As Boas Novas Segundo Mateus 27:1-66

27  Quando amanheceu, todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se para decidir como entregar Jesus à morte.+  Depois de o amarrarem, levaram-no e entregaram-no a Pilatos, o governador.+  Então, Judas, que tinha traído Jesus, vendo que este tinha sido condenado, sentiu remorsos e devolveu as 30 moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos,+  dizendo: “Pequei quando traí sangue inocente.” Eles disseram: “O que é que nós temos a ver com isso? Isso é lá contigo!”*  Assim, ele lançou as moedas de prata dentro do templo e saiu. De seguida, retirou-se e enforcou-se.+  Todavia, os principais sacerdotes apanharam as moedas de prata e disseram: “Não é permitido colocá-las no tesouro sagrado, porque são o preço de sangue.”  Depois de se consultarem uns aos outros, usaram o dinheiro para comprar o campo do oleiro, como lugar para sepultar estranhos.  Por isso, aquele campo é chamado Campo de Sangue+ até ao dia de hoje.  Deste modo, cumpriram-se as palavras de Jeremias, o profeta: “E apanharam as 30 moedas*+ de prata, o preço que foi definido para o homem, aquele em quem alguns dos filhos de Israel puseram um preço, 10  e deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que Jeová me tinha ordenado.”+ 11  Jesus estava então perante o governador, e o governador perguntou-lhe: “És tu o Rei dos judeus?” Jesus respondeu: “É o senhor que o está a dizer.”+ 12  Porém, ele não deu nenhuma resposta+ enquanto estava a ser acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos. 13  Então, Pilatos perguntou-lhe: “Não estás a ouvir quantas coisas testemunham contra ti?” 14  Contudo, ele não lhe respondeu, não, nem com uma só palavra, de modo que o governador ficou muito surpreendido. 15  Por ocasião da festividade,* era costume do governador soltar um preso, aquele que a multidão quisesse.+ 16  Eles tinham então um preso chamado Barrabás, um criminoso muito conhecido.+ 17  Portanto, quando estavam reunidos, Pilatos disse-lhes: “Qual deles é que vocês querem que eu solte: Barrabás ou Jesus, o chamado Cristo?” 18  Pois Pilatos sabia que o tinham entregado por inveja. 19  Além disso, enquanto estava sentado no tribunal, a sua esposa mandou-lhe o seguinte recado: “Não tenhas nada a ver com esse homem justo, pois hoje eu sofri muito, num sonho, por causa dele.” 20  No entanto, os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram as multidões a pedir Barrabás+ e a fazer com que Jesus fosse morto.+ 21  Por conseguinte, o governador disse-lhes: “Qual dos dois é que querem que eu solte?” Disseram: “Barrabás!” 22  Pilatos disse-lhes: “Então, o que é que eu devo fazer com Jesus, o chamado Cristo?” Todos disseram: “Para a estaca com ele!”*+ 23  Ele disse: “Porquê? O que é que ele fez de mal?” Contudo, gritaram ainda mais: “Para a estaca com ele!”+ 24  Vendo que não adiantava, mas, pelo contrário, que se criava um alvoroço, Pilatos pegou em água e lavou as mãos diante da multidão, dizendo: “Eu sou inocente do sangue deste homem.* Isso é convosco.”* 25  Todo o povo disse em resposta: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos.”+ 26  Ele soltou então Barrabás. Porém, mandou chicotear+ Jesus e entregou-o para ser morto na estaca.+ 27  Os soldados do governador levaram Jesus para a residência do governador e reuniram à volta dele todo o grupo de soldados.+ 28  Depois de o despirem, cobriram-no com um manto escarlate;+ 29  entrançaram uma coroa de espinhos e puseram-na sobre a cabeça dele, e colocaram uma cana na sua mão direita. E, ajoelhando-se diante dele, ridicularizaram-no, dizendo: “Salve, Rei dos judeus!” 30  Então, cuspiram nele,+ pegaram na cana e começaram a bater-lhe na cabeça. 31  Por fim, depois de o terem ridicularizado, tiraram-lhe o manto e voltaram a pôr-lhe as suas roupas, e levaram-no para ser pregado na estaca.+ 32  Ao saírem, encontraram um homem de Cirene chamado Simão. Obrigaram esse homem a prestar serviço, carregando* a estaca.+ 33  Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, Lugar da Caveira,+ 34  deram-lhe vinho misturado com fel para beber;+ mas, depois de o provar, ele recusou-se a beber. 35  Depois de o pregarem na estaca, repartiram as suas roupas, lançando sortes,+ 36  e ficaram ali sentados, a vigiá-lo. 37  Também colocaram por cima da sua cabeça, por escrito, a seguinte acusação contra ele: “Este é Jesus, o Rei dos judeus.”+ 38  Dois ladrões foram então pendurados em estacas ao seu lado, um à sua direita e outro à sua esquerda.+ 39  Os que passavam insultavam-no,+ abanando a cabeça+ 40  e dizendo: “Tu que ias derrubar o templo e construí-lo em três dias,+ salva-te a ti mesmo! Se tu és o filho de Deus, desce da estaca!”+ 41  Do mesmo modo, também os principais sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, começaram a ridicularizá-lo, dizendo:+ 42  “Ele salvou outros, mas não se pode salvar a si mesmo! Ele é Rei de Israel;+ que desça agora da estaca, e nós acreditaremos nele. 43  Depositou a sua confiança em Deus; que Ele o salve agora, se Ele se agrada dele,+ pois disse: ‘Sou Filho de Deus.’”+ 44  Do mesmo modo, até os ladrões, que estavam nas estacas ao seu lado, o insultavam.+ 45  Da sexta hora em diante, caiu uma escuridão sobre toda aquela terra,* até à nona hora.+ 46  Por volta da nona hora, Jesus clamou em voz alta: “Eli, Eli, lama sabactâni?”, isto é: “Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?”+ 47  Ouvindo isto, alguns dos que ali estavam disseram: “Este homem está a chamar por Elias.”+ 48  E um deles correu imediatamente, pegou numa esponja, ensopou-a em vinho acre, colocou-a numa cana e deu-lha para ele beber.+ 49  No entanto, os demais disseram: “Deixa-o! Vamos ver se Elias vem salvá-lo.” 50  Novamente, Jesus clamou em voz alta e entregou o seu espírito.+ 51  Naquele momento, a cortina do santuário+ rasgou-se em duas,+ de alto a baixo,+ a terra tremeu e as rochas partiram-se. 52  Os túmulos abriram-se e muitos corpos dos santos que tinham adormecido* foram levantados 53  (e pessoas, que saíram dentre os túmulos depois de ele ter sido levantado, entraram na cidade santa), e eles tornaram-se visíveis para muitas pessoas. 54  Porém, quando o oficial do exército e os que estavam com ele a vigiar Jesus viram o terramoto e as coisas que aconteciam, ficaram com muito medo e disseram: “Certamente este era o Filho de Deus.”*+ 55  E havia ali muitas mulheres a observar a uma certa distância. Elas tinham acompanhado Jesus desde a Galileia, para o servirem.+ 56  Entre elas estavam Maria Madalena, também Maria, mãe de Tiago e de Josés, e a mãe dos filhos de Zebedeu.+ 57  Então, visto que a tarde estava avançada, chegou um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus.+ 58  Este homem aproximou-se de Pilatos e pediu o corpo de Jesus.+ Pilatos ordenou então que o mesmo lhe fosse entregue.+ 59  José pegou no corpo, enrolou-o em puro linho fino+ 60  e colocou-o no seu túmulo novo,+ que tinha aberto na rocha. E, depois de rolar uma grande pedra até à entrada do túmulo, foi-se embora. 61  No entanto, Maria Madalena e a outra Maria permaneceram ali, sentadas diante da sepultura.+ 62  No outro dia, o dia seguinte ao da Preparação,+ os principais sacerdotes e os fariseus reuniram-se perante Pilatos 63  e disseram: “Senhor, lembramo-nos de que, enquanto ainda estava vivo, aquele impostor dizia: ‘Depois de três dias, eu serei levantado.’+ 64  Portanto, ordene que se mantenha a sepultura em segurança até ao terceiro dia, para que não venham os discípulos dele e o roubem,+ e digam ao povo: ‘Ele foi levantado dentre os mortos!’ Em tal caso, esta última mentira seria ainda pior do que a primeira.” 65  Pilatos disse-lhes: “Podem levar soldados. Vão, mantenham a sepultura tão segura quanto puderem.” 66  Por conseguinte, foram manter a sepultura em segurança, lacrando a pedra e colocando os soldados de guarda.

