As Boas Novas Segundo Marcos 14:1-72

14  Dali a dois dias era a Páscoa+ e a Festividade dos Pães sem Fermento.+ E os principais sacerdotes e os escribas estavam à procura de um modo astucioso de* o prender* e matar.+  Pois diziam: “Não durante a festividade; talvez haja um alvoroço entre o povo.”  E, quando ele estava em Betânia, a comer* na casa de Simão, o leproso, chegou uma mulher com um frasco de alabastro que continha óleo perfumado, nardo genuíno, muito caro. Ela partiu o frasco de alabastro e começou a derramá-lo sobre a cabeça dele.+  Em vista disso, alguns disseram entre si, indignados: “Porque é que se desperdiçou este óleo perfumado?  Pois este óleo perfumado poderia ter sido vendido por mais de 300 denários,+ e o dinheiro dado aos pobres!” E ficaram muito aborrecidos com ela.*  No entanto, Jesus disse: “Deixem-na em paz. Porque é que estão a perturbar a mulher? Ela fez-me uma coisa muito boa.+  Porque vocês têm sempre convosco os pobres+ e podem fazer-lhes o bem sempre que quiserem, mas nem sempre me terão a mim.+  Ela fez o que pôde; ela antecipou-se em derramar óleo perfumado sobre o meu corpo, em vista do meu sepultamento.+  Digo-vos a verdade: Onde quer que se preguem as boas novas em todo o mundo,+ o que esta mulher fez também será relatado, em sua memória.”+ 10  E Judas Iscariotes, um dos Doze, dirigiu-se aos principais sacerdotes a fim de o entregar* a eles.+ 11  Quando ouviram isto, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro de prata.+ Por conseguinte, ele começou a procurar uma oportunidade para o trair. 12  Então, no primeiro dia da Festividade dos Pães sem Fermento,+ quando costumavam oferecer o sacrifício pascoal,+ os discípulos perguntaram-lhe: “Onde é que queres que façamos os preparativos para a refeição pascoal?”+ 13  Em vista disso, ele enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes: “Vão à cidade, e um homem que leva um cântaro com água irá encontrar-vos. Sigam-no,+ 14  e onde quer que ele entrar, digam ao dono da casa: ‘O Instrutor diz: “Onde é a sala dos hóspedes, para que eu tome a refeição pascoal com os meus discípulos?”’ 15  E ele irá mostrar-vos uma grande sala no andar de cima, mobilada e pronta. Façam ali os preparativos para nós.” 16  Assim, os discípulos foram, entraram na cidade e encontraram tudo assim como ele lhes tinha dito, e prepararam a refeição pascoal. 17  Depois de anoitecer, ele chegou com os Doze.+ 18  E, enquanto estavam recostados à mesa e comiam, Jesus disse: “Digo-vos a verdade: Um de vocês, que está a comer comigo, vai trair-me.”+ 19  Eles começaram a ficar tristes, e perguntavam-lhe um por um: “Por acaso sou eu?” 20  Ele disse-lhes: “É um dos Doze, aquele que mete comigo a mão na tigela.+ 21  Pois o Filho do Homem vai-se embora, assim como está escrito a seu respeito, mas ai daquele que trai o Filho do Homem!+ Seria melhor para esse homem que não tivesse nascido.”+ 22  E, ao continuarem a comer, pegou num pão, proferiu uma bênção, partiu-o e deu-lhes, dizendo: “Tomem; isto representa o meu corpo.”+ 23  E, pegando num cálice, deu graças, deu-o aos discípulos, e todos beberam dele.+ 24  E disse-lhes: “Isto representa o meu ‘sangue+ do pacto’,+ que será derramado em benefício de muitos.+ 25  Digo-vos a verdade: De modo algum voltarei a beber do produto da videira até ao dia em que beberei vinho novo, no Reino de Deus.”+ 26  Por fim, depois de cantarem louvores, foram para o monte das Oliveiras.+ 27  E Jesus disse-lhes: “Todos vocês tropeçarão, pois está escrito: ‘Ferirei o pastor,+ e as ovelhas serão espalhadas.’+ 28  Mas, depois de eu ser levantado, irei à vossa frente para a Galileia.”+ 29  No entanto, Pedro disse-lhe: “Mesmo que todos os outros tropecem, eu não tropeçarei.”+ 30  Em vista disso, Jesus disse-lhe: “Digo-te a verdade: Hoje, sim, ainda esta noite, antes de o galo cantar duas vezes, vais negar-me três vezes.”+ 31  Mas ele insistiu: “Mesmo que eu tenha de morrer contigo, de modo algum te negarei.” E todos os outros começaram a dizer a mesma coisa.+ 32  Assim, chegaram a um lugar chamado Getsémani, e ele disse aos discípulos: “Sentem-se aqui enquanto eu oro.”+ 33  E ele levou consigo Pedro, Tiago e João,+ e começou a ficar profundamente angustiado* e muito aflito. 34  Disse-lhes: “Estou profundamente triste,+ a ponto de morrer. Fiquem aqui e mantenham-se vigilantes.”