As Boas Novas Segundo Marcos 9:1-50

9  Ele disse-lhes também: “Digo-vos a verdade: Há alguns dos que estão aqui que de modo algum provarão a morte antes de verem o Reino de Deus já vindo em poder.”+  Seis dias depois, Jesus chamou Pedro, Tiago e João, e levou-os a sós a um monte alto. E ele foi transfigurado diante deles;+  as suas roupas tornaram-se cintilantes e ficaram muito mais brancas do que qualquer lavadeiro na terra poderia branquear.  Também lhes apareceu Elias com Moisés, e eles estavam a conversar com Jesus.  Então, Pedro disse a Jesus: “Rabi, é bom estarmos aqui. Vamos armar, então, três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias.”  Na verdade, não sabia como reagir, pois estavam com muito medo.  E formou-se uma nuvem que os cobriu, e uma voz+ saiu da nuvem: “Este é o meu Filho, o amado.+ Escutem-no.”+  De repente, olharam à volta e já não viram ninguém com eles, a não ser Jesus.  Enquanto desciam do monte, Jesus ordenou-lhes com firmeza que não contassem a ninguém o que tinham visto,+ até que o Filho do Homem fosse levantado dentre os mortos.+ 10  Eles obedeceram às suas palavras,* mas discutiam entre si o que significava ele ser levantado dentre os mortos. 11  E perguntaram-lhe: “Porque é que os escribas dizem que Elias+ tem de vir primeiro?”+ 12  Ele respondeu-lhes: “Elias realmente vem primeiro e restabelece todas as coisas.+ Mas como é que está escrito a respeito do Filho do Homem que ele tem de sofrer muitas coisas+ e ser tratado com desprezo?+ 13  Porém, digo-vos que Elias,+ de facto, já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, assim como está escrito a respeito dele.”+ 14  Ao chegarem onde estavam os outros discípulos, notaram uma grande multidão à volta deles, e escribas que discutiam com eles.+ 15  Mas, assim que as pessoas da multidão o viram, ficaram admiradas e correram para cumprimentá-lo. 16  Então, ele perguntou-lhes: “Sobre o que é que estão a discutir com eles?” 17  E alguém da multidão lhe respondeu: “Instrutor, trouxe-lhe o meu filho, porque ele tem um espírito mudo.+ 18  Onde quer que esse espírito o apanhe, lança-o no chão, e ele espuma pela boca, range os dentes e perde a força. Eu pedi aos seus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não foram capazes de fazer isso.” 19  Em resposta, ele disse-lhes: “Ó geração sem fé,+ até quando é que terei de continuar convosco? Até quando é que terei de suportar-vos? Tragam-no a mim.”+ 20  Portanto, levaram-no até ele, mas, ao ver Jesus, o espírito lançou imediatamente o menino em convulsões.+ Depois de cair no chão, ele rebolava e espumava pela boca. 21  Então, Jesus perguntou ao pai: “Há quanto tempo é que isto lhe acontece?” Ele respondeu: “Desde a infância, 22  e o espírito lança-o muitas vezes no fogo e também na água, para o matar. Mas, se puder fazer algo, tenha pena de nós e ajude-nos.” 23  Jesus disse-lhe: “Esta expressão: ‘Se puder’! Ora, tudo é possível para quem tem fé.”+ 24  Imediatamente, o pai do menino clamou: “Eu tenho fé! Ajude-me onde preciso de fé!”*+ 25  Observando então que uma multidão se aproximava rapidamente deles, Jesus censurou o espírito impuro, dizendo-lhe: “Espírito mudo e surdo, ordeno-te que saias dele e não voltes a entrar nele!”+ 26  Depois de clamar e de causar muitas convulsões ao menino, o espírito saiu; e o menino parecia morto, de modo que a maioria das pessoas dizia: “Ele está morto!” 27  Mas Jesus pegou-lhe na mão e levantou-o, e ele ficou de pé. 28  Assim, depois de entrar numa casa, os discípulos perguntaram-lhe em particular: “Porque é que nós não o conseguimos expulsar?”+ 29  Ele respondeu-lhes: “Esta espécie só sai por oração.” 30  Partiram dali e atravessaram a Galileia, mas ele não quis que ninguém soubesse disso, 31  pois estava a ensinar os seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem será entregue* às mãos dos homens, e eles irão matá-lo,+ mas, embora seja morto, será levantado três dias depois.”+ 32  No entanto, não entendiam o que ele lhes dizia e tinham medo de lhe perguntar. 33  E entraram em Cafarnaum. Então, quando estava dentro da casa, ele perguntou-lhes: “Sobre o que é que estavam a discutir na estrada?”+ 34  Eles ficaram calados, pois na estrada tinham discutido entre si sobre quem era o maior. 35  Então, ele sentou-se, chamou os Doze e disse-lhes: “Se alguém quer ser o primeiro, tem de ser o último de todos e servo* de todos.”+ 36  Então, pegou numa criança e colocou-a no meio deles; pôs os braços em volta dela e disse-lhes: 37  “Quem recebe uma destas criancinhas+ em meu nome recebe-me também a mim; e quem me recebe, recebe não só a mim, mas também Aquele que me enviou.”+ 38  João disse-lhe: “Instrutor, vimos alguém a expulsar demónios em teu nome e tentámos impedi-lo, porque ele não nos estava a acompanhar.”+ 39  Mas Jesus disse: “Não o tentem impedir, porque ninguém que faça uma obra poderosa em meu nome pode, logo depois, dizer mal de mim. 40  Pois quem não é contra nós é por nós.+ 41  E eu garanto-vos que quem vos der um copo de água para beber, por pertencerem a Cristo,+ de modo algum perderá a sua recompensa.+ 42  Mas quem fizer tropeçar um destes pequenos que têm fé, seria melhor para ele que lhe pusessem ao pescoço uma pedra de moinho, daquelas que o jumento faz girar, e que fosse lançado no mar.+ 43  “Se a tua mão te faz tropeçar, corta-a. É melhor para ti entrares na vida aleijado do que ires com as duas mãos para a Geena, para o fogo que não pode ser apagado.+ 44  —— 45  E, se o teu pé te faz tropeçar, corta-o. É melhor para ti entrares na vida coxo do que seres lançado com os dois pés na Geena.+ 46  —— 47  E, se o teu olho te faz tropeçar, atira-o para longe.+ É melhor para ti entrares no Reino de Deus só com um olho do que seres lançado com os dois olhos na Geena,+ 48  onde os vermes não morrem e o fogo não se apaga.+ 49  “Pois todos têm de ser salgados com fogo.+ 50  O sal é bom, mas, se o sal perder a sua salinidade, o que farão para recuperar o seu sabor?+ Tenham sal em vocês mesmos+ e mantenham a paz uns com os outros.”+