Notas de rodapé

Ou: “Esse problema é teu!”
Ou: “peças”.
Ou: “Em todas as festividades”.
Ou: “Execute-o na estaca!”
Ou: “inocente deste sangue”.
Ou: “A responsabilidade é vossa.”
Ou: “levantando”.
Lit.: “toda a terra”.
Ou: “tinham adormecido na morte; tinham morrido”.
Ou, possivelmente: “um filho de Deus; um filho de um deus”.

Notas de estudo

anciãos: Lit.: “homens idosos”. Na Bíblia, a palavra grega presbýteros refere-se principalmente a uma pessoa que tem autoridade e responsabilidade numa comunidade ou nação. Embora essa palavra, às vezes, possa ser usada para indicar idade (como acontece em Lu 15:25; At 2:17), não se refere apenas a quem é idoso. Neste versículo, a palavra “anciãos” refere-se a homens de autoridade entre os judeus. Muitas vezes, eles são mencionados juntamente com outros dois grupos: os principais sacerdotes e os escribas. O Sinédrio era formado por homens desses três grupos. — Mt 21:23; 26:3, 47, 57; 27:1, 41; 28:12; veja o Glossário, “Ancião; Homem idoso”.

anciãos: Veja a nota de estudo em Mt 16:21.

Pilatos, o governador: Governador (também chamado prefeito) romano da Judeia nomeado pelo imperador Tibério em 26 EC. O seu governo durou cerca de dez anos. Pilatos não é mencionado apenas na Bíblia, mas também nas obras de outros escritores. Por exemplo, o historiador romano Tácito escreveu que Pilatos ordenou a execução de Cristo durante o reinado de Tibério. Além disso, no antigo teatro romano em Cesareia, Israel, foi encontrada uma inscrição em latim com as palavras: “Pôncio Pilatos, Prefeito da Judeia”. — Veja as regiões governadas por Pôncio Pilatos no Apêndice B10.

sentiu remorsos: O texto usa aqui a palavra grega metamélomai. Às vezes, essa palavra indica um arrependimento sincero, como em Mt 21:29, 32 e 2Co 7:8, onde foi traduzida como “arrepender-se” ou “lamentar”. Mas não há nenhum indício de que Judas realmente estivesse arrependido do que fez. Quando a Bíblia fala de se arrepender diante de Deus, usa uma palavra diferente, metanoéo, que foi traduzida como “arrepender-se” em Mt 3:2; 4:17; Lu 15:7 e At 3:19. Essa palavra indica uma grande mudança no modo de pensar, nas atitudes e nos objetivos de uma pessoa. No entanto, o modo de pensar de Judas continuava distorcido; não tinha mudado para melhor. Isso ficou claro quando ele foi falar novamente com os mesmos homens que conspiraram com ele contra Jesus e, depois, se matou.

