariotes,+ um dos seus discípulos, que estava para traí-lo, disse:  “Por que esse óleo perfumado não foi vendido por 300 denários, e o dinheiro dado aos pobres?”  Na verdade, ele disse isso não porque estivesse preocupado com os pobres, mas porque era ladrão; ele cuidava da caixa de dinheiro e roubava o dinheiro que era colocado nela.  Então Jesus disse: “Deixem-na em paz, para que ela faça isso em vista do dia do meu sepultamento.+  Porque vocês sempre têm consigo os pobres,+ mas nem sempre terão a mim.”+  Nesse meio-tempo, uma grande multidão de judeus ficou sabendo que ele estava em Betânia, e eles foram para lá, não somente por causa de Jesus, mas também para ver Lázaro, a quem ele havia levantado dentre os mortos.+ 10  Os principais sacerdotes fizeram planos para matar Lázaro também,+ 11  visto que era por causa dele que muitos judeus iam para lá e depositavam fé em Jesus.+ 12  No dia seguinte, a grande multidão que tinha ido à festividade soube que Jesus estava chegando a Jerusalém. 13  Então, pegaram folhas de palmeiras e saíram ao encontro dele,+ e começaram a gritar: “Salva, rogamos-te! Bendito é aquele que vem em nome de Jeová!+ Bendito é o Rei de Israel!”+ 14  Jesus achou um jumentinho e montou nele,+ assim como está escrito: 15  “Não tema, filha de Sião. Veja! Seu rei está vindo, montado num jumentinho.”+ 16  De início, os discípulos não entenderam aquilo,+ mas, quando Jesus foi glorificado,+ eles se lembraram de que essas coisas estavam escritas a respeito dele e que tinham feito isso a ele.+ 17  As pessoas que estavam com ele quando chamou Lázaro para fora do túmulo+ e o levantou dentre os mortos davam testemunho.+ 18  Foi também por isso que a multidão foi ao encontro dele, porque ouviu que ele havia realizado esse sinal. 19  Portanto, os fariseus disseram entre si: “Vejam, não estamos conseguindo nada. Olhem como o mundo inteiro foi atrás dele!”+ 20  Havia alguns gregos entre os que tinham ido adorar na festividade. 21  Eles se aproximaram de Filipe,+ que era de Betsaida da Galileia, e lhe pediram: “Senhor, queremos ver Jesus.” 22  Filipe foi dizer isso a André.+ Então André e Filipe falaram com Jesus. 23  Mas Jesus lhes respondeu: “Chegou a hora para o Filho do Homem ser glorificado.+ 24  Digo-lhes com toda a certeza: Se o grão de trigo não cai no solo e não morre, continua sendo apenas um grão; mas, se morre,+ ele dá muito fruto. 25  Quem ama a sua vida a perderá,* mas quem odeia a sua vida+ neste mundo a preservará para a vida eterna.+ 26  Se alguém quiser me servir, siga-me; e, onde eu estiver, ali estará também o meu servo.+ Se alguém quiser me servir, o Pai o honrará. 27  Agora eu estou aflito,+ e o que direi? Pai, salva-me desta hora.+ Contudo, foi para isto que eu vim, para esta hora. 28  Pai, glorifica o teu nome.” Então veio uma voz+ do céu: “Eu já o glorifiquei e o glorificarei de novo.”+ 29  A multidão que estava ali ouviu isso e começou a dizer que tinha trovejado. Outros disseram: “Um anjo falou com ele.” 30  Jesus respondeu: “Essa voz não veio por minha causa, mas por causa de vocês.+ 31  Agora este mundo está sendo julgado; agora será expulso o governante deste mundo.+ 32  Mas, quando eu for erguido da terra,+ atrairei a mim todo tipo de pessoas.”+ 33  Na verdade, ele dizia isso para indicar o tipo de morte que estava para sofrer.+ 34  Então a multidão lhe respondeu: “Ouvimos da Lei que o Cristo permanece para sempre.+ Como é que você diz que o Filho do Homem tem de ser erguido?+ Quem é esse Filho do Homem?” 35  Jesus lhes disse, então: “A luz estará entre vocês por mais um pouco de tempo.+ Andem enquanto vocês ainda têm a luz, para que a escuridão não os vença; quem anda na escuridão não sabe para onde vai.+ 36  Enquanto vocês têm a luz, exerçam fé na luz, para que possam se tornar filhos da luz.”+ Depois de dizer essas coisas, Jesus foi embora e se escondeu deles. 37  Embora ele tivesse realizado tantos sinais na frente deles, não depositavam fé nele, 38  para que se cumprissem as palavras de Isaías, o profeta, que disse: “Jeová, quem depositou fé no que falamos?*+ E a quem foi revelado o braço de Jeová?”+ 39  Isaías também disse a razão pela qual eles não podiam acreditar: 40  “Ele lhes cegou os olhos e lhes endureceu o coração, para que não vissem com os olhos, nem entendessem com o coração, e dessem meia-volta, e eu os curasse.”+ 41  Isaías disse isso porque viu a glória dele e falou sobre ele.+ 42  De qualquer modo, até mesmo muitos líderes dos judeus realmente depositavam fé nele,+ mas, por causa dos fariseus, não declaravam isso publicamente, para não serem expulsos da sinagoga,+ 43  pois amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.*+ 44  No entanto, Jesus disse bem alto: “Quem deposita fé em mim deposita fé não somente em mim, mas também naquele que me enviou;+ 45  e quem me vê, vê também Aquele que me enviou.+ 46  Eu vim como luz ao mundo,+ para que todo aquele que deposita fé em mim não permaneça na escuridão.+ 47  Mas, se alguém ouve as minhas declarações e não as cumpre, eu não o julgo; pois não vim julgar o mundo, mas salvar o mundo.+ 48  Quem me desconsidera e não aceita as minhas declarações tem quem o julgue. As palavras que eu falei é que o julgarão no último dia.+ 49  Pois não falei de minha própria iniciativa, mas o Pai, que me enviou, ele mesmo me deu um mandamento sobre o que dizer e o que falar.+ 50  E eu sei que o seu mandamento significa* vida eterna.+ Portanto, tudo o que eu falo, falo assim como o Pai me disse.”+

