As Boas Novas Segundo Mateus 16:1-28

16  Ali, aproximaram-se dele os fariseus e os saduceus e, para o testarem, pediram-lhe que lhes mostrasse um sinal do céu.+  Em resposta, ele disse-lhes: “Ao cair da noite, vocês dizem: ‘Vai estar bom tempo, pois o céu está vermelho’,+  e, de manhã: ‘Hoje o tempo vai estar frio e chuvoso, pois o céu está vermelho, mas sombrio.’ Vocês sabem interpretar a aparência do céu, mas não conseguem interpretar os sinais dos tempos.  Uma geração má e adúltera persiste em procurar um sinal,* mas nenhum sinal lhe será dado,+ exceto o sinal de Jonas.”+ Com isso, afastou-se, deixando-os para trás.  Os discípulos passaram então para a outra margem, mas esqueceram-se de levar pães.+  Jesus disse-lhes: “Mantenham os olhos abertos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus.”+  Assim, começaram a raciocinar entre si, dizendo: “Não trouxemos pães.”  Sabendo disso, Jesus disse: “Homens de pouca fé, porque é que estão a conversar sobre o facto de não terem pães?  Ainda não compreendem a questão, e não se lembram dos cinco pães, no caso dos 5000, e de quantos cestos recolheram?+ 10  Ou dos sete pães, no caso dos 4000, e de quantos cestos grandes recolheram?+ 11  Como é que não compreendem que não vos falei de pão? Eu disse-vos para terem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus.”+ 12  Compreenderam então que ele dizia para terem cuidado, não com o fermento de pão, mas com os ensinamentos dos fariseus e dos saduceus. 13  Quando chegou à região de Cesareia de Filipe, Jesus perguntou aos seus discípulos: “Segundo o que os homens dizem, quem é o Filho do Homem?”+ 14  Responderam: “Alguns dizem João Batista;+ outros, Elias;+ e ainda outros, Jeremias ou um dos profetas.” 15  Ele perguntou-lhes: “E vocês, quem dizem que eu sou?” 16  Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo,+ o Filho do Deus vivente.”+ 17  Jesus disse-lhe então: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque isso não te foi revelado por homens, mas pelo meu Pai, que está nos céus.+ 18  Digo-te, também: Tu és Pedro,+ e sobre esta rocha+ construirei a minha congregação, e os portões da Sepultura não a vencerão.+ 19  Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus, e tudo o que amarrares na terra já terá sido amarrado nos céus, e tudo o que soltares na terra já terá sido solto nos céus.”+ 20  Então, ele ordenou com firmeza aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo.+ 21  Daquele tempo em diante, Jesus começou a explicar aos seus discípulos que ele tinha de ir a Jerusalém e sofrer muitas coisas por parte dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, e que tinha de ser morto e, no terceiro dia, ser levantado.+ 22  Em vista disso, Pedro levou-o à parte e começou a censurá-lo, dizendo: “Tem compaixão de ti mesmo, Senhor! Isso de modo algum te acontecerá.”+ 23  No entanto, ele virou as costas para Pedro e disse-lhe:* “Para trás de mim, Satanás! Tu és uma pedra de tropeço para mim, porque não tens os pensamentos de Deus, mas os de homens.”*+ 24  Jesus disse então aos seus discípulos: “Se alguém quiser ser meu seguidor, negue-se a si mesmo, apanhe a sua estaca de tortura e siga-me sempre.+ 25  Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas quem perder a sua vida por minha causa vai encontrá-la.+ 26  Realmente, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se ele perder a sua vida?+ Ou o que dará o homem em troca da sua vida?+ 27  Porque o Filho do Homem há de vir na glória do seu Pai, com os seus anjos,+ e então retribuirá a* cada um segundo o seu comportamento.+ 28  Digo-vos a verdade: Há alguns dos que estão aqui que de modo algum provarão a morte antes de verem o Filho do Homem vir no seu Reino.”+

Notas de rodapé

Ou: “uma prova milagrosa”.
Ou: “deu meia-volta e disse a Pedro”.
Ou: “não tens a mente de Deus, mas a de humanos”.
Ou: “recompensará”.