+ 35  E, indo um pouco mais adiante, prostrou-se no chão e começou a orar para que, se fosse possível, aquela hora se afastasse dele. 36  E disse: “Aba, Pai,+ todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice. Contudo, não o que eu quero, mas o que tu queres.”+ 37  Ele voltou e encontrou-os a dormir, e disse a Pedro: “Simão, estás a dormir? Não tiveste força para te manteres vigilante por uma hora?+ 38  Mantenham-se vigilantes e orem continuamente para que não caiam em tentação.+ Naturalmente, o espírito está disposto,* mas a carne é fraca.”+ 39  Ele afastou-se outra vez e orou, dizendo a mesma coisa.+ 40  E voltou novamente e encontrou-os a dormir, pois estavam com os olhos pesados, e por isso não sabiam o que lhe responder. 41  Voltou então pela terceira vez e disse-lhes: “Numa ocasião como esta, vocês estão a dormir e a descansar! Basta! Chegou a hora!+ O Filho do Homem vai ser entregue* às mãos de pecadores. 42  Levantem-se, vamos embora. Olhem! Aquele que me trai está a chegar.”+ 43  E imediatamente, enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão com espadas e bastões. Eles tinham sido enviados pelos principais sacerdotes, pelos escribas e pelos anciãos.+ 44  O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo: “Aquele a quem eu beijar é ele; prendam-no e levem-no sob vigilância.”* 45  Então, dirigiu-se diretamente a ele e, ao aproximar-se, disse: “Rabi!” e beijou-o ternamente. 46  Assim, eles agarraram-no e prenderam-no. 47  No entanto, um dos que estavam presentes puxou da espada e atacou o escravo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha.+ 48  Então, Jesus disse-lhes: “Vieram prender-me com espadas e bastões, como se eu fosse um bandido?+ 49  Dia após dia, eu estava convosco no templo a ensinar;+ no entanto, vocês não me prenderam. Contudo, isto é para cumprir as Escrituras.”+ 50  E todos o abandonaram e fugiram.+ 51  No entanto, um jovem, que usava apenas uma roupa de linho fino por cima do corpo nu, começou a segui-lo de perto, e tentaram prendê-lo, 52  mas ele largou a roupa de linho e escapou nu. 53  Levaram então Jesus ao sumo sacerdote;+ e todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas se reuniram.+ 54  Todavia, Pedro, mantendo uma boa distância, seguiu-o até ao pátio do sumo sacerdote; e sentou-se com os criados, aquecendo-se ao fogo.+ 55  Os principais sacerdotes e todo o Sinédrio estavam à procura de testemunhos contra Jesus, para entregá-lo à morte, mas não encontravam nenhum.+ 56  Na verdade, muitos davam testemunho falso contra ele,+ mas os seus testemunhos não estavam de acordo. 57  Também alguns se levantavam e davam testemunho falso contra ele, dizendo: 58  “Nós ouvimo-lo dizer: ‘Derrubarei este templo feito por mãos humanas e em três dias construirei outro, não feito por mãos humanas.’”+ 59  Porém, nem neste ponto o seu testemunho estava de acordo. 60  Então, o sumo sacerdote levantou-se no meio deles e perguntou a Jesus: “Não dizes nada em resposta? O que é que tens a dizer do testemunho destes homens contra ti?”+ 61  No entanto, ele continuou calado e não deu nenhuma resposta.+ O sumo sacerdote voltou a interrogá-lo, dizendo: “És tu o Cristo, o Filho do Bendito?” 62  Jesus respondeu então: “Sou; e vocês verão o Filho do Homem+ sentado à direita+ do poder e a vir com as nuvens do céu.”+ 63  Em vista disso, o sumo sacerdote rasgou as suas vestes e disse: “Que necessidade temos ainda de testemunhas?+ 64  Vocês ouviram a blasfémia. Qual é a vossa decisão?”* Todos decidiram que ele merecia a morte.+ 65  E alguns começaram a cuspir-lhe,+ a cobrir-lhe o rosto, a esmurrá-lo e a dizer-lhe: “Profetiza!” E, depois de o esbofetear, os oficiais de justiça levaram-no.+ 66  Então, enquanto Pedro estava em baixo, no pátio, chegou uma das servas do sumo sacerdote.+ 67  Vendo Pedro a aquecer-se, olhou bem para ele e disse: “Tu também estavas com o Nazareno, esse Jesus.” 68  Contudo, ele negou, dizendo: “Não o conheço nem sei de* que estás a falar”, e saiu para a entrada do pátio. 69  A serva viu-o ali e começou novamente a dizer aos presentes: “Este é um deles.”+ 70  Uma vez mais ele negou. E, pouco depois, os que estavam presentes começaram outra vez a dizer a Pedro: “Com certeza, tu és um deles, pois, de facto, tu és galileu.” 71  Ele, porém começou a amaldiçoar-se a si mesmo e a jurar: “Eu não conheço esse homem de quem estão a falar!” 72  Imediatamente, um galo cantou pela segunda vez,+ e Pedro lembrou-se do que Jesus lhe tinha dito: “Antes de o galo cantar duas vezes, vais negar-me três vezes.”+ E, muito abalado, começou a chorar.