Notas de rodapé

Ou: “se recostavam à mesa”.
Lit.: “destrói”.
Ou: “no nosso relato; na nossa mensagem”. Lit.: “na coisa ouvida de nós”.
Ou: “amavam mais os elogios (a aprovação) de humanos do que os elogios (a aprovação) de Deus”.
Ou: “é”.

Notas de estudo

Enquanto Jesus estava em Betânia: Os acontecimentos descritos em Mt 26:6-13 pelo visto ocorreram depois do pôr do sol que marcou o começo do dia 9 de nisã. Isso é indicado pelo relato paralelo de João, que diz que Jesus chegou em Betânia “seis dias antes da Páscoa”. (Jo 12:1) Ele deve ter chegado por volta da hora do pôr do sol que marcou o começo do sábado, 8 de nisã, um dia antes da refeição na casa de Simão, que aconteceu no dia 9. — Jo 12:2-11; veja os Apêndices A7-G e B12-A.

Betânia: Uma aldeia na encosta leste do monte das Oliveiras. Ficava a uns 3 quilômetros de distância de Jerusalém. (Jo 11:18) Marta, Maria e Lázaro moravam em Betânia, e parece que Jesus ficava hospedado na casa deles quando estava na Judeia. (Jo 11:1) No local onde ficava Betânia, existe hoje uma cidade com um nome árabe que significa “o lugar de Lázaro”.

Lázaro: Provavelmente a forma grega do nome hebraico Eleazar, que significa “Deus ajudou”.

Seis dias antes da Páscoa: Jesus deve ter chegado por volta da hora do pôr do sol que marcou o começo do sábado, 8 de nisã. Depois que o sábado acabou (ou seja, no início de 9 de nisã), Jesus jantou na casa de Simão, o leproso, junto com Marta, Maria e Lázaro. — Jo 12:2-11; veja a nota de estudo em Mt 26:6 e os Apêndices A7-G e B12-A.

Betânia: Veja a nota de estudo em Mt 21:17.