inocente: Alguns manuscritos muito antigos dizem “justo”. — Compare com Mt 23:35.

templo: A palavra grega usada aqui, naós, pode referir-se ao conjunto inteiro de edifícios do templo, incluindo os pátios, e não apenas ao santuário (onde ficavam o Santo e o Santíssimo).

enforcou-se: O livro de Atos, escrito por Lucas, diz que Judas caiu e o seu corpo rebentou. (At 1:18) Pelos vistos, Mateus descreve como Judas se suicidou, ao passo que Lucas descreve o resultado. Levando em conta os dois relatos, parece que Judas “foi enforcar-se” à beira de um penhasco, mas, em algum momento, a corda rebentou ou o galho da árvore partiu-se. Com isso, ele caiu e o seu corpo rebentou ao bater nas rochas que havia em baixo. A topografia à volta de Jerusalém torna possível esta conclusão.

tesouro sagrado: É possível que esta expressão se refira ao “local onde ficavam os cofres do tesouro”, mencionado em Jo 8:20. Parece que esse local ficava no Pátio das Mulheres, onde havia 13 cofres do tesouro. (Veja o Apêndice B11.) Acredita-se que o templo também tinha uma grande sala do tesouro, onde se guardava o dinheiro trazido dos cofres.

o preço de sangue: Ou: “dinheiro manchado de sangue”. Refere-se a dinheiro recebido para derramar sangue, ou seja, para matar alguém.

usaram o dinheiro: Somente Mateus relata que os principais sacerdotes usaram as 30 moedas de prata para comprar uma propriedade. O texto de At 1:18, 19 diz que foi Judas que fez a compra, mas, pelos vistos, diz isso porque foram os principais sacerdotes que compraram o campo com o dinheiro que Judas lançou dentro do templo.

campo do oleiro: Desde o século 4 EC, entende-se que esse campo seja um local na encosta sul do vale de Hinom, um pouco antes de esse vale se juntar ao vale do Cédron. Tudo indica que era uma área onde havia oleiros a trabalhar. Conforme Mt 27:8 e At 1:19, o campo ficou conhecido como “Campo de Sangue”, ou Acéldama. — Veja o Apêndice B12-A.

estranhos: Ou seja, visitantes judeus de outras terras ou não judeus.

até ao dia de hoje: Esta expressão indica que passou algum tempo entre os eventos relatados e a época da escrita. O Evangelho de Mateus, provavelmente, foi escrito por volta de 41 EC.

para cumprir o que Jeová tinha dito por meio do seu profeta: Mateus usa muitas vezes esta expressão e outras parecidas. Pelos vistos, ele queria deixar claro aos leitores judeus que Jesus era o prometido Messias. — Mt 2:15, 23; 4:14; 8:17; 12:17; 13:35; 21:4; 26:56; 27:9.

cumpriram-se as palavras de Jeremias, o profeta: A citação que começa logo depois destas palavras parece ter sido tirada principalmente de Za 11:12, 13. Mas Mateus parafraseou a profecia e, sob inspiração, mostrou como aqueles acontecimentos cumpriram o que o profeta disse. Na época de Mateus, o livro de Jeremias era o primeiro dos livros proféticos, e talvez o nome “Jeremias” fosse usado para se referir à coleção inteira desses livros, incluindo Zacarias. — Veja a nota de estudo em Mt 1:22.

cumpriram-se as palavras de Jeremias, o profeta: A citação que começa logo depois destas palavras parece ter sido tirada principalmente de Za 11:12, 13. Mas Mateus parafraseou a profecia e, sob inspiração, mostrou como aqueles acontecimentos cumpriram o que o profeta disse. Na época de Mateus, o livro de Jeremias era o primeiro dos livros proféticos, e talvez o nome “Jeremias” fosse usado para se referir à coleção inteira desses livros, incluindo Zacarias. — Veja a nota de estudo em Mt 1:22.

Jeová: Esta é uma citação das Escrituras Hebraicas. (Veja a nota de estudo em Mt 27:9.) No texto hebraico original de Zacarias, aparecem as quatro letras hebraicas que formam o nome de Deus (que equivalem a YHWH). — Veja o Apêndice C1.

Tu mesmo o estás a dizer: Expressão idiomática judaica usada para confirmar uma informação apresentada numa pergunta. Era como se Jesus estivesse a dizer: “Tu acabaste de o dizer, e o que tu dizes é verdade.” Pelos vistos, Jesus quis dizer que o próprio Judas, com a sua pergunta, estava a reconhecer que era o traidor. Comparando o relato de Mateus com Jo 13:21-30, é razoável concluir que Judas deve ter saído dali antes de Jesus realizar a primeira Ceia do Senhor. No relato de Mateus, Judas só é mencionado novamente em Mt 26:47, quando chega ao jardim de Getsémani com uma multidão para trair Jesus.

És tu que o estás a dizer: Jesus não estava a fugir da pergunta de Caifás, pois ele reconhecia que o sumo sacerdote tinha autoridade para o colocar sob juramento. (Mt 26:63) Pelos vistos, tratava-se de uma expressão idiomática que os judeus usavam para confirmar uma informação apresentada numa pergunta. Isso é apoiado pelo relato paralelo de Marcos, que diz que a resposta de Jesus foi: “Sou.” — Mr 14:62; veja as notas de estudo em Mt 26:25; 27:11.