Notas de estudo

Em resposta, ele disse-lhes: A passagem que começa com “Ao cair da noite”, no versículo 2, e vai até ao fim do versículo 3 não aparece em alguns manuscritos mais antigos e importantes. Por isso, não é possível ter a certeza se essa passagem é autêntica. No entanto, muitos estudiosos acham provável que essa passagem fizesse parte do texto original porque aparece num grande número de manuscritos mais antigos e em muitos manuscritos posteriores.

adúltera: Ou: “infiel”. Assim como uma esposa que é infiel ao marido é considerada adúltera, uma pessoa que está num pacto com Deus, mas é infiel, é considerada adúltera em sentido espiritual. Os israelitas eram culpados de adultério espiritual porque violaram o pacto da Lei, misturando a religião falsa com a adoração de Jeová. (Je 3:8, 9; 5:7, 8; 9:2; 13:27; 23:10; Os 7:4) Por motivos parecidos, Jesus chamou adúltera à geração de judeus dos seus dias. (Mt 12:39; 16:4) Se um cristão que faz parte do novo pacto se contaminar com este mundo, ele estará a cometer adultério em sentido espiritual. De certa forma, isso também se aplica a todos os que se dedicaram a Jeová. — Tg 4:4.

sinal de Jonas: Para Jonas, ser libertado da barriga do peixe depois de “três dias e três noites” foi como ser ressuscitado da Sepultura. (Jon 1:17–2:2) A ressurreição de Jesus da sepultura literal seria tão real como Jonas ter sido libertado da barriga do peixe. No entanto, mesmo depois da ressurreição de Jesus no terceiro dia, aqueles críticos teimosos não tiveram fé nele.

adúltera: Assim como uma esposa adúltera não é fiel ao marido, aquela geração era adúltera no sentido de que não era fiel a Deus. — Veja a nota de estudo em Mr 8:38.

sinal de Jonas: Veja a nota de estudo em Mt 12:39.

para a outra margem: Ou seja, para a outra margem do mar da Galileia. Pelos vistos, eles estavam a ir na direção de Betsaida, que ficava na margem nordeste.

fermento: Aqui, Jesus estava a referir-se ao processo normal de fazer pão. Era comum pegar num pequeno pedaço de massa já fermentada e guardá-lo para servir de fermento. Quando a pessoa ia fazer mais pães, misturava esse fermento com a nova massa para a fazer crescer. Embora a Bíblia, muitas vezes, use o fermento para representar o pecado e a maldade (veja a nota de estudo em Mt 16:6), nem sempre menciona o fermento em sentido negativo (Le 7:11-15). Tudo indica que, aqui, o processo de fermentação representa o crescimento de algo bom.

fermento: A Bíblia costuma usar o fermento para representar o pecado e a maldade, e aqui representa ensinos falsos. — Mt 16:12; 1Co 5:6-8; compare com a nota de estudo em Mt 13:33.

cestos: Os cestos mencionados aqui talvez fossem pequenos cestos de vime com uma alça de corda. Esses cestos podiam ser levados em viagens, e acredita-se que tinham a capacidade de aproximadamente 7,5 litros. — Veja as notas de estudo em Mt 16:9, 10.

cestos grandes: Ou: “cestos de provisões”. A palavra grega usada aqui, sfyrís, parece referir-se a um tipo de cesto maior do que aqueles que foram usados quando Jesus alimentou cerca de 5000 homens. (Veja a nota de estudo em Mt 14:20.) O texto de At 9:25 usa a mesma palavra grega quando diz que os discípulos colocaram Paulo dentro de um cesto para o tirar de Damasco. — Veja a nota de estudo em At 9:25.

cestos grandes: Ou: “cestos de provisões”. — Veja as notas de estudo em Mt 15:37; 16:9.