Notas de rodapé

Ou, possivelmente: “guardaram o assunto para si”.
Lit.: “Ajude a minha falta de fé!”
Ou: “traído”.
Ou: “ministro”.

Notas de estudo

Cesareia de Filipe: Uma cidade que ficava perto de onde nasce o rio Jordão, a 350 metros de altitude. Ficava cerca de 40 quilómetros a norte do mar da Galileia, e a sudoeste do monte Hermom. Foi Filipe, o Tetrarca, (filho de Herodes, o Grande) que deu à cidade o nome de Cesareia para fazer uma homenagem ao imperador de Roma. Chamaram-lhe Cesareia de Filipe para não ser confundida com a outra Cesareia, que ficava na costa do mar Mediterrâneo e tinha um importante porto marítimo. — Veja o Apêndice B10.

ele foi transfigurado: Ou: “ele foi transformado; a sua aparência mudou”. O mesmo verbo grego usado aqui (metamorfóo) aparece em Ro 12:2.

um monte alto: Possivelmente, o monte Hermom, que fica perto de Cesareia de Filipe. (Mr 8:27; veja a nota de estudo em Mt 16:13.) O pico do monte Hermom fica a 2814 metros de altitude. Mas é possível que a transfiguração não tenha acontecido no ponto mais alto do monte, mas sim numa das suas encostas. — Veja o Apêndice B10.

ele foi transfigurado: Veja a nota de estudo em Mt 17:2.