És tu o Rei dos judeus?: Nenhum rei poderia governar dentro dos domínios do Império Romano sem a aprovação de César. Por isso, parece que Pilatos concentrou o seu interrogatório na seguinte questão: era Jesus rei ou não?

É o senhor que o está a dizer: Tudo indica que esta era uma maneira de confirmar a informação apresentada na pergunta de Pilatos. (Veja as notas de estudo em Mt 26:2564.) Jesus confirmou a Pilatos que realmente era um rei, mas não no sentido que Pilatos imaginava. O Reino de Jesus ‘não fazia parte deste mundo’, e, por isso, não era uma ameaça para o Império Romano. — Jo 18:33-37.

costume [...] soltar um preso: Os quatro Evangelhos falam sobre a libertação de Barrabás. (Mr 15:6-15; Lu 23:16-25; Jo 18:39, 40) Não existe base nem precedente para esse costume nas Escrituras Hebraicas. No entanto, parece que os judeus já tinham adotado esse costume nos dias de Jesus. Esse costume não seria estranho para os romanos, pois há evidências de que eles libertavam prisioneiros para agradar às multidões.

tribunal: Em algumas ocorrências das Escrituras Gregas, refere-se a uma plataforma elevada, ao ar livre, onde as autoridades se sentavam para falar às multidões e anunciar as suas decisões.

num sonho: Pelos vistos, foi Deus que fez com que ela tivesse esse sonho. Mateus é o único Evangelho que menciona o sonho da esposa de Pilatos.

lavou as mãos: Gesto usado para indicar que a pessoa se declarava inocente e livre de qualquer responsabilidade numa questão. Esse costume judaico é mencionado em De 21:6, 7 e Sal 26:6.

Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos: Ou seja: “Nós e os nossos descendentes assumimos a responsabilidade pela morte dele.”

chicotear: Os romanos chicoteavam as suas vítimas com um instrumento terrível conhecido em latim como flagellum. O verbo grego usado aqui (fragellóo, “chicotear”) vem dessa palavra latina. Esse chicote tinha um cabo e vários cordões ou correias de couro com nós. Em alguns desses chicotes, as correias tinham pedaços pontiagudos de osso ou de metal, para que os golpes doessem mais. Essa punição causava contusões profundas, rasgava a carne e até podia levar à morte.

residência do governador: A palavra grega praitórion (que vem do latim praetorium) refere-se à residência oficial dos governadores romanos. Em Jerusalém, a residência provavelmente era o palácio construído por Herodes, o Grande. Esse palácio ficava no canto noroeste da cidade alta, ou seja, da parte sul de Jerusalém. (Veja a localização no Apêndice B12-A.) Pilatos só ficava em Jerusalém em algumas ocasiões específicas, como nas festividades, quando o risco de ocorrerem tumultos era maior. Ele morava a maior parte do tempo em Cesareia.

manto escarlate: Tipo de manto ou túnica usado por reis, magistrados e oficiais militares. Os textos de Mr 15:17 e Jo 19:2 dizem que o manto era púrpura, mas, nos tempos antigos, a palavra “púrpura” era usada para descrever qualquer cor que fosse uma mistura de vermelho e azul. Além disso, dependendo do ângulo de visão, do reflexo da luz e do que estivesse no fundo, o observador poderia ter uma noção diferente da cor exata. Essa diferença no modo de descrever a cor (escarlate ou púrpura) mostra que os escritores dos Evangelhos não fizeram simples cópias do relato um do outro.

ajoelhou-se: No Antigo Oriente Próximo, as pessoas ajoelhavam-se para mostrar respeito, principalmente, se estivessem a fazer um pedido a alguém com mais autoridade.

coroa [...] cana: Além do manto escarlate (mencionado em Mt 27:28), os soldados ridicularizaram Jesus por lhe dar uma coroa de espinhos e uma cana, como se fossem a coroa e o cetro de um rei.

ajoelhando-se diante dele: As pessoas ajoelhavam-se à frente de um superior para mostrar respeito, mas, nessa ocasião, os soldados ajoelharam-se para ridicularizar Jesus. — Veja a nota de estudo em Mt 17:14.

Salve: Ou: “Saudações”. Lit.: “Alegre-se”. Os soldados dirigiram-se a Jesus por usarem a mesma saudação que usariam para César, gozando com o facto de Jesus dizer que era rei.

obrigar a prestar serviço: É uma referência ao serviço obrigatório que as autoridades romanas podiam exigir de um cidadão. Por exemplo, podiam obrigar um homem a fazer algum trabalho. Também podiam tirar a uma pessoa qualquer coisa que achassem necessária para cuidar de um assunto oficial urgente. Simão de Cirene foi ‘obrigado a prestar serviço’ quando os soldados romanos o mandaram carregar a estaca de Jesus. — Mt 27:32.

estaca de tortura: Ou: “estaca de execução”. Esta é a primeira vez que a palavra grega staurós aparece nas Escrituras Gregas Cristãs. No grego clássico, staurós refere-se, principalmente, a uma estaca ou a um poste. Quando essa palavra é usada em sentido figurado, pode significar o que uma pessoa enfrenta por ser um discípulo de Cristo: sofrimento, vergonha, tortura ou até mesmo a morte. — Veja o Glossário.

estaca de tortura: Ou: “estaca de execução”. No grego clássico, staurós refere-se principalmente a uma estaca ou poste. Quando essa palavra é usada em sentido figurado, pode significar o que uma pessoa enfrenta por ser um discípulo de Cristo: sofrimento, vergonha, tortura ou, até mesmo, a morte. — Veja o Glossário.

Cirene: Cidade no norte de África, próxima do litoral, a sudoeste da ilha de Creta. — Veja o Apêndice B13.