Lázaro: Veja a nota de estudo em Lu 16:20.

jantar: Esta refeição foi realizada na casa de Simão, o leproso, depois do pôr do sol que marcou o começo do dia 9 de nisã. — Mt 26:6; Mr 14:3.

derramá-lo sobre a cabeça dele: Mateus e Marcos dizem que a mulher derramou o óleo sobre a cabeça de Jesus. (Mt 26:7) João, que escreveu seu Evangelho anos mais tarde, diz que a mulher também derramou o óleo nos pés de Jesus. (Jo 12:3) Jesus explicou que, com aquele ato bondoso, a mulher estava como que preparando o corpo dele para o sepultamento — Veja a nota de estudo em Mr 14:8.

Maria: Ou seja, a irmã de Marta e de Lázaro. (Jo 11:1, 2) Nos relatos paralelos de Mt 26:7 e Mr 14:3, ela é chamada simplesmente de “uma mulher”.

quase meio quilo: Ou: “uma libra”. Em geral, acredita-se que a palavra grega usada aqui, lítra, se refira à libra romana (em latim, libra), que equivale a uns 327 gramas. — Veja o Apêndice B14-B.

óleo perfumado . . . muito caro: João especifica que Judas Iscariotes disse que o óleo poderia ser vendido por “300 denários”. (Jo 12:5) Um trabalhador comum teria que juntar o salário de um ano inteiro para conseguir esse valor. Acredita-se que esse óleo vinha de uma planta aromática (Nardostachys jatamansi) encontrada nas montanhas do Himalaia. Por ser muito caro, o nardo era muitas vezes adulterado e até mesmo falsificado, mas tanto Marcos como João dizem que esse óleo era nardo genuíno. Mr 14:3; veja o Glossário, “Nardo”.

derramou-o nos pés de Jesus: Veja a nota de estudo em Mr 14:3.

desde o princípio: Esta expressão não se refere ao nascimento de Judas. Também não se refere a quando ele foi escolhido como apóstolo, já que Jesus orou a noite inteira antes de escolher os 12 apóstolos. (Lu 6:12-16) Ela se refere à época em que Judas começou a agir como um traidor, algo que Jesus percebeu imediatamente. (Jo 2:24, 25; Ap 1:1; 2:23; veja as notas de estudo em Jo 6:70; 13:11.) Judas planejou sua traição, e a mudança gradual que o levou a fazer isso começou bem antes de ele trair Jesus. A palavra grega traduzida aqui como “princípio” é arkhé, e seu significado nas Escrituras Gregas Cristãs depende do contexto. No texto de 2Pe 3:4, “princípio” se refere ao início da criação. Mas na maioria das vezes essa palavra se refere a algo mais específico. Por exemplo, Pedro disse que o espírito santo desceu sobre os não judeus “da mesma forma como tinha descido sobre nós no princípio”. (At 11:15) Pedro não estava falando de quando ele nasceu nem de quando se tornou apóstolo. Ele estava se referindo ao dia de Pentecostes de 33 d.C. Essa ocasião foi o “princípio” no sentido de que foi a primeira vez que o espírito santo foi derramado com aquele objetivo especial. (At 2:1-4) Outros exemplos de como o contexto influencia o significado da palavra arkhé são Lu 1:2; Jo 15:27 e 1Jo 2:7.

que estava para traí-lo: Em grego, os dois verbos usados aqui (um traduzido como “estava para” e o outro traduzido como “traí-lo”) estão no tempo presente. A combinação desses verbos pode indicar que a traição de Judas não foi feita por impulso, mas foi planejada. A afirmação de João em Jo 6:64 apoia esse entendimento. — Veja a nota de estudo em Jo 6:64.

300 denários: O relato de Mateus diz apenas “uma grande soma” (Mt 26:9), mas os relatos de Marcos e de João são mais específicos. — Veja a nota de estudo em Mr 14:3; o Glossário, “Denário”; e o Apêndice B14-B.

300 denários: Veja a nota de estudo em Mr 14:5.

essa mulher derramou esse óleo perfumado sobre o meu corpo: A mulher (veja a nota de estudo em Mt 26:7) fez esse ato generoso porque sentia amor e gratidão por Jesus. Era costume passar aromas e óleos perfumados no corpo de pessoas falecidas. (2Cr 16:14) Por isso, Jesus explicou que a mulher, mesmo sem saber, já estava preparando o corpo dele para o sepultamento.

faça isso em vista do . . . meu sepultamento: Veja a nota de estudo em Mt 26:12.