Rabi: Lit.: “meu grande”. Vem da palavra hebraica rav, que significa “grande”. No uso comum, “Rabi” significava “instrutor”. — Jo 1:38.

uma voz saiu dos céus: Esta é a primeira das três vezes em que os Evangelhos relatam que Jeová falou diretamente com humanos. — Veja as notas de estudo em Mr 9:7; Jo 12:28.

uma voz: Os Evangelhos falam de três ocasiões em que Jeová falou diretamente com humanos; esta é a terceira delas. A primeira vez que Jeová fez isso foi no batismo de Jesus em 29 EC. (Mt 3:16, 17; Mr 1:11; Lu 3:22) A segunda vez foi na ocasião da transfiguração em 32 EC. (Mt 17:5; Mr 9:7; Lu 9:35) E a terceira, mencionada apenas aqui no Evangelho de João, aconteceu em 33 EC, pouco antes da última Páscoa de Jesus. As palavras de Jeová foram uma resposta ao pedido de Jesus: “Pai, glorifica o teu nome.”

uma voz: Esta é a segunda das três vezes em que os Evangelhos relatam que Jeová falou diretamente com humanos. — Veja as notas de estudo em Mr 1:11; Jo 12:28.

Filho do Homem: Ou: “Filho de um Humano”. Esta expressão aparece cerca de 80 vezes nos Evangelhos, e Jesus usava-a para se referir a ele próprio. Pelos vistos, ele queria destacar que era realmente um humano, nascido de uma mulher, e que era um equivalente perfeito de Adão. Assim, ele poderia dar a sua vida para livrar a humanidade do pecado e da morte. (Ro 5:12, 14, 15) A expressão também mostrava que Jesus era o Messias, ou o Cristo. — Da 7:13, 14; veja o Glossário.

Filho do Homem: Veja a nota de estudo em Mt 8:20.

um espírito mudo: Ou seja, um demónio que deixa a pessoa muda.

epiléticos: A palavra grega significa literalmente “afetados pela Lua”. (Algumas traduções usam “lunáticos”.) Mateus usa esse termo apenas para se referir à doença, e não por acreditar que a doença era causada pelas fases da lua. Não há dúvida de que os sintomas descritos por Mateus, Marcos e João são os associados à epilepsia.

convulsões: Embora a ação do demónio sobre esse menino tenha feito com que ele tivesse sintomas de epilepsia, a Bíblia não sugere que a epilepsia ou qualquer outra doença sejam sempre causadas por demónios. Por exemplo, a Bíblia fala de demónios que deixaram pessoas mudas e surdas (Mr 9:17, 25), mas isso obviamente não quer dizer que os demónios estejam sempre por trás dessas deficiências. Além disso, quando Mt 4:24 relata que as pessoas levaram a Jesus “todos os que sofriam de várias doenças”, o texto menciona “os possessos” e “os epiléticos” separadamente, mostrando que essas pessoas tinham problemas diferentes. — Veja a nota de estudo em Mt 4:24.

Espírito mudo e surdo: Ou seja, um demónio que deixa a pessoa muda e surda.

Alguns manuscritos muito antigos dizem neste versículo: “Mas essa espécie só sai por oração e jejum.” (Veja a nota de estudo em Mr 9:29.) No entanto, essa frase não aparece nos manuscritos mais antigos e mais confiáveis, e, pelos vistos, não faz parte do relato inspirado de Mateus. — Veja o Apêndice A3.

por oração: Em alguns manuscritos aparecem aqui as palavras “e jejum”. Mas essas palavras não estão nos manuscritos mais antigos e mais confiáveis. Pelos vistos, as palavras “e jejum” foram acrescentadas por copistas que promoviam e praticavam o jejum. Eles incluíram várias referências ao jejum onde manuscritos mais antigos não continham essa ideia. — Veja a nota de estudo em Mt 17:21.

pedras de tropeço: Estudiosos acreditam que a palavra grega skándalon, traduzida como “pedra de tropeço”, se referia originalmente a uma armadilha. Alguns acham que se referia mais especificamente à parte da armadilha em que se prende o isco. Com o tempo, essa palavra grega começou a ser usada para se referir a qualquer obstáculo que fizesse alguém tropeçar ou cair em sentido literal. Em sentido figurado, skándalon refere-se a uma ação ou situação que leva uma pessoa a fazer algo inapropriado, tropeçar em sentido moral ou, até mesmo, cair no pecado. O texto de Mt 18:8, 9 usa um verbo relacionado (skandalízo), que é traduzido como “fazer tropeçar”. Esse verbo também poderia ser traduzido como “tornar-se uma armadilha; levar ao pecado”.