Notas de rodapé

Ou: “por meio de uma trama”.
Ou: “apanhar”.
Ou: “recostado à mesa”.
Ou: “E falaram com ela de modo irritado; E repreenderam-na.”
Ou: “trair”.
Ou: “ficar atónito”.
Ou: “pronto”.
Ou: “traído”.
Ou: “em segurança”.
Ou: “O que acham?”; “O que vos parece?”
Ou: “Não sei nem entendo o”.

Notas de estudo

Páscoa: A palavra grega páskha vem da palavra hebraica pésahh, derivada do verbo hebraico pasáhh, que significa “passar por alto; passar por cima”. A primeira Páscoa judaica foi celebrada no dia 14 de nisã, na noite antes de os israelitas começarem o Êxodo do Egito. A Páscoa comemorava a libertação dos israelitas da escravidão no Egito, e também o facto de Jeová ter ‘passado por alto’ os primogénitos israelitas quando matou os primogénitos egípcios. — Êx 12:14, 24-47; veja o Glossário.

quando ele estava em Betânia: Os acontecimentos descritos em Mr 14:3-9, pelos vistos, ocorreram depois do pôr do sol que marcou o início do dia 9 de nisã. Isso é indicado pelo relato paralelo de João, que diz que Jesus chegou a Betânia “seis dias antes da Páscoa”. (Jo 12:1) Ele deve ter chegado por volta da hora do pôr do sol que marcou o início do sábado, 8 de nisã, um dia antes da refeição na casa de Simão, que aconteceu no dia 9. — Jo 12:2-11; veja os Apêndices A7-G e B12-A.

E: Os acontecimentos descritos nos versículos 10 e 11 ocorreram no dia 12 de nisã, o mesmo dia dos acontecimentos descritos em Mr 14:1, 2. — Veja os Apêndices A7-G e B12-B, e as notas de estudo em Mr 14:13.

Dali a dois dias: Os acontecimentos descritos em Mr 14:1, 2 ocorreram no dia 12 de nisã, visto que o versículo diz que faltavam dois dias para a Páscoa (14 de nisã; veja a nota de estudo em Mt 26:2) e para a Festividade dos Pães sem Fermento (15-21 de nisã; veja o Glossário). — Veja os Apêndices A7-G, B12-B e B15, e as notas de estudo em Mr 14:3, 10.

um leproso: Pessoa que sofria de uma grave doença de pele. A lepra mencionada na Bíblia não é apenas a doença que hoje é chamada lepra (hanseníase). Se uma pessoa tivesse lepra, ela tinha de viver isolada até ficar curada. — Le 13:2, nota de rodapé, 45, 46; veja o Glossário, “Lepra; Leproso”.

uma mulher: De acordo com Jo 12:3, esta mulher é Maria, irmã de Marta e Lázaro.

derramar óleo perfumado sobre o meu corpo: A mulher (veja a nota de estudo em Mt 26:7) fez esse ato generoso porque sentia amor e gratidão por Jesus. Era costume passar aromas e óleos perfumados no corpo de pessoas falecidas. (2Cr 16:14) Por isso, Jesus explicou que a mulher, mesmo sem saber, já estava a preparar o corpo dele para o sepultamento.

quando ele estava em Betânia: Os acontecimentos descritos em Mr 14:3-9, pelos vistos, ocorreram depois do pôr do sol que marcou o início do dia 9 de nisã. Isso é indicado pelo relato paralelo de João, que diz que Jesus chegou a Betânia “seis dias antes da Páscoa”. (Jo 12:1) Ele deve ter chegado por volta da hora do pôr do sol que marcou o início do sábado, 8 de nisã, um dia antes da refeição na casa de Simão, que aconteceu no dia 9. — Jo 12:2-11; veja os Apêndices A7-G e B12-A.