Seis dias antes da Páscoa: Jesus deve ter chegado por volta da hora do pôr do sol que marcou o começo do sábado, 8 de nisã. Depois que o sábado acabou (ou seja, no início de 9 de nisã), Jesus jantou na casa de Simão, o leproso, junto com Marta, Maria e Lázaro. — Jo 12:2-11; veja a nota de estudo em Mt 26:6 e os Apêndices A7-G e B12-A.

No dia seguinte: Ou seja, na manhã do dia 9 de nisã de 33 d.C. O dia 9 de nisã tinha começado quando o sol se pôs no dia anterior. Naquela noite, Jesus tinha jantado na casa de Simão, o leproso. — Veja a nota de estudo em Jo 12:1 e o Apêndice B12-A.

à festividade: O contexto mostra que a festividade mencionada aqui era a Páscoa. (Jo 11:55; 12:1; 13:1) Na época de Jesus, a Páscoa, celebrada no dia 14 de nisã, e a Festividade dos Pães sem Fermento, celebrada de 15 a 21 de nisã (Le 23:5, 6; Núm 28:16, 17; veja o Apêndice B15), já estavam tão relacionadas que os oito dias (14 a 21 de nisã) eram considerados uma única festividade. (Lu 22:1) Em seus escritos, Josefo menciona “uma festa de oito dias, que é chamada de festa dos pães não fermentados”. — Veja o Apêndice B12-B.

Salva, rogamos: Lit.: “Hosana”. Essa palavra grega vem de uma expressão hebraica que significa “salva, rogamos” ou “salva, por favor”. Aqui, a palavra é uma súplica para que Deus dê salvação ou vitória, e poderia ser traduzida como “por favor, dá salvação para”. Com o tempo, além de ser usada para fazer súplicas, ela também passou a ser usada para louvar uma pessoa. A expressão hebraica que corresponde à palavra grega pode ser encontrada no Sal 118:25, que faz parte dos Salmos de Halel. Os israelitas sempre cantavam esses salmos na época da Páscoa, e por isso essas palavras vieram à mente das pessoas que receberam Jesus. Uma das maneiras como Deus respondeu a esse pedido e salvou Jesus, o Filho de Davi, foi quando o ressuscitou. Em Mt 21:42, o próprio Jesus citou o Sal 118:22, 23 e deu a entender que essas palavras se cumpririam nele como o Messias.

Salva, rogamos-te: Veja a nota de estudo em Mt 21:9.

Jeová: Esta é uma citação do Sal 118:25, 26. No texto hebraico original desse salmo, aparecem as quatro letras hebraicas que formam o nome de Deus (que equivalem a YHWH). — Veja os Apêndices A5 e C1.

assim como está escrito: A citação que aparece no próximo versículo é de Za 9:9.

filha de Sião: A Bíblia muitas vezes personifica cidades como se fossem mulheres. Aqui, a palavra “filha” pode representar a própria cidade ou o povo da cidade. O nome Sião era geralmente usado para se referir à cidade de Jerusalém.

uma jumenta amarrada, e um jumentinho com ela: Apenas Mateus menciona tanto a jumenta quanto o jumentinho. Os relatos paralelos em Mr 11:2-7; Lu 19:30-35 e Jo 12:14, 15 falam apenas do jumentinho, pelo visto porque foi nele que Jesus montou. — Veja a nota de estudo em Mt 21:5.

num jumento, sim, num jumentinho: Os versículos 2 e 7 de Mt 21 mencionam uma jumenta e um jumentinho. Mas a profecia em Za 9:9 citada aqui dizia que o rei estaria montado num jumentinho. — Veja a nota de estudo em Mt 21:2.

filha de Sião: Veja a nota de estudo em Mt 21:5.

num jumentinho: Os Evangelhos de Marcos (11:2), Lucas (19:35) e João falam apenas do jumentinho ao relatar esse acontecimento. Mateus (21:2-7) acrescenta o detalhe de que o jumentinho estava com a mãe. — Veja as notas de estudo em Mt 21:25.

túmulo: Ou: “túmulo memorial”. — Veja o Glossário, “Túmulo memorial”.

gregos: No século 1 d.C., havia muitas comunidades de gregos em Israel. Mas aqui a palavra “gregos” pelo visto se refere especificamente aos gregos que eram prosélitos, ou seja, os gregos que tinham se convertido ao judaísmo. Em Jo 12:32, Jesus profetizou: “Atrairei a mim todo tipo de pessoas.”