uma pedra de moinho, daquelas que o jumento faz girar: Ou: “uma enorme pedra de moinho”. Lit.: “uma pedra de moinho de jumento”. Esse tipo de pedra de moinho podia ter de 1,2 a 1,5 metros de diâmetro, e era tão pesada que era necessário um jumento para a girar.

fizer tropeçar: Ou: “colocar uma pedra de tropeço à frente de”. A palavra grega skandalízo, traduzida aqui como “fizer tropeçar”, é usada nas Escrituras Gregas Cristãs em sentido figurado. Neste versículo, refere-se às diversas maneiras em que uma pessoa poderia ser um obstáculo à fé de alguém que, sem a sua influência, teria seguido Jesus e acreditado nele. Também pode incluir a ideia de levar uma pessoa a pecar ou de se tornar uma armadilha para ela. Alguém poderia “tropeçar” por perder a fé, aceitar ensinos falsos ou desobedecer a uma das leis de moral de Deus. (Veja a nota de estudo em Mt 18:7.) Os pequenos que Jesus mencionou eram os discípulos dele, que para o mundo podiam parecer pessoas de pouca importância, mas eram preciosos aos olhos de Deus.

uma pedra de moinho, daquelas que o jumento faz girar: Veja a nota de estudo em Mt 18:6.

pedras de tropeço: Estudiosos acreditam que a palavra grega skándalon, traduzida como “pedra de tropeço”, se referia originalmente a uma armadilha. Alguns acham que se referia mais especificamente à parte da armadilha em que se prende o isco. Com o tempo, essa palavra grega começou a ser usada para se referir a qualquer obstáculo que fizesse alguém tropeçar ou cair em sentido literal. Em sentido figurado, skándalon refere-se a uma ação ou situação que leva uma pessoa a fazer algo inapropriado, tropeçar em sentido moral ou, até mesmo, cair no pecado. O texto de Mt 18:8, 9 usa um verbo relacionado (skandalízo), que é traduzido como “fazer tropeçar”. Esse verbo também poderia ser traduzido como “tornar-se uma armadilha; levar ao pecado”.

Geena: Palavra que vem da expressão hebraica ge hinnóm, que significa “vale de Hinom”. Esse vale ficava a sudoeste e a sul da Jerusalém antiga. (Veja o mapa “Jerusalém e Proximidades” no Apêndice B12-A.) Na época de Jesus, o vale era usado para queimar lixo. Por isso, a palavra “Geena” servia bem para simbolizar a destruição total. — Veja o Glossário.

te faz tropeçar: Neste contexto, a palavra grega skandalízo também poderia ser traduzida como “torna-se uma armadilha para ti; leva-te a pecar”. — Veja a nota de estudo em Mt 18:7.

corta-a: É claro que Jesus não estava a incentivar a automutilação nem a dar a entender que partes do corpo, como as mãos, os pés ou os olhos, teriam controlo sobre as ações da pessoa. (Mr 9:45, 47) Na verdade, Jesus usou aqui uma hipérbole. Ele estava a dizer que um cristão devia estar disposto a cortar da sua vida qualquer coisa que poderia fazê-lo tropeçar e tornar-se infiel, mesmo que fosse algo tão importante como uma mão, um pé ou um olho. Seria melhor um cristão ‘amortecer um membro do corpo’, ou tratá-lo como se tivesse sido cortado do corpo, do que o usar para cometer um pecado. (Veja Col 3:5.) O cristão não deve permitir que nada o impeça de ganhar o prémio da vida.

Geena: Veja a nota de estudo em Mt 5:22 e o Glossário.

Alguns manuscritos dizem neste versículo: “onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga”. Mas essas palavras não aparecem em importantes manuscritos mais antigos. Palavras parecidas podem ser encontradas no versículo 48, onde não existem dúvidas sobre o texto original. De acordo com as evidências, parece que um ou mais escribas inseriram as palavras do versículo 48 nos versículos 44 e 46. — Veja o Apêndice A3.

te faz tropeçar: Neste contexto, a palavra grega skandalízo também poderia ser traduzida como “torna-se uma armadilha para ti; leva-te a pecar”. — Veja a nota de estudo em Mt 18:7.