Obrigaram [...] a prestar serviço: Veja a nota de estudo em Mt 5:41.

estaca: Ou: “estaca de tortura; estaca de execução”. — Veja o Glossário, “Madeiro, estaca”; “Estaca de tortura”; para informações sobre o uso desta palavra em sentido figurado, veja as notas de estudo em Mt 10:38 e 16:24.

lugar da caveira: Em grego, Kraníou Tópos. Esta expressão grega é usada como tradução da palavra hebraica Golgotha. (Veja Jo 19:17 e a nota de estudo em Gólgota neste versículo.) Várias Bíblias em português usam a palavra “Calvário” em Lu 23:33. Essa palavra vem da palavra latina para “crânio”, calvaria, que é usada na Vulgata.

Gólgota: Vem da palavra hebraica gulgóleth, que significa “caveira; crânio”. (Veja Jo 19:17; também Jz 9:53, que usa essa palavra hebraica traduzida ali como “crânio”.) Nos dias de Jesus, esse local ficava fora das muralhas de Jerusalém. Atualmente, não se sabe qual era o local exato. (Veja o Apêndice B12-A.) A Bíblia não diz que Gólgota ficava num monte, mas menciona que alguns conseguiram ver a execução de Jesus à distância. — Mr 15:40; Lu 23:49.

Lugar da Caveira: Veja a nota de estudo em Mr 15:22.

fel: A palavra grega kholé refere-se aqui a um líquido amargo feito de plantas ou a qualquer substância amarga. Mostrando que esse acontecimento cumpria uma profecia, Mateus fez referência ao Sal 69:21, onde a Septuaginta usou a mesma palavra grega (kholé) para traduzir a palavra hebraica para “veneno”. Parece que mulheres de Jerusalém tinham preparado uma mistura de vinho e fel para aliviar a dor dos que estavam a ser mortos, e os romanos permitiram isso. O relato paralelo em Mr 15:23 diz que o vinho estava “misturado com uma droga, mirra”. Pelos vistos, aquele vinho devia ter as duas substâncias: mirra e fel.

ele recusou-se a beber: Evidentemente, Jesus queria estar totalmente lúcido durante esse teste de fé.

repartiram as suas roupas: O relato paralelo em Jo 19:23, 24 fornece detalhes que Mateus, Marcos e Lucas não mencionam. Considerando os relatos dos quatro Evangelhos, parece que os soldados romanos sortearam entre eles tanto a capa como a túnica de Jesus. Eles dividiram a capa “em quatro partes, uma para cada soldado”, e lançaram sortes para ver quem ficaria com cada parte. Mas eles não quiseram dividir a túnica, por isso, lançaram sortes para ver quem ficaria com ela. Esse sorteio das roupas do Messias cumpriu a profecia do Sal 22:18. Pelos vistos, era costume os carrascos ficarem com as roupas das suas vítimas. Eles tiravam os pertences e as roupas aos criminosos antes da execução, tornando todo o processo ainda mais humilhante.

lançando sortes: Veja o Glossário, “Sortes”.

ladrões: Ou: “bandidos”. A palavra grega leistés pode referir-se a pessoas que roubam com violência e, às vezes, a pessoas que se rebelam contra as autoridades. Esta palavra é usada para descrever Barrabás (Jo 18:40), que estava na prisão por “sedição” e “assassinato”. (Lu 23:19) O relato paralelo em Lu 23:32, 33, 39 usa a palavra grega kakoúrgos (lit.: “pessoa que pratica o mal”) ao descrever esses homens como “criminosos”.

abanando a cabeça: Gesto, geralmente acompanhado de insultos, que expressava desprezo, sarcasmo e gozo. Sem saber, as pessoas que passaram por ali cumpriram o Sal 22:7.

estaca: Ou: “estaca de tortura; estaca de execução”. — Veja o Glossário, “Madeiro, estaca”; “Estaca de tortura”; para informações sobre o uso desta palavra em sentido figurado, veja as notas de estudo em Mt 10:38 e 16:24.

estaca: Ou: “estaca de tortura; estaca de execução”. — Veja a nota de estudo em Mt 27:32 e o Glossário, “Madeiro, estaca”; “Estaca de tortura”.

estaca: Ou: “estaca de tortura; estaca de execução”. — Veja o Glossário, “Madeiro, estaca”; “Estaca de tortura”; para informações sobre o uso desta palavra em sentido figurado, veja as notas de estudo em Mt 10:38 e 16:24.

estaca: Ou: “estaca de tortura; estaca de execução”. — Veja a nota de estudo em Mt 27:32 e o Glossário, “Madeiro, estaca”; “Estaca de tortura”.

Por volta da terceira hora: Ou seja, por volta das 9 horas da manhã. No primeiro século EC, os judeus dividiam o período de luz do dia em 12 horas. (Jo 11:9) Esse período começava com o nascer do sol, por volta das 6 horas da manhã. Assim, a terceira hora seria por volta das 9 da manhã, a sexta hora seria por volta do meio-dia e a nona hora seria por volta das 3 da tarde. As pessoas daquela época não tinham instrumentos precisos para marcar o tempo. Por isso, os relatos bíblicos, geralmente, mencionam apenas a hora aproximada dos eventos. — Jo 1:39; 4:6; 19:14; At 10:3, 9.

uma escuridão: O relato paralelo em Lucas acrescenta que “a luz do sol falhou”. (Lu 23:44, 45) Essa escuridão foi um milagre da parte de Deus. Não pode ter sido causada por um eclipse solar, que só acontece na lua nova. Era a época da Páscoa, quando é lua cheia. Além disso, essa escuridão durou três horas, muito mais do que a duração máxima de um eclipse solar total, que é de menos de oito minutos.

Por volta da terceira hora: Ou seja, por volta das 9 horas da manhã. No primeiro século EC, os judeus dividiam o período de luz do dia em 12 horas. (Jo 11:9) Esse período começava com o nascer do sol, por volta das 6 horas da manhã. Assim, a terceira hora seria por volta das 9 da manhã, a sexta hora seria por volta do meio-dia e a nona hora seria por volta das 3 da tarde. As pessoas daquela época não tinham instrumentos precisos para marcar o tempo. Por isso, os relatos bíblicos, geralmente, mencionam apenas a hora aproximada dos eventos. — Jo 1:39; 4:6; 19:14; At 10:3, 9.

Da sexta hora: Ou seja, por volta do meio-dia. — Veja a nota de estudo em Mt 20:3.

uma escuridão: Veja a nota de estudo em Mr 15:33.

à nona hora: Ou seja, por volta das 3 horas da tarde. — Veja a nota de estudo em Mt 20:3.

Eli, Eli, lama sabactâni?: Alguns estudiosos acham que estas palavras são aramaicas, mas é mais provável que sejam do hebraico da época, que tinha sido influenciado pelo aramaico. A transliteração dessas palavras que Mateus e Marcos fizeram para o grego não permite uma identificação exata da língua original.

Deus meu, Deus meu: Quando Jesus clamou ao seu Pai celestial chamando-lhe “Deus meu”, ele cumpriu o Sal 22:1. Esse clamor de Jesus pode ter feito as pessoas ali lembrarem-se das muitas coisas que foram profetizadas sobre ele na continuação do Sal 22. Por exemplo, ele seria vítima de desprezo e gozo, ‘atacariam’ as mãos e os pés dele e lançariam sortes sobre as suas roupas. — Sal 22:6-8, 16, 18.

Elias: Nome de origem hebraica que significa “o meu Deus é Jeová”.

vinho acre: Ou: “vinagre de vinho”. Em grego, óxos. Provavelmente, refere-se a um vinho ralo e azedo que em latim é chamado acetum (vinagre) ou posca quando é diluído na água. Era uma bebida barata que os pobres, incluindo os soldados romanos, geralmente tomavam para matar a sede. A Septuaginta também usa a palavra grega óxos no Sal 69:21, na profecia que diz que o Messias receberia “vinagre” para beber.

cana: Ou: “vara; bastão”. No relato paralelo de João, é chamada “haste de hissopo”. — Jo 19:29; veja o Glossário, “Hissopo”.

salvá-lo: Alguns manuscritos muito antigos acrescentam as palavras: “Outro homem pegou numa lança e furou-lhe o lado, e saíram sangue e água.” Esta passagem não aparece em outros manuscritos importantes. Estas palavras são parecidas com as de Jo 19:34, mas, de acordo com Jo 19:33, Jesus já tinha morrido quando o soldado ‘lhe furou o lado com uma lança’. A maioria dos estudiosos, incluindo os editores dos textos gregos de Nestle e Aland, e da Sociedade Bíblica Unida, acredita que copistas inseriram as palavras do Evangelho de João no relato de Mateus. Até mesmo Westcott e Hort, que deixaram estas palavras dentro de parênteses duplos na sua edição do texto grego, disseram que esta frase “muito provavelmente foi introduzida por escribas”. Há diferenças entre os manuscritos em Mt 27:49, mas não em Jo 19:33, 34. Por isso, tudo indica que João narra os acontecimentos na ordem certa: Jesus já tinha morrido quando o soldado romano o furou com a lança. Portanto, esta revisão da Tradução do Novo Mundo omite estas palavras em Mt 27:49.

entregou o seu espírito: Ou: “expirou; deu o seu último suspiro; parou de respirar”. A palavra “espírito” (em grego, pneúma) pode ser entendida aqui como se referindo ao “fôlego” ou à “força de vida”. O relato paralelo de Mr 15:37 apoia isso, porque usa o verbo grego ekpnéo (lit.: “expirar; soltar o ar”), que foi traduzido como “morreu” ou, conforme a nota de estudo, “deu o seu último suspiro”. Alguns sugerem que o uso da palavra grega traduzida como “entregou” significa que Jesus decidiu parar de lutar pela vida, visto que tudo já estava “consumado”, ou terminado. (Jo 19:30) Ele voluntariamente “derramou a sua vida até à morte”. — Is 53:12; Jo 10:11.

cortina: Essa bela cortina ornamentada separava o Santíssimo do Santo no templo. A história judaica indica que essa pesada cortina tinha cerca de 18 metros de altura, 9 metros de largura e 7 centímetros de espessura. Quando rasgou essa cortina em duas, Jeová não só mostrou a sua ira contra aqueles que mataram o seu Filho, mas também indicou que, a partir daquele momento, o “caminho de entrada” para o céu estaria aberto. — He 10:19, 20; veja o Glossário.

santuário: A palavra grega naós refere-se aqui ao edifício central do templo, onde ficavam o Santo e o Santíssimo.

túmulos: Ou: “túmulos memoriais”. — Veja o Glossário.

foram levantados: O verbo grego egeíro, que significa “levantar”, pode referir-se a uma ressurreição, mas também é usado muitas vezes em outros contextos. Por exemplo, pode significar “tirar” de um buraco ou “levantar-se” do chão. (Mt 12:11; 17:7; Lu 1:69) Mateus não diz que os “santos” foram “levantados”. Ele diz que os “corpos” deles foram “levantados”. Pelos vistos, o terramoto foi tão forte que os túmulos se abriram e os cadáveres foram atirados para fora.

cidade santa: Refere-se a Jerusalém. É muitas vezes chamada santa porque o templo de Jeová ficava ali. — Ne 11:1; Is 52:1.

foram levantados: O verbo grego egeíro, que significa “levantar”, pode referir-se a uma ressurreição, mas também é usado muitas vezes em outros contextos. Por exemplo, pode significar “tirar” de um buraco ou “levantar-se” do chão. (Mt 12:11; 17:7; Lu 1:69) Mateus não diz que os “santos” foram “levantados”. Ele diz que os “corpos” deles foram “levantados”. Pelos vistos, o terramoto foi tão forte que os túmulos se abriram e os cadáveres foram atirados para fora.

pessoas, que saíram: Ou: “aqueles que saíram”. O verbo grego indica um sujeito no masculino plural, referindo-se a pessoas, não aos corpos (substantivo neutro em grego, não masculino) mencionados no versículo 52. Tudo indica que essas pessoas eram pessoas que depois passaram pelo local, viram os cadáveres que o terramoto (versículo 51) atirou para fora dos túmulos, entraram na cidade e relataram o que tinham visto.

depois de ele ter sido levantado: Ou seja, depois da ressurreição de Jesus. A informação entre parênteses refere-se ao que aconteceu depois de algum tempo.

cidade santa: Ou seja, Jerusalém. — Veja a nota de estudo em Mt 4:5.

eles tornaram-se visíveis: Pelos vistos, refere-se aos cadáveres mencionados no versículo 52. — Veja a nota de estudo em Mt 27:52.

oficial do exército: Ou: “centurião”, um oficial que comandava cerca de cem soldados do exército romano. Esse oficial de alta patente talvez estivesse presente no julgamento de Jesus diante de Pilatos e pode ter ouvido os judeus dizerem que Jesus afirmou ser o Filho de Deus. — Mt 27:27; Jo 19:7.

Magadã: Não se conhece hoje nenhum lugar chamado Magadã na região próxima do mar da Galileia. Mas alguns investigadores acreditam que Magadã seja o mesmo lugar que Magdala, que hoje é a cidade de Migdal, cerca de 6 quilómetros a noroeste de Tiberíades. No relato paralelo de Marcos (Mr 8:10), a região é chamada Dalmanuta. — Veja o Apêndice B10.

Maria, que era chamada Madalena: Esta Maria, muitas vezes chamada Maria Madalena, é mencionada pela primeira vez no Evangelho de Lucas neste relato sobre o segundo ano do ministério de Jesus. O nome Madalena (que significa “de Magdala; pertencente a Magdala”) provavelmente vem do nome da cidade de Magdala e servia para diferenciá-la de outras Marias. Essa cidade ficava na margem oeste do mar da Galileia, mais ou menos a meio do caminho entre Cafarnaum e Tiberíades. Alguns sugerem que Maria nasceu em Magdala ou que morava ali. Todas as outras vezes em que Maria Madalena é mencionada na Bíblia estão ligadas à morte e ressurreição de Jesus. — Mt 27:55, 56, 61; Mr 15:40; Lu 24:10; Jo 19:25.

Zebedeu: É possível que Zebedeu fosse marido de Salomé, a mãe de Tiago e João, e que Salomé fosse irmã de Maria, a mãe de Jesus. Se isso for verdade, Zebedeu era tio de Jesus, e Tiago e João eram primos de Jesus. — Veja a nota de estudo em Mr 15:40.

mãe dos filhos de Zebedeu: Ou seja, a mãe dos apóstolos Tiago e João. O relato paralelo em Marcos diz que quem falou com Jesus foram Tiago e João. (Mr 10:35) Pelos vistos, a ideia foi deles, mas eles fizeram o pedido por meio de Salomé, a sua mãe. É possível que Salomé fosse tia de Jesus. — Mt 27:55, 56; Mr 15:40, 41; Jo 19:25.

Maria Madalena: O nome Madalena (que significa “de Magdala; pertencente a Magdala”) provavelmente vem do nome da cidade de Magdala e servia para diferenciá-la de outras Marias. Essa cidade ficava na margem oeste do mar da Galileia, mais ou menos a meio do caminho entre Cafarnaum e Tiberíades. Alguns sugerem que Maria tinha nascido ou morava em Magdala. — Veja as notas de estudo em Mt 15:39; Lu 8:2.

Tiago: Também chamado “Tiago, o Menor”. — Mr 15:40.

Josés: Alguns manuscritos muito antigos dizem “José” em vez de “Josés”. No relato paralelo de Mr 15:40, a maioria dos manuscritos muito antigos diz “Josés”.

a mãe dos filhos de Zebedeu: Ou seja, a mãe dos apóstolos Tiago e João. — Veja as notas de estudo em Mt 4:21; 20:20.

Arimateia: O nome dessa cidade vem de uma palavra hebraica que significa “altura”. Em Lu 23:51, é chamada “uma cidade da Judeia”. — Veja o Apêndice B10.

José: Cada escritor dos Evangelhos tinha o seu próprio estilo, e isso fica evidente nos detalhes que eles deram ao descrever José de Arimateia. Mateus, um cobrador de impostos, diz que José era “um homem rico”. Marcos, que escreveu para os romanos, diz que ele era um “membro bem-conceituado do Conselho” e que “aguardava o Reino de Deus”. Lucas, um médico bondoso, diz que José “era um homem bom e justo” e que ele não tinha votado em apoio da ação do Conselho contra Jesus. Apenas João relata que ele era “discípulo de Jesus, mas secretamente, pois tinha medo dos judeus”. — Mr 15:43-46; Lu 23:50-53; Jo 19:38-42.

túmulo: Ou: “túmulo memorial”. Não se tratava de uma caverna natural, mas de uma gruta escavada na rocha calcária. Muitos desses túmulos tinham bancos de pedra ou espaços escavados nas paredes onde era possível deitar os corpos. — Veja o Glossário.

uma grande pedra: Devia ser uma pedra circular, já que este versículo diz que ela foi ‘rolada’ para fechar o túmulo e Mr 16:4 diz que, quando Jesus foi ressuscitado, ela tinha sido “desviada” para abrir o túmulo. Essa grande pedra talvez pesasse uma tonelada ou mais.

Tiago, filho de Alfeu: Pelos vistos, é o mesmo discípulo chamado “Tiago, o Menor” em Mr 15:40. Acredita-se que Alfeu seja o Clopas mencionado em Jo 19:25. Se esse for o caso, então, ele seria casado com a mulher a quem Mateus chama “a outra Maria”. (Mt 27:56; 28:1; Mr 15:40; 16:1; Lu 24:10) Tudo indica que esse Alfeu não é o mesmo Alfeu mencionado em Mr 2:14, o pai de Levi.

Clopas: Esta é a única vez que o nome Clopas aparece na Bíblia. Muitos estudiosos acreditam que Clopas seja a mesma pessoa que o Alfeu mencionado em Mt 10:3; Mr 3:18; Lu 6:15 e At 1:13. Outros exemplos da Bíblia mostram que era comum uma pessoa ser conhecida por dois nomes diferentes. — Compare com Mt 9:9; 10:2, 3; Mr 2:14.

a outra Maria: Ou seja, “Maria, mãe de Tiago e de Josés”, mencionada em Mt 27:56. Ela também é mencionada em Mt 28:1; Mr 15:40, 47; 16:1; Lu 24:10 e Jo 19:25. — Veja as notas de estudo em Mr 3:18; Jo 19:25.

outro dia: Ou seja, 15 de nisã. Não importa em que dia da semana calhasse, o dia seguinte ao 14 de nisã era sempre considerado um sábado, ou dia de descanso. Em 33 EC, o dia 15 de nisã calhou num sábado semanal, tornando esse dia um sábado “grande”, ou duplo. — Jo 19:31; veja o Apêndice B12-B.

Preparação: Nome usado para descrever o dia antes do sábado semanal. Nesse dia, os judeus preparavam-se por deixarem prontas refeições para o sábado e por finalizarem qualquer trabalho que não pudesse esperar até depois do sábado. Nessa ocasião, o dia da Preparação calhou no dia 14 de nisã. — Mr 15:42; veja o Glossário.

três dias e três noites: Outros textos da Bíblia indicam que esta expressão nem sempre se refere a três dias completos. Às vezes, pode encarar-se parte de um dia como um dia inteiro. — Gén 42:17, 18; 1Rs 12:5, 12; Mt 27:62-66; 28:1-6.

três dias: Esta expressão nem sempre se refere a três dias completos. Isso fica evidente no pedido que fizeram a Pilatos para que o túmulo fosse mantido “em segurança até ao terceiro dia”, e não até ao quarto dia. — Mt 27:64; veja a nota de estudo em Mt 12:40.

Em tal caso, esta última mentira seria ainda pior do que a primeira: Pelos vistos, isso significa que essa suposta “mentira”, a ressurreição de Jesus, seria pior do que a primeira, a sua afirmação de que era o Messias. Parece que os inimigos de Jesus sabiam que, se Jesus fosse ressuscitado, isso confirmaria que ele era mesmo o Messias.

soldados: Tudo indica que Pilatos providenciou um grupo de soldados romanos. (Mt 28:4, 11) Se esses soldados fossem guardas da polícia judaica do templo, os judeus não precisariam de falar com Pilatos. Além disso, os sacerdotes depois prometeram a esses soldados que cuidariam do assunto caso o governador soubesse que o corpo de Jesus tinha desaparecido. — Mt 28:14.

Multimédia

Inscrição com o nome de Pôncio Pilatos
Inscrição com o nome de Pôncio Pilatos

Em 1961, arqueólogos que trabalhavam no antigo teatro romano em Cesareia, Israel, encontraram o nome de Pilatos inscrito em latim numa pedra que tinha sido reutilizada na construção do teatro. A fotografia mostra uma réplica da inscrição. O nome de Pilatos também aparece várias vezes noutros registos históricos da época.

Prego no osso de um calcanhar humano
Prego no osso de um calcanhar humano

Esta é uma fotografia da réplica do osso de um calcanhar humano atravessado por um prego de ferro de 11,5 centímetros. A peça original foi encontrada em 1968 durante escavações no norte de Jerusalém, e é da época do Império Romano. Essa descoberta serve como prova arqueológica de que, provavelmente, se usavam pregos em execuções para prender a vítima numa estaca de madeira. Os pregos que os soldados romanos usaram para prender Jesus Cristo na estaca talvez fossem parecidos com o da fotografia. A peça original foi encontrada num ossuário (caixa de pedra onde os ossos de uma pessoa falecida eram colocados depois de a carne se ter decomposto). Isso indica que uma pessoa executada numa estaca podia receber um sepultamento, como foi o caso de Jesus.

Túmulo escavado na rocha
Túmulo escavado na rocha

Os judeus costumavam sepultar os mortos em grutas naturais ou escavadas na rocha. Esses túmulos geralmente ficavam fora da cidade, com exceção dos túmulos dos reis. Os túmulos judaicos que já foram descobertos destacam-se pela simplicidade. Pelos vistos, eram assim porque os judeus não achavam certo venerar os mortos nem acreditavam que, depois de morrer, a pessoa passava a viver num mundo espiritual.