a sua vida: Ou: “a sua alma”. — Veja o Glossário, “Alma”.

servo: Ou: “ministro”. A Bíblia muitas vezes usa a palavra grega diákonos para se referir a uma pessoa que presta serviço a outros de modo humilde e perseverante. A Bíblia usa essa palavra para descrever Jesus (Ro 15:8); os ministros, ou servos, de Cristo (1Co 3:5-7; Col 1:23); e os servos ministeriais (Fil 1:1; 1Ti 3:8). A palavra também é usada para se referir a servos domésticos (Jo 2:5, 9) e a autoridades do governo (Ro 13:4).

servir: Ou: “ministrar”. O verbo grego usado aqui é diakonéo. Ele está relacionado com o substantivo diákonos, traduzido neste versículo como servo. A Bíblia muitas vezes usa a palavra diákonos para se referir a alguém que presta serviço a outros de modo humilde e perseverante. — Veja a nota de estudo em Mt 20:26.

eu estou aflito: Ou: “minha alma está aflita”. A palavra grega psykhé, que foi traduzida como “alma” nas edições anteriores da Tradução do Novo Mundo, se refere aqui à pessoa como um todo. Assim, neste versículo, a expressão grega para “minha alma” também pode ser traduzida como “todo o meu ser” ou simplesmente como “eu”. — Veja o Glossário, “Alma”.

uma voz: Os Evangelhos falam de três ocasiões em que Jeová falou diretamente com humanos; esta é a terceira delas. A primeira vez que Jeová fez isso foi no batismo de Jesus em 29 d.C. (Mt 3:16, 17; Mr 1:11; Lu 3:22) A segunda vez foi na ocasião da transfiguração em 32 d.C. (Mt 17:5; Mr 9:7; Lu 9:35) E a terceira, mencionada apenas aqui no Evangelho de João, aconteceu em 33 d.C., pouco antes da última Páscoa de Jesus. As palavras de Jeová foram uma resposta ao pedido de Jesus: “Pai, glorifica o teu nome.”

será expulso: Jesus estava falando profeticamente do tempo em que Satanás será retirado de sua posição de governante deste mundo.

o governante deste mundo: Uma expressão parecida é usada em Jo 14:30 e 16:11 e se refere a Satanás, o Diabo. Aqui, a palavra grega traduzida como “mundo” (kósmos) se refere a todos os humanos que não servem a Deus e que agem de uma forma que não está de acordo com a vontade dele. Esse “mundo” não se origina de Deus. Em vez disso, ele “está no poder do Maligno”. (1Jo 5:19) Satanás e suas “forças espirituais malignas nos lugares celestiais” atuam de modo invisível como “governantes mundiais [uma forma da palavra grega kosmokrátor] desta escuridão”. — Ef 6:11, 12.

o atraia: Lit.: “o puxe; o arraste”. O verbo grego que aparece aqui é usado para se referir à ação de puxar ou recolher uma rede de pesca. (Jo 21:6, 11) Mas isso não quer dizer que Deus force as pessoas a fazer algo que elas não queiram. Esse verbo também pode significar “atrair” e Jesus talvez estivesse fazendo referência indireta a Je 31:3, onde Jeová disse à nação de Israel: “Eu a atraí a mim com amor leal.” (A Septuaginta usa o mesmo verbo grego nesse texto.) O texto de Jo 12:32 (veja a nota de estudo) mostra que, de forma parecida, Jesus atrai a ele todo tipo de pessoas. As Escrituras explicam que Jeová deu aos humanos liberdade para tomar suas próprias decisões. Todos podem escolher se querem ou não servir a Jeová. (De 30:19, 20) Ele atrai de forma bondosa os que têm o coração sincero. (Sal 11:5; Pr 21:2; At 13:48) Jeová faz isso por meio da Bíblia e do espírito santo. A profecia de Is 54:13, citada em Jo 6:45, se cumpre nos que são atraídos pelo Pai. — Compare com Jo 6:65.

gregos: No século 1 d.C., havia muitas comunidades de gregos em Israel. Mas aqui a palavra “gregos” pelo visto se refere especificamente aos gregos que eram prosélitos, ou seja, os gregos que tinham se convertido ao judaísmo. Em Jo 12:32, Jesus profetizou: “Atrairei a mim todo tipo de pessoas.”