Geena: Palavra que vem da expressão hebraica ge hinnóm, que significa “vale de Hinom”. Esse vale ficava a sudoeste e a sul da Jerusalém antiga. (Veja o mapa “Jerusalém e Proximidades” no Apêndice B12-A.) Na época de Jesus, o vale era usado para queimar lixo. Por isso, a palavra “Geena” servia bem para simbolizar a destruição total. — Veja o Glossário.

te faz tropeçar: Veja a nota de estudo em Mr 9:43.

Geena: Veja a nota de estudo em Mt 5:22 e o Glossário.

Veja a nota de estudo em Mr 9:44.

te faz tropeçar: Neste contexto, a palavra grega skandalízo também poderia ser traduzida como “torna-se uma armadilha para ti; leva-te a pecar”. — Veja a nota de estudo em Mt 18:7.

Geena: Palavra que vem da expressão hebraica ge hinnóm, que significa “vale de Hinom”. Esse vale ficava a sudoeste e a sul da Jerusalém antiga. (Veja o mapa “Jerusalém e Proximidades” no Apêndice B12-A.) Na época de Jesus, o vale era usado para queimar lixo. Por isso, a palavra “Geena” servia bem para simbolizar a destruição total. — Veja o Glossário.

te faz tropeçar: Veja a nota de estudo em Mr 9:43.

Geena: Veja a nota de estudo em Mt 5:22 e o Glossário.

Geena: Palavra que vem da expressão hebraica ge hinnóm, que significa “vale de Hinom”. Esse vale ficava a sudoeste e a sul da Jerusalém antiga. (Veja o mapa “Jerusalém e Proximidades” no Apêndice B12-A.) Na época de Jesus, o vale era usado para queimar lixo. Por isso, a palavra “Geena” servia bem para simbolizar a destruição total. — Veja o Glossário.

onde: Refere-se à “Geena”, mencionada no versículo anterior. “Geena” era o nome grego do vale de Hinom. Conforme explicado na nota de estudo em Mt 5:22, na época de Jesus, o vale de Hinom era usado para queimar lixo. Tudo indica que, quando Jesus disse que os vermes não morrem e o fogo não se apaga, ele estava a fazer referência às palavras proféticas de Is 66:24. Essa profecia não fala de pessoas vivas serem torturadas. Ela prediz o que aconteceria aos “cadáveres dos homens” que se rebelassem contra Jeová. Os vermes iriam multiplicar-se onde o fogo não alcançasse, e tudo o que não fosse consumido pelo fogo seria consumido pelos vermes. Por isso, ao dizer que as pessoas condenadas por Deus seriam lançadas na Geena, Jesus estava a explicar que elas sofreriam destruição total, não que elas iriam para um lugar de tormento.

salgados com fogo: Esta figura de estilo pode ser entendida de duas maneiras: (1) Pode estar ligada ao que Jesus tinha acabado de dizer em Mr 9:43-48 e referir-se à destruição com o fogo da Geena. Jesus talvez estivesse a fazer uma referência ao que aconteceu a Sodoma e Gomorra, que ficavam perto do Mar Morto (Salgado). Deus “fez chover fogo e enxofre” sobre essas cidades. (Gén 19:24) Se este for o sentido da expressão, quando Jesus disse “todos têm de ser salgados com fogo”, ele estava a referir-se a todos os que permitissem que ‘as suas mãos, pés ou olhos’ fizessem com que eles mesmos ou outros tropeçassem e fossem infiéis. Essas pessoas seriam salgadas com o fogo da Geena, ou seja, seriam destruídas para sempre. (2) A expressão “salgados com fogo” pode estar ligada ao que Jesus disse a seguir, em Mr 9:50, talvez a referir-se a um fogo que refinaria ou purificaria os seus discípulos, promovendo a paz entre eles. Se esse for o caso, quando Jesus usou neste versículo a palavra “todos”, ele estava a referir-se a todos os seus discípulos. Eles seriam purificados pela Palavra de Jeová, que é como um fogo que queima e elimina completamente mentiras e erros. (Je 20:8, 9; 23:29) Também seriam purificados pelas perseguições e dificuldades, que são como um fogo que refina, mostrando se a lealdade e a devoção de cada discípulo são realmente puras. (1Pe 1:6, 7; 4:12, 13) Se Jesus estava a falar sobre os seus discípulos, é bem possível que ele tivesse em mente a purificação tanto pela Palavra de Jeová como pelas perseguições e dificuldades.