Simão, o leproso: Este Simão só é mencionado aqui e no relato paralelo em Mt 26:6. Talvez fosse um leproso que Jesus tinha curado. — Veja a nota de estudo em Mt 8:2 e o Glossário, “Lepra; Leproso”.

uma mulher: Veja a nota de estudo em Mt 26:7.

frasco de alabastro: Veja o Glossário, “Alabastro”.

óleo perfumado: João diz que o frasco continha quase meio quilo de óleo perfumado. Os relatos de Marcos e de João especificam que o óleo valia “mais de 300 denários”. (Mr 14:5; Jo 12:3-5) Um trabalhador comum teria de juntar o salário de um ano inteiro para conseguir esse valor. Acredita-se que esse óleo vinha de uma planta aromática (Nardostachys jatamansi) encontrada nas montanhas dos Himalaias. Por ser muito caro, o nardo era muitas vezes adulterado e até mesmo falsificado, mas tanto Marcos como João dizem que esse óleo era nardo genuíno. — Veja o Glossário, “Nardo”.

derramá-lo sobre a cabeça dele: Mateus e Marcos dizem que a mulher derramou o óleo sobre a cabeça de Jesus. (Mt 26:7) João, que escreveu o seu Evangelho anos mais tarde, diz que a mulher também derramou o óleo nos pés de Jesus. (Jo 12:3) Jesus explicou que, com aquele ato bondoso, a mulher estava como que a preparar o corpo dele para o sepultamento — Veja a nota de estudo em Mr 14:8.

óleo perfumado: João diz que o frasco continha quase meio quilo de óleo perfumado. Os relatos de Marcos e de João especificam que o óleo valia “mais de 300 denários”. (Mr 14:5; Jo 12:3-5) Um trabalhador comum teria de juntar o salário de um ano inteiro para conseguir esse valor. Acredita-se que esse óleo vinha de uma planta aromática (Nardostachys jatamansi) encontrada nas montanhas dos Himalaias. Por ser muito caro, o nardo era muitas vezes adulterado e até mesmo falsificado, mas tanto Marcos como João dizem que esse óleo era nardo genuíno. — Veja o Glossário, “Nardo”.

300 denários: O relato de Mateus diz apenas “uma grande soma” (Mt 26:9), mas os relatos de Marcos e de João são mais específicos. — Veja a nota de estudo em Mr 14:3; o Glossário, “Denário”; e o Apêndice B14-B.

uma mulher: De acordo com Jo 12:3, esta mulher é Maria, irmã de Marta e Lázaro.

derramar óleo perfumado sobre o meu corpo: A mulher (veja a nota de estudo em Mt 26:7) fez esse ato generoso porque sentia amor e gratidão por Jesus. Era costume passar aromas e óleos perfumados no corpo de pessoas falecidas. (2Cr 16:14) Por isso, Jesus explicou que a mulher, mesmo sem saber, já estava a preparar o corpo dele para o sepultamento.

Garanto-vos: Ou: “Digo-vos a verdade.” Em grego, esta frase inclui a palavra amén. É uma transliteração da palavra hebraica ʼamén, que significa “assim seja” ou “com certeza”. Jesus usava muitas vezes essa palavra antes de fazer uma declaração importante, promessa ou profecia. Era uma forma de enfatizar que as suas palavras iam cumprir-se com certeza e que os seus ouvintes podiam confiar nelas. Alguns estudiosos afirmam que não há ninguém que use a palavra amén como Jesus, nem na Bíblia nem em outros livros sagrados. Quando a palavra aparece repetida (amén amén), como acontece várias vezes no Evangelho de João, a expressão é traduzida como “com toda a certeza”. — Veja a nota de estudo em Jo 1:51.

todas as nações: Esta expressão, que mostra o alcance que a obra de pregação teria, deixou claro aos discípulos que eles pregariam a outros além dos judeus. Em sentido geral, a palavra grega para “nação” (éthnos) refere-se a um grupo de pessoas que tem algum parentesco de sangue e que fala a mesma língua. As pessoas que formam uma nação ou grupo étnico, geralmente, moram num território geográfico definido.