cestos: Ao relatar as duas vezes em que Jesus fez o milagre de alimentar as multidões (veja as notas de estudo em Mt 14:20; 15:37; 16:10 e os relatos paralelos em Mr 6:43; 8:8, 19, 20), os Evangelhos de Mateus e de Marcos descrevem de forma coerente o tipo de cesto que foi usado em cada ocasião. No relato em que Jesus alimentou cerca de 5000 homens, tanto Mateus como Marcos usam a palavra grega kófinos (traduzida como “cesto”). No relato em que ele alimentou cerca de 4000 homens, os dois Evangelhos usam a palavra grega sfyrís (traduzida como “cesto grande”). Isto indica que Mateus e Marcos estavam presentes nas duas ocasiões ou que ouviram os factos de pessoas que presenciaram o milagre.

cestos grandes: Ou: “cestos de provisões”. A palavra grega usada aqui, sfyrís, parece referir-se a um tipo de cesto maior do que aqueles que foram usados quando Jesus alimentou cerca de 5000 homens. (Veja a nota de estudo em Mt 14:20.) O texto de At 9:25 usa a mesma palavra grega quando diz que os discípulos colocaram Paulo dentro de um cesto para o tirar de Damasco. — Veja a nota de estudo em At 9:25.

cestos: Ao relatar as duas vezes em que Jesus fez o milagre de alimentar as multidões (veja as notas de estudo em Mt 14:20; 15:37; 16:10 e os relatos paralelos em Mr 6:43; 8:8, 19, 20), os Evangelhos de Mateus e de Marcos descrevem de forma coerente o tipo de cesto que foi usado em cada ocasião. No relato em que Jesus alimentou cerca de 5000 homens, tanto Mateus como Marcos usam a palavra grega kófinos (traduzida como “cesto”). No relato em que ele alimentou cerca de 4000 homens, os dois Evangelhos usam a palavra grega sfyrís (traduzida como “cesto grande”). Isto indica que Mateus e Marcos estavam presentes nas duas ocasiões ou que ouviram os factos de pessoas que presenciaram o milagre.

cestos grandes: Ou: “cestos de provisões”. — Veja as notas de estudo em Mt 15:37; 16:9.

Filho do Homem: Ou: “Filho de um Humano”. Esta expressão aparece cerca de 80 vezes nos Evangelhos, e Jesus usava-a para se referir a ele próprio. Pelos vistos, ele queria destacar que era realmente um humano, nascido de uma mulher, e que era um equivalente perfeito de Adão. Assim, ele poderia dar a sua vida para livrar a humanidade do pecado e da morte. (Ro 5:12, 14, 15) A expressão também mostrava que Jesus era o Messias, ou o Cristo. — Da 7:13, 14; veja o Glossário.

Cesareia de Filipe: Uma cidade que ficava perto de onde nasce o rio Jordão, a 350 metros de altitude. Ficava cerca de 40 quilómetros a norte do mar da Galileia, e a sudoeste do monte Hermom. Foi Filipe, o Tetrarca, (filho de Herodes, o Grande) que deu à cidade o nome de Cesareia para fazer uma homenagem ao imperador de Roma. Chamaram-lhe Cesareia de Filipe para não ser confundida com a outra Cesareia, que ficava na costa do mar Mediterrâneo e tinha um importante porto marítimo. — Veja o Apêndice B10.

Filho do Homem: Veja a nota de estudo em Mt 8:20.

João: Este nome em português equivale aos nomes hebraicos Jeoanã ou Joanã, que significam “Jeová mostrou favor” ou “Jeová foi bondoso”.

Batista: Ou: “o Imersor; o Mergulhador”. Em Mr 1:4 e 6:14, 24, ele é chamado “o Batizador”. Pelos vistos, João ficou muito conhecido por batizar, ou mergulhar, pessoas na água, e, por isso, começaram a chamar-lhe “Batista”, como um tipo de sobrenome. Ao falar sobre João, o historiador judeu Flávio Josefo chamou-lhe “João, cognominado [que tinha o sobrenome] Batista”.