sal: Além de dar sabor aos alimentos, o sal pode ser usado para os conservar. Neste contexto, Jesus devia estar a pensar, principalmente, no uso do sal como conservante. Os seus discípulos poderiam ajudar outras pessoas a conservar, ou manter, a sua espiritualidade e a sua boa moral.

sal: Além de dar sabor aos alimentos, o sal pode ser usado para conservá-los. — Veja a nota de estudo em Mt 5:13.

perder a sua salinidade: Ou: “perder a sua força”. Na época de Jesus, o sal geralmente vinha da região do Mar Morto e estava misturado com outros minerais. Se todo o sal fosse tirado dessa mistura, sobraria apenas uma substância sem gosto que não serviria para nada.

Tenham sal em vocês mesmos: Pelos vistos, Jesus usou aqui o “sal” para se referir à característica própria dos cristãos que os leva a fazer e a dizer coisas construtivas, de bom gosto, que mostram consideração e que contribuem para conservar, ou salvar, a vida de outros. Ao dar esse conselho, Jesus talvez tivesse em mente as discussões dos seus apóstolos sobre quem era o maior entre eles. Se eles ‘tivessem sal neles mesmos’, falariam uns com os outros de um modo mais fácil de aceitar e conservariam, ou manteriam, a paz. O apóstolo Paulo usou a palavra “sal” de modo parecido em Col 4:6.

Multimédia

Monte Hermom
Monte Hermom

O monte Hermom é a montanha mais alta na região de Israel. Fica perto de onde era Cesareia de Filipe, e o seu pico mais alto tem 2814 metros de altitude. Os seus picos cobertos de neve condensam a humidade do ar, produzindo uma grande quantidade de orvalho. Durante a longa estação seca, o orvalho do Hermom mantém viva a vegetação. (Sal 133:3) A neve que derrete no monte Hermom é a principal fonte de água do rio Jordão. É possível que a transfiguração de Jesus tenha acontecido no monte Hermom. — Mt 17:2.

Monte Hermom visto da Reserva Natural do Vale Hula
Monte Hermom visto da Reserva Natural do Vale Hula

O monte Hermom fica no limite norte da Terra Prometida. Tem vários picos, e o mais alto fica 2814 metros acima do nível do mar. Os picos do Hermom formam a parte sul da cadeia de montanhas do Antilíbano. É possível que a transfiguração de Jesus tenha acontecido no monte Hermom.

Pedra superior e pedra inferior de moinho
Pedra superior e pedra inferior de moinho

Moinhos grandes, como o mostrado aqui, eram movidos por um animal de carga, como um jumento. Eram usados para moer grãos ou para esmagar azeitonas. A pedra superior podia ter até 1,5 metros de diâmetro e era girada sobre a pedra inferior, que era ainda maior.

Vale de Hinom hoje
Vale de Hinom hoje

Esta fotografia mostra o vale de Hinom (1), chamado Geena nas Escrituras Gregas Cristãs, e o Monte do Templo (2). O conjunto de edifícios do templo judaico do primeiro século EC ficava neste monte. Hoje em dia, a construção que se destaca no Monte do Templo é o santuário muçulmano chamado Cúpula da Rocha. — Veja o mapa no Apêndice B12-A.

Sal na margem do Mar Morto
Sal na margem do Mar Morto

Atualmente, a água do Mar Morto (Mar Salgado) é cerca de nove vezes mais salgada do que a água dos oceanos. (Gén 14:3) A evaporação da água do Mar Morto fornecia uma grande quantidade de sal aos israelitas. Esse sal era de baixa qualidade porque estava misturado com outros minerais, mas era usado mesmo assim. É possível que eles também comprassem sal aos fenícios. Acredita-se que os fenícios obtinham sal por meio da evaporação da água do mar Mediterrâneo. A Bíblia fala sobre o sal ser usado para temperar comida. (Jó 6:6) Jesus sabia aproveitar muito bem as coisas do dia a dia para fazer ilustrações e usou o sal para ensinar lições importantes. Por exemplo, no Sermão do Monte, ele disse aos seus discípulos: “Vocês são o sal da terra.” Assim como o sal conserva os alimentos, os discípulos poderiam ajudar outras pessoas a conservar, ou manter, uma boa condição espiritual e moral.