Digo-vos a verdade: Veja a nota de estudo em Mt 5:18.

se preguem as boas novas em todo o mundo: Aqui e na profecia registada em Mr 13:10, Jesus predisse que as boas novas seriam pregadas em todo o mundo. Essas boas novas incluiriam o ato de fé dessa mulher. Deus fez com que três dos quatro escritores dos Evangelhos registassem o que ela tinha feito por Jesus. — Mt 26:12, 13; Jo 12:7; veja a nota de estudo em Mr 13:10.

Dali a dois dias: Os acontecimentos descritos em Mr 14:1, 2 ocorreram no dia 12 de nisã, visto que o versículo diz que faltavam dois dias para a Páscoa (14 de nisã; veja a nota de estudo em Mt 26:2) e para a Festividade dos Pães sem Fermento (15-21 de nisã; veja o Glossário). — Veja os Apêndices A7-G, B12-B e B15, e as notas de estudo em Mr 14:3, 10.

quando ele estava em Betânia: Os acontecimentos descritos em Mr 14:3-9, pelos vistos, ocorreram depois do pôr do sol que marcou o início do dia 9 de nisã. Isso é indicado pelo relato paralelo de João, que diz que Jesus chegou a Betânia “seis dias antes da Páscoa”. (Jo 12:1) Ele deve ter chegado por volta da hora do pôr do sol que marcou o início do sábado, 8 de nisã, um dia antes da refeição na casa de Simão, que aconteceu no dia 9. — Jo 12:2-11; veja os Apêndices A7-G e B12-A.

Iscariotes: É possível que essa palavra signifique “homem de Queriote”. O pai de Judas, Simão, também é chamado “Iscariotes”. (Jo 6:71) Muitos estudiosos acham que essa palavra indica que Simão e Judas eram de Queriote-Esrom, uma cidade da Judeia. (Jos 15:25) Se isso for verdade, Judas era o único dos 12 apóstolos que era da Judeia. Os outros 11 eram da Galileia.

E: Os acontecimentos descritos nos versículos 10 e 11 ocorreram no dia 12 de nisã, o mesmo dia dos acontecimentos descritos em Mr 14:1, 2. — Veja os Apêndices A7-G e B12-B, e as notas de estudo em Mr 14:13.

Iscariotes: Veja a nota de estudo em Mt 10:4.

dinheiro de prata: Lit.: “prata”. Ou seja, prata usada como dinheiro. De acordo com Mt 26:15, o valor foi de “30 moedas de prata”. O Evangelho de Mateus é o único que menciona o valor pelo qual Jesus foi traído. Essas 30 moedas talvez fossem 30 siclos de prata produzidos em Tiro. O valor oferecido pelos principais sacerdotes parece mostrar o quanto eles desprezavam Jesus, já que, de acordo com a Lei, esse era o valor pago por um escravo. (Êx 21:32) Do mesmo modo, quando Zacarias pediu aos israelitas infiéis que pagassem o seu salário pelo trabalho de profeta, eles deram “30 peças de prata”, mostrando que, para eles, Zacarias não valia mais do que um escravo. — Za 11:12, 13.

No primeiro dia da Festividade dos Pães sem Fermento: A Festividade dos Pães sem Fermento começava no dia 15 de nisã, um dia depois da Páscoa (14 de nisã), e durava sete dias. (Veja o Apêndice B15.) No entanto, na época de Jesus, as duas celebrações já estavam tão relacionadas que os oito dias (incluindo o dia 14), às vezes, eram chamados “a Festividade dos Pães sem Fermento”. (Lu 22:1) Além disso, neste versículo, a expressão “No primeiro dia da” poderia ser traduzida como “Um dia antes da”. (Compare com Jo 1:15, 30, onde a palavra grega para “primeiro” [prótos] é traduzida como “antes de” na expressão “existia antes de [prótos] mim”.) Portanto, com base no costume judaico e no texto grego original, pode concluir-se que os discípulos fizeram a pergunta no dia 13 de nisã. Foi no período de luz do dia 13 de nisã que os discípulos fizeram os preparativos para a Páscoa, que foi comemorada mais tarde, “depois de anoitecer”, no início do dia 14 de nisã. — Mr 14:16, 17.