Elias: Nome de origem hebraica que significa “o meu Deus é Jeová”.

João Batista: Veja as notas de estudo em Mt 3:1.

Elias: Veja a nota de estudo em Mt 11:14.

Simão, o chamado Pedro: As Escrituras Gregas usam cinco nomes diferentes para Pedro: (1) “Simeão”; (2) “Simão” (tanto “Simeão” como “Simão” vêm de um verbo hebraico que significa “ouvir; escutar”); (3) “Pedro”, nome de origem grega que significa “pedra; um pedaço de rocha” (só esse apóstolo é identificado por esse nome na Bíblia); (4) “Cefas”, que é o equivalente semítico do nome grego Pedro e talvez esteja relacionado com a palavra hebraica kefím (rochas), que aparece em Jó 30:6 e Je 4:29; e (5) a combinação “Simão Pedro”. — At 15:14; Jo 1:42; Mt 16:16.

Cristo: Este título vem da palavra grega Khristós e equivale ao título “Messias” (do hebraico mashíahh). Tanto a palavra grega como a hebraica significam “ungido”. É uma referência a uma cerimónia que existia nos tempos bíblicos: quando um governante era escolhido, alguém o ungia, ou seja, derramava óleo na sua cabeça.

o Cristo: Aqui, Mateus usou o artigo definido em grego antes do título “Cristo”. Provavelmente, ele fez isso para destacar o papel de Jesus como o Messias.

Simão Pedro: Veja a nota de estudo em Mt 10:2.

o Cristo: Pedro diz que Jesus é “o Cristo” (em grego, ho Khristós), um título que equivale a “o Messias” (do hebraico mashíahh). Tanto “Cristo” como “Messias” significam “ungido”. Mateus, provavelmente, usou o artigo definido em grego antes do título “Cristo” para destacar o papel de Jesus como o Messias. — Veja as notas de estudo em Mt 1:1; 2:4.

Deus vivente: Expressão usada para destacar a diferença entre Jeová e os deuses falsos das nações. Jeová é um Deus vivo e ativo, mas os deuses das nações, como os que eram adorados na região de Cesareia de Filipe, não tinham vida. (Mt 16:13; At 14:15) A expressão “Deus vivente” também aparece nas Escrituras Hebraicas. — De 5:26; Je 10:10.

filho de Jonas: Ou: “Barjonas”. Muitos nomes hebraicos incluíam um sobrenome formado pela palavra “filho” (ben em hebraico e bar em aramaico) seguido do nome do pai. O uso da palavra aramaica bar em vários nomes próprios hebraicos (como Bartolomeu, Bartimeu e Barjesus) mostra como o hebraico dos dias de Jesus tinha sido influenciado pelo aramaico.

homens: Lit.: “carne e sangue”, uma expressão que os judeus costumavam usar para se referirem a humanos. Jesus quis dizer que Pedro não chegou a essa conclusão nem sozinho nem porque algum humano lhe revelou isso, mas porque isso ‘lhe foi revelado pelo Pai’. — Gál 1:16, nota de rodapé.

Tu és Pedro, e sobre esta rocha: Em grego, esta passagem contém duas palavras parecidas: pétros e pétra. A palavra pétros é masculina e significa “uma pedra; um pedaço de rocha”. Aqui, essa palavra é usada como o nome “Pedro”, a forma grega do nome que Jesus deu a Simão. (Jo 1:42) Já a palavra pétra, traduzida aqui como “rocha”, é feminina e pode referir-se a uma camada de rocha, um penhasco ou um rochedo, e não apenas um pedaço de rocha. Essa palavra grega também aparece em Mt 7:24, 25; 27:60; Lu 6:48; 8:6; Ro 9:33; 1Co 10:4 e 1Pe 2:8. O próprio Pedro não achava que era a rocha sobre a qual Jesus construiria a sua congregação. Isso fica claro em 1Pe 2:4-8, onde Pedro reconheceu que Jesus era a prometida “pedra angular de alicerce” que Deus escolheu. Além disso, o apóstolo Paulo também se referiu a Jesus como “alicerce” e ‘a rocha espiritual’. (1Co 3:11; 10:4) Portanto, tudo indica que Jesus estava a fazer um jogo de palavras. É como se ele dissesse: ‘Tu, a quem eu dei o nome de Pedro, um pedaço de rocha, conseguiste identificar que eu sou o Cristo, “esta rocha”, o alicerce da congregação cristã.’