quando eu for erguido da terra: Ao que tudo indica, Jesus estava se referindo à sua morte na estaca de tortura, como sugere o próximo versículo.

todo tipo de pessoas: Jesus estava dizendo que atrairia a si todo tipo de pessoas, sem levar em conta a nacionalidade, a raça ou a classe social delas. (At 10:34, 35; Ap 7:9, 10; veja a nota de estudo em Jo 6:44.) É interessante que, nesta ocasião, havia “alguns gregos” no templo que queriam ver Jesus. (Veja a nota de estudo em Jo 12:20.) Muitas Bíblias traduzem aqui a palavra grega pas (“todos; todas [as pessoas]”) de uma forma que dá a entender que cedo ou tarde todos os humanos serão atraídos a Jesus. Mas isso não está de acordo com o restante das Escrituras inspiradas. (Sal 145:20; Mt 7:13; Lu 2:34; 2Te 1:9) Apesar de o significado literal da palavra pas ser “todos” (Ro 5:12), os textos de Mt 5:11 e At 10:12 mostram claramente que ela também pode significar “todo tipo” ou “todos os tipos”. Nesses dois textos, muitas traduções da Bíblia traduzem pas como “todo tipo” ou “toda espécie”. — Jo 1:7; 1Ti 2:4.

Jeová: Esta é uma citação de Is 53:1. No texto hebraico original desse versículo de Isaías, o nome de Deus aparece apenas uma vez, na expressão “o braço de Jeová”. Mas João, pelo visto, citou a profecia de Isaías conforme ela aparecia na Septuaginta. Nas cópias da Septuaginta disponíveis hoje, o texto grego usa a palavra Kýrios (Senhor) duas vezes. Na primeira ocorrência, ela está no vocativo, uma forma usada para chamar uma pessoa ou dirigir a palavra a ela. (Veja Ro 10:16, que também cita Is 53:1.) É possível que os tradutores da Septuaginta tivessem originalmente inserido o Tetragrama nesta primeira ocorrência para deixar claro que o profeta Isaías estava se dirigindo a Deus e que, depois, outras pessoas tenham substituído o nome de Deus por Kýrios. Isso estaria de acordo com o fato já mencionado de que nas cópias mais recentes da Septuaginta a palavra Kýrios muitas vezes foi usada para substituir o Tetragrama quando ele aparecia no texto hebraico original (assim como acontece na segunda ocorrência de Kýrios nesta citação de Isaías). Por isso, o nome de Deus foi usado duas vezes aqui neste versículo. Algumas traduções das Escrituras Gregas Cristãs para o hebraico (chamadas de J12, 14, 16-18, 22, 23 no Apêndice C4) usam o nome de Deus nesta primeira ocorrência de Kýrios em Jo 12:38.

braço de Jeová: Esta é uma citação de Is 53:1. No texto hebraico original desse versículo de Isaías, as quatro letras hebraicas que formam o nome de Deus (que equivalem a YHWH) aparecem apenas uma vez. (Veja a nota de estudo em Jeová neste versículo e os Apêndices A5 e C1.) Na Bíblia, a palavra braço (tanto em hebraico como em grego) muitas vezes é usada para representar a capacidade de exercer força ou poder. Por meio dos sinais e milagres que Jesus realizou, Jeová revelou seu “braço”, ou seja, sua capacidade de exercer poder.

Isaías . . . viu a glória dele: Na visão que Isaías teve de Jeová sentado num trono enaltecido e elevado, Jeová perguntou a Isaías: “A quem enviarei e quem irá por nós?” (Is 6:1, 8-10) O fato de o pronome “nós” ter sido usado indica que havia pelo menos mais uma pessoa junto com Deus na visão. Assim, parece razoável concluir que, quando João disse que Isaías “viu a glória dele”, João estava falando da glória que Jesus tinha enquanto estava ao lado de Jeová antes de vir à Terra. (Jo 1:14) Isso está de acordo com passagens da Bíblia como Gên 1:26, onde Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem.” (Veja também Pr 8:30, 31; Jo 1:1-3; Col 1:15, 16.) João acrescenta que Isaías falou sobre ele, ou seja, sobre o Cristo, porque grande parte do que Isaías escreveu tinha a ver com o prometido Messias.