no primeiro dia da Festividade dos Pães sem Fermento: A Festividade dos Pães sem Fermento começava no dia 15 de nisã, um dia depois da Páscoa (14 de nisã), e durava sete dias. (Veja o Apêndice B15.) No entanto, na época de Jesus, as duas celebrações já estavam tão relacionadas que os oito dias (incluindo o dia 14), às vezes, eram chamados “a Festividade dos Pães sem Fermento”. (Lu 22:1) O dia mencionado aqui é o dia 14 de nisã, já que Marcos diz que era o dia em que costumavam oferecer o sacrifício pascoal. (Êx 12:6, 15, 17, 18; Le 23:5; De 16:1-8) Os acontecimentos descritos nos versículos 12-16, provavelmente, ocorreram na tarde do dia 13 de nisã, em preparação para a Páscoa que foi celebrada “depois de anoitecer”, no início do dia 14 de nisã. — Mr 14:17, 18; veja o Apêndice B12 e a nota de estudo em Mt 26:17.

Depois de anoitecer: Ou seja, depois do anoitecer que marcou o início de 14 de nisã. — Veja os Apêndices A7-G e B12-B.

mete comigo a mão: As pessoas costumavam comer com as mãos, ou, então, usavam um pedaço de pão como se fosse uma colher. Estas palavras de Jesus também podem ser uma expressão idiomática para “partilhar a comida”. Comer com uma pessoa indicava uma amizade muito próxima com ela. Trair alguém com quem se tinha uma amizade tão próxima era considerado o pior tipo de traição possível. — Sal 41:9; Jo 13:18.

tigela: Alguns manuscritos muito antigos usam uma expressão que pode ser traduzida “na tigela comum (partilhada)”, mas a maioria dos manuscritos mais antigos apoia a tradução “tigela”.

pegou num pão [...] partiu-o: No Antigo Oriente Próximo, os pães, geralmente, eram finos e, se fossem feitos sem fermento, ficavam quebradiços. O facto de Jesus ter partido os pães não tem nenhum significado especial. Essa era apenas a forma normal de dividir aquele tipo de pão. — Veja a nota de estudo em Mt 14:19.

representa: Lit.: “é”. Aqui, o verbo grego estín é usado com o sentido de “significa; simboliza”. Isso era muito claro para os apóstolos porque, naquela ocasião, o corpo perfeito de Jesus estava ali à frente deles, e também o pão sem fermento que iam comer. Por isso, o pão não podia ser o corpo literal de Jesus. É interessante que a mesma palavra grega estín é usada em Mt 12:7, e, muitas Bíblias traduzem-na como “significa”.

pegou num pão [...] partiu-o: Veja a nota de estudo em Mt 26:26.

proferiu uma bênção: Pelos vistos, refere-se a fazer uma oração de louvor e agradecimento a Deus.

representa: Veja a nota de estudo em Mt 26:26.

sangue do pacto: O novo pacto, entre Jeová e os cristãos ungidos, começou a vigorar por meio do sacrifício de Jesus. (He 8:10) Jesus usou aqui a mesma expressão que Moisés, como mediador, tinha usado quando inaugurou o pacto da Lei com Israel no monte Sinai. (Êx 24:8; He 9:19-21) Assim como o pacto entre Deus e a nação de Israel se tornou válido por meio do sangue de novilhos e de bodes, o pacto entre Jeová e o Israel espiritual tornou-se válido por meio do sangue de Jesus. Esse novo pacto entrou em vigor no Pentecostes de 33 EC. — He 9:14, 15.

sangue do pacto: Veja a nota de estudo em Mt 26:28.

beberei [...] vinho novo: Na Bíblia, o vinho, às vezes, representa alegria. — Sal 104:15; Ec 10:19.

beberei vinho novo: Veja a nota de estudo em Mt 26:29.

depois de cantarem louvores: Ou: “depois de cantarem hinos (salmos)”. De acordo com certa tradição judaica, os judeus cantavam ou recitavam os dois primeiros Salmos de Halel (113 e 114) durante a refeição da Páscoa e, no final da refeição, os quatro últimos (115 a 118). Estes últimos contêm algumas profecias relacionadas com o Messias. O Salmo 118 começa e termina com as palavras: “Agradeçam a Jeová, pois ele é bom; o seu amor leal dura para sempre.” (Sal 118:1, 29) É provável que essas tenham sido as últimas palavras de louvor que Jesus cantou com os seus apóstolos fiéis na noite antes de morrer.