congregação: Esta é a primeira vez que aparece a palavra grega ekklesía. Esta palavra é formada por duas palavras gregas: ek, que significa “para fora”, e kaléo, que significa “chamar”. Ekklesía refere-se a um grupo de pessoas convocadas ou reunidas para um determinado objetivo ou atividade. (Veja o Glossário, “Congregação”.) Neste versículo, Jesus predisse a ‘construção’, ou a formação, da congregação dos cristãos ungidos. A congregação seria uma “casa espiritual”, e os cristãos ungidos são comparados a “pedras viventes”. (1Pe 2:4, 5) A palavra grega ekklesía é bastante usada na Septuaginta como equivalente da palavra hebraica qahál, que também é traduzida como “congregação”. Essa palavra hebraica, muitas vezes, refere-se a toda a nação de Israel. (De 23:3; 31:30) O texto de At 7:38 diz que os israelitas que saíram do Egito formavam uma “congregação”. Do mesmo modo, os cristãos foram ‘chamados da escuridão’ e ‘escolhidos do mundo’, e formam a “congregação de Deus”. — 1Pe 2:9; Jo 15:19; 1Co 1:2.

Sepultura: Ou: “Hades”, o lugar simbólico (ou a condição) em que estão os mortos em geral. (Veja o Glossário, “Sepultura”.) A Bíblia diz que os mortos estão como que presos atrás “dos portões da morte” (Sal 107:18) e dos “portões da Sepultura” (Is 38:10). Jesus prometeu que a Sepultura seria derrotada, indicando que “os portões” dela seriam abertos para libertar os mortos por meio da ressurreição. Quando ele foi ressuscitado, isso confirmou que a sua promessa ia cumprir-se. (Mt 16:21) A Sepultura nunca vai vencer a congregação, mantendo os seus membros presos para sempre, porque a rocha de alicerce da congregação é Jesus, e ele tem o poder de libertá-los da morte. — At 2:31; Ap 1:18; 20:13, 14.

Tudo o que amarrarem [...] soltarem: Pelos vistos, ‘amarrar’ significa aqui “considerar culpado; condenar”, e ‘soltar’ significa aqui “considerar inocente; absolver”. A forma verbal no plural mostra que outros além de Pedro estariam envolvidos em tomar essas decisões. — Veja também a nota de estudo em Mt 16:19.

já terá sido amarrado [...] já terá sido solto: A construção verbal grega usada aqui é incomum (futuro do verbo grego para “ser” usado juntamente com o particípio perfeito passivo dos verbos gregos para “amarrar” e “soltar”). Essa construção verbal indica que os discípulos só tomariam uma decisão (‘amarrar’ ou ‘soltar’) depois de essa decisão já ter sido tomada “no céu”. Não indica que o céu confirmaria ou aprovaria uma decisão tomada na terra. Os discípulos tomariam decisões baseadas em princípios já estabelecidos no céu. Eles receberiam do céu a orientação necessária para que as suas decisões “na terra” estivessem realmente de acordo com a decisão já tomada “no céu”. — Veja também a nota de estudo em Mt 16:19.

chaves do Reino dos céus: Na Bíblia, aqueles que recebiam uma chave (literal ou simbólica) recebiam certo grau de autoridade. (1Cr 9:26, 27; Is 22:20-22) Por isso, a palavra “chave” passou a representar autoridade e responsabilidade. Pedro recebeu de Jesus as “chaves do Reino” e usou essas chaves quando abriu aos judeus (At 2:22-41), aos samaritanos (At 8:14-17) e às pessoas de outras nações (At 10:34-38) a oportunidade de serem ungidos com espírito santo e de terem a esperança de entrar no Reino dos céus.