Nicodemos: Fariseu que também era um líder dos judeus, ou seja, um membro do Sinédrio. (Veja o Glossário, “Sinédrio”.) O nome Nicodemos, que significa “conquistador do povo”, era um nome comum entre os gregos e, com o tempo, passou a ser usado por alguns judeus. O Evangelho de João é o único que menciona Nicodemos. (Jo 3:4, 9; 7:50; 19:39) Em Jo 3:10, Jesus chamou Nicodemos de “instrutor de Israel”. — Veja a nota de estudo em Jo 19:39.

expulsar da sinagoga: Ou: “excomungar; banir da sinagoga”. A palavra grega aposynágogos aparece apenas três vezes nas Escrituras: neste versículo, em Jo 12:42 e em Jo 16:2. Uma pessoa que fosse expulsa da sinagoga seria desprezada e excluída do convívio social com outros judeus, e isso também poderia trazer graves problemas financeiros para a família. O principal objetivo das sinagogas era instruir, mas elas também serviam, até certo ponto, como tribunais locais que tinham a autoridade de aplicar punições, como açoitamento e excomunhão (expulsar alguém de uma comunidade religiosa). — Veja a nota de estudo em Mt 10:17.

líderes dos judeus: A palavra grega que aparece aqui pelo visto se refere aos membros do Sinédrio, o supremo tribunal judaico. A mesma palavra é usada em Jo 3:1 para se referir a Nicodemos, que era membro do Sinédrio. — Veja a nota de estudo em Jo 3:1.

expulsos da sinagoga: Veja a nota de estudo em Jo 9:22.

julgasse: Ou: “condenasse”. Jeová não enviou seu Filho para julgar e condenar o mundo, ou seja, a humanidade. Em vez disso, por amor, ele enviou Jesus para salvar os que exercessem fé. — Jo 3:16; 2Pe 3:9.

julgo: Ou: “condeno”. — Veja a nota de estudo em Jo 3:17.

Mídia

Palmeira
Palmeira

Nos tempos bíblicos, um tipo de palmeira muito comum em Israel e nas regiões próximas era a tamareira (Phoenix dactylifera). Existem registros de que havia muitas palmeiras na costa do mar da Galileia e na parte sul do quente vale do Jordão. Havia uma quantidade especialmente grande de palmeiras na região de Jericó, que era chamada de “cidade das palmeiras”. (De 34:3; Jz 1:16; 3:13; 2Cr 28:15) Uma tamareira pode chegar a 30 metros de altura e suas folhas podem ter o comprimento de 3 a 5 metros. Folhas de palmeiras eram usadas na alegre Festividade das Barracas celebrada pelos judeus. (Le 23:39-43; Ne 8:14, 15) Elas também foram usadas pela multidão que festejou a entrada de Jesus em Jerusalém e o chamou de “Rei de Israel”. (Jo 12:12, 13) Pelo visto, isso representou o louvor e a submissão que eles queriam dar ao seu rei. Da mesma forma, a “grande multidão” descrita em Ap 7:9, 10 está segurando “folhas de palmeiras nas suas mãos” enquanto declara que deve sua salvação a Deus e ao Cordeiro.

Jumentinho
Jumentinho

O jumento é um animal de casco duro da mesma família que os cavalos. Em comparação com o cavalo, ele é menor e tem a crina mais curta, e suas orelhas são maiores. O rabo do jumento tem o pelo mais curto e um tufo de pelos compridos no final. O jumento tem a fama de ser teimoso e pouco inteligente. Mas, na verdade, o jumento é considerado mais inteligente que o cavalo, e ele costuma ser um animal paciente. Nos tempos bíblicos, tanto homens como mulheres, até mesmo israelitas importantes, montavam jumentos. (Jos 15:18; Jz 5:10; 10:3, 4; 12:14; 1Sa 25:42) Quando Salomão foi a Giom para ser ungido como rei, ele estava montado na mula (descendente híbrido de jumento) que pertencia a seu pai, Davi. (1Rs 1:33-40) Assim, era muito apropriado que Jesus, que era maior que Salomão, cumprisse a profecia de Za 9:9 montado num jumentinho, e não num cavalo.