louvores: Veja a nota de estudo em Mt 26:30.

antes do amanhecer: Lit.: “quando o galo canta”. De acordo com o sistema de vigílias dos gregos e dos romanos, este era o nome da terceira vigília da noite. Refere-se ao período da meia-noite até cerca das 3 horas da madrugada. (Veja as notas de estudo anteriores neste versículo.) Provavelmente, foi nessa vigília da noite que “um galo cantou”. (Mr 14:72) Em geral, concorda-se que o canto do galo há muito tempo é usado nas terras a leste do mar Mediterrâneo como referência de tempo. — Veja as notas de estudo em Mt 26:34; Mr 14:30, 72.

antes de o galo cantar: Os quatro Evangelhos mencionam esta declaração de Jesus, mas o relato de Marcos é o único que acrescenta o detalhe de que o galo cantaria duas vezes. (Mt 26:34, 74, 75; Mr 14:72; Lu 22:34, 60, 61; Jo 13:38; 18:27) A Mishná indica que, nos dias de Jesus, as pessoas criavam galos em Jerusalém, o que apoia o relato da Bíblia. É provável que o galo tenha cantado ainda de madrugada. — Veja a nota de estudo em Mr 13:35.

Getsémani: Este jardim, pelos vistos, ficava no monte das Oliveiras, do outro lado do vale do Cédron, a leste de Jerusalém. É provável que existisse ali um lagar de azeitonas, porque o nome Getsémani vem da expressão hebraica ou aramaica gath shemanéh, que significa “lagar de azeite”. Não se sabe exatamente onde é que esse jardim ficava, mas alguns acreditam que Getsémani seja um jardim que fica no sopé do monte das Oliveiras, na bifurcação da estrada, na encosta oeste do monte. — Veja o Apêndice B12-A.

Getsémani: Veja a nota de estudo em Mt 26:36.

Estou: Ou: “A minha alma está”. A palavra grega psykhé, que foi traduzida como “alma” nas edições anteriores da Tradução do Novo Mundo, aqui, refere-se à pessoa como um todo. Portanto, a expressão original para “minha alma” pode ser traduzida como “todo o meu ser” ou simplesmente “eu”. — Veja o Glossário, “Alma”.

mantenham-se vigilantes: A palavra grega usada aqui tem o sentido básico de “ficar (continuar) acordado”, mas, em muitos contextos, quer dizer “ficar alerta; estar atento”. Mateus usa esta palavra em Mt 24:43; 25:13 e 26:38, 40, 41. Em Mt 24:44, ele relaciona essa atitude vigilante com a necessidade de estar “prontos”. — Veja a nota de estudo em Mt 26:38.

mantenham-se vigilantes: Lit.: “fiquem acordados”. Este aviso para ficar acordado em sentido espiritual é a mensagem básica da ilustração das dez virgens. — Veja as notas de estudo em Mt 24:42; 26:38.

mantenham-se vigilantes: A palavra grega usada aqui tem o sentido básico de “ficar (continuar) acordado”, mas em muitos contextos quer dizer “ficar alerta; estar atento”. Marcos também usa esta palavra em Mr 13:34, 37 e 14:34, 37, 38. — Veja as notas de estudo em Mt 24:42; 26:38; Mr 14:34.

Estou: Veja a nota de estudo em Mt 26:38.

mantenham-se vigilantes: Lit.: “fiquem acordados”. Jesus já tinha avisado os seus discípulos da importância de continuarem espiritualmente acordados, pois não sabiam em que dia e hora ele viria. (Veja as notas de estudo em Mt 24:42; 25:13; Mr 13:35.) Ele repete esse aviso aqui e em Mr 14:38, onde diz que, para se conseguir continuar espiritualmente acordado, é importante perseverar em oração. Outros livros das Escrituras Gregas Cristãs contêm avisos parecidos, mostrando que é essencial que os cristãos verdadeiros continuem espiritualmente acordados. — 1Co 16:13; Col 4:2; 1Te 5:6; 1Pe 5:8; Ap 16:15.

prostrou-se no chão: Ou: “lançou-se ao chão”. O relato paralelo em Mt 26:39 diz que Jesus ‘se prostrou com o rosto por terra’. A Bíblia menciona várias posturas diferentes em que as pessoas oravam, como de pé ou de joelhos. No entanto, ao fazer uma oração fervorosa, a pessoa, às vezes, deitava-se de bruços no chão, com o corpo estendido e o rosto voltado para baixo. Essa talvez fosse a postura mais humilde de todas.

beber o cálice: A Bíblia, muitas vezes, usa a palavra “cálice” para representar a “porção” que Deus dá a alguém, ou seja, a vontade de Deus para aquela pessoa. (Sal 16:5; 23:5) Aqui, “beber o cálice” significa aceitar a vontade de Deus. O “cálice” de Jesus não envolvia apenas sofrer maus-tratos e morrer por causa da acusação falsa de blasfémia, mas também ser ressuscitado para a vida imortal no céu.