amarrares [...] soltares: Ou: “trancares [...] destrancares”. Pelos vistos, as palavras “amarrar” e “soltar” referem-se a proibir ou a permitir alguma coisa. — Veja também a nota de estudo em Mt 18:18.

já terá sido amarrado [...] já terá sido solto: A construção verbal grega usada aqui é incomum (futuro do verbo grego para “ser” usado juntamente com o particípio perfeito passivo dos verbos gregos para “amarrar” e “soltar”). Esta construção verbal indica que Pedro só amarraria ou soltaria coisas “na terra” depois de elas terem sido amarradas ou soltas “nos céus”, não antes. — Veja também a nota de estudo em Mt 18:18.

o Cristo: Pedro diz que Jesus é “o Cristo” (em grego, ho Khristós), um título que equivale a “o Messias” (do hebraico mashíahh). Tanto “Cristo” como “Messias” significam “ungido”. Mateus, provavelmente, usou o artigo definido em grego antes do título “Cristo” para destacar o papel de Jesus como o Messias. — Veja as notas de estudo em Mt 1:1; 2:4.

o Cristo: Veja a nota de estudo em Mt 16:16.

principais sacerdotes: Quando a palavra grega aparece no singular e se refere ao principal representante do povo diante de Deus, é traduzida como “sumo sacerdote”. Aqui, a palavra grega aparece no plural e refere-se aos homens mais importantes do sacerdócio, incluindo ex-sumos sacerdotes e, possivelmente, os cabeças das 24 turmas de sacerdotes.

escribas: Inicialmente, esta palavra era usada para se referir aos copistas das Escrituras. Na época de Jesus, a palavra era usada para se referir a homens que eram peritos na Lei mosaica e que a ensinavam a outros.

Jesus: Alguns manuscritos muito antigos dizem “Jesus Cristo”.

anciãos: Lit.: “homens idosos”. Na Bíblia, a palavra grega presbýteros refere-se principalmente a uma pessoa que tem autoridade e responsabilidade numa comunidade ou nação. Embora essa palavra, às vezes, possa ser usada para indicar idade (como acontece em Lu 15:25; At 2:17), não se refere apenas a quem é idoso. Neste versículo, a palavra “anciãos” refere-se a homens de autoridade entre os judeus. Muitas vezes, eles são mencionados juntamente com outros dois grupos: os principais sacerdotes e os escribas. O Sinédrio era formado por homens desses três grupos. — Mt 21:23; 26:3, 47, 57; 27:1, 41; 28:12; veja o Glossário, “Ancião; Homem idoso”.

principais sacerdotes: Veja a nota de estudo em Mt 2:4 e o Glossário.

escribas: Veja a nota de estudo em Mt 2:4 e o Glossário.

pedras de tropeço: Estudiosos acreditam que a palavra grega skándalon, traduzida como “pedra de tropeço”, se referia originalmente a uma armadilha. Alguns acham que se referia mais especificamente à parte da armadilha em que se prende o isco. Com o tempo, essa palavra grega começou a ser usada para se referir a qualquer obstáculo que fizesse alguém tropeçar ou cair em sentido literal. Em sentido figurado, skándalon refere-se a uma ação ou situação que leva uma pessoa a fazer algo inapropriado, tropeçar em sentido moral ou, até mesmo, cair no pecado. O texto de Mt 18:8, 9 usa um verbo relacionado (skandalízo), que é traduzido como “fazer tropeçar”. Esse verbo também poderia ser traduzido como “tornar-se uma armadilha; levar ao pecado”.

Para trás de mim: Nessa ocasião, Jesus censurou Pedro de modo firme. (Mr 8:33) Jesus não aceitaria que nada o impedisse de cumprir a vontade do seu Pai. Algumas obras de referência definem a expressão idiomática usada aqui como: “Sai da minha frente!”, e algumas Bíblias traduzem-na como “Afasta-te de mim”. Essas palavras também podem ter lembrado Pedro de que, como seguidor de Jesus, o seu papel era apoiar o seu Mestre, em vez de ser uma pedra de tropeço, ou seja, um obstáculo no caminho dele.