Aba: A palavra grega Abbá é uma transliteração de uma palavra hebraica ou aramaica que significa literalmente “o pai” ou “ó Pai”. Abbá aparece três vezes nas Escrituras Gregas Cristãs; aqui e em Ro 8:15 e Gál 4:6. Esta palavra combina a intimidade e informalidade da palavra “papá” com o tom de respeito da palavra “pai”. Era uma das primeiras palavras que uma criança aprendia a dizer, mas textos hebraicos e aramaicos antigos mostram que filhos adultos também a usavam para se dirigirem ao pai. Era uma forma carinhosa de se dirigirem ao pai, e não um título. O facto de Jesus ter usado esta palavra mostra que ele tinha uma relação de intimidade e confiança com o Pai dele.

Pai: Nas três vezes que a palavra Aba aparece nas Escrituras Gregas Cristãs, é seguida pela sua tradução para o grego, ho patér, que significa literalmente “o pai” ou “ó Pai”.

afasta de mim este cálice: A Bíblia, muitas vezes, usa a palavra “cálice” para representar a “porção” que Deus dá a alguém, ou seja, a vontade de Deus para aquela pessoa. (Veja a nota de estudo em Mt 20:22.) Jesus orou para que o “cálice” se afastasse dele porque, sem dúvida, estava muito preocupado com a desonra que poderia trazer sobre o nome de Deus se morresse acusado de blasfémia e sedição.

espírito: Aqui, a palavra “espírito” refere-se à força que vem do coração figurativo de uma pessoa e que a motiva a falar e a fazer coisas de certa maneira. — Veja o Glossário.

carne: Na Bíblia, a palavra “carne”, muitas vezes, representa o homem no seu estado imperfeito e pecador.

espírito: Veja a nota de estudo em Mt 26:41.

carne: Veja a nota de estudo em Mt 26:41.

estavam com os olhos pesados: Expressão idiomática grega que significa “estar com muito sono”. Também poderia ser traduzida como “não conseguiam ficar com os olhos abertos”.

beijou-o ternamente: O verbo grego traduzido como “beijar ternamente” é uma forma intensificada do verbo “beijar”, que aparece em Mr 14:44. Esse cumprimento carinhoso e amigável de Judas mostra o quanto ele era falso e hipócrita.

atacou o escravo do sumo sacerdote: Este acontecimento foi registado pelos quatro escritores dos Evangelhos. Os quatro relatos complementam-se. (Mt 26:51; Mr 14:47; Lu 22:50) Lucas, “o médico amado” (Col 4:14), é o único que diz que Jesus ‘tocou na orelha e curou’ o escravo. (Lu 22:51) Apenas João informa que foi Simão Pedro quem atacou o homem e que o nome do escravo era Malco. Tudo indica que João era o discípulo “conhecido do sumo sacerdote” e dos seus servos. (Jo 18:15, 16) Por isso, seria natural ele mencionar o nome do homem que tinha sido ferido. Outro texto que deixa claro que João conhecia os servos do sumo sacerdote é Jo 18:26. Ali, João explica que o escravo que acusou Pedro de ser discípulo de Jesus era “parente do homem cuja orelha Pedro tinha cortado”.

um dos que estavam presentes: O relato paralelo em Jo 18:10 mostra que foi Simão Pedro que puxou da espada e que o nome do escravo do sumo sacerdote era Malco. Os relatos de Lucas (22:50) e de João (18:10) também acrescentam o detalhe de que foi a “orelha direita” que foi decepada.

atacou o escravo do sumo sacerdote: Veja a nota de estudo em Jo 18:10.

Marcos: Do latim Marcus. Marcos era o sobrenome romano do “João” mencionado em At 12:12. A sua mãe chamava-se Maria. Ela já era discípula há algum tempo e morava em Jerusalém. João Marcos era “primo de Barnabé” (Col 4:10), com quem ele viajou. Marcos também viajou com Paulo e outros dos primeiros missionários cristãos. (At 12:25; 13:5, 13; 