Satanás: A palavra hebraica satán significa “opositor”. Pelos vistos, quando Jesus chamou “Satanás” a Pedro, ele queria dizer que Pedro estava a agir como um opositor. Jesus talvez quisesse dar a entender que, naquele momento, Pedro se deixou influenciar por Satanás.

pedra de tropeço: Veja a nota de estudo em Mt 18:7.

negue-se a si mesmo: Ou: “renuncie aos seus direitos sobre si mesmo”. A expressão grega usada aqui indica que a pessoa deve estar disposta a abdicar completamente da sua vontade e a entregar o controlo da sua vida a Deus. Essa expressão também pode ser traduzida como “diga não a si mesmo”, porque seguir Cristo pode envolver dizer não a desejos pessoais, ambições ou preferências. (2Co 5:14, 15) Mateus usa o mesmo verbo grego traduzido como “negar” quando fala sobre Pedro negar que conhecia Jesus. — Mt 26:34, 35, 75.

estaca de tortura: Ou: “estaca de execução”. No grego clássico, staurós refere-se principalmente a uma estaca ou poste. Quando essa palavra é usada em sentido figurado, pode significar o que uma pessoa enfrenta por ser um discípulo de Cristo: sofrimento, vergonha, tortura ou, até mesmo, a morte. — Veja o Glossário.

vida: Ou: “alma”. — Veja o Glossário, “Alma”.

vida: Ou: “alma”. — Veja o Glossário, “Alma”.

vida: Veja a nota de estudo em Mt 16:25 e o Glossário, “Alma”.

Garanto-vos: Ou: “Digo-vos a verdade.” Em grego, esta frase inclui a palavra amén. É uma transliteração da palavra hebraica ʼamén, que significa “assim seja” ou “com certeza”. Jesus usava muitas vezes essa palavra antes de fazer uma declaração importante, promessa ou profecia. Era uma forma de enfatizar que as suas palavras iam cumprir-se com certeza e que os seus ouvintes podiam confiar nelas. Alguns estudiosos afirmam que não há ninguém que use a palavra amén como Jesus, nem na Bíblia nem em outros livros sagrados. Quando a palavra aparece repetida (amén amén), como acontece várias vezes no Evangelho de João, a expressão é traduzida como “com toda a certeza”. — Veja a nota de estudo em Jo 1:51.

Digo-vos a verdade: Veja a nota de estudo em Mt 5:18.

Multimédia

Cestos
Cestos

A Bíblia usa palavras diferentes para descrever diversos tipos de cestos. Por exemplo, depois de Jesus alimentar milagrosamente cerca de 5000 homens, as sobras foram recolhidas em 12 cestos. A palavra grega usada para esses 12 cestos sugere que eram cestos de vime relativamente pequenos que se levavam na mão. No entanto, outra palavra grega é usada para descrever os 7 cestos usados para recolher as sobras na ocasião em que Jesus alimentou cerca de 4000 homens. (Mr 8:8, 9) Essa palavra indica um cesto grande, ou balaio. O texto de At 9:25 usa a mesma palavra grega para se referir ao cesto em que os discípulos colocaram Paulo para o tirar da cidade de Damasco.

Trajeto do mar da Galileia até à região de Cesareia de Filipe
Trajeto do mar da Galileia até à região de Cesareia de Filipe

Jesus e os seus discípulos viajaram de barco de Magadã até Betsaida, que fica na margem norte do mar da Galileia. (Mr 8:22) A superfície desse mar, que, na verdade, é um lago, fica cerca de 210 metros abaixo do nível do mar. Provavelmente, eles levaram alguns dias para percorrer os 40 quilómetros de subida de Betsaida até Cesareia de Filipe, que ficava 350 metros acima do nível do mar. — Veja um mapa mais completo no Apêndice A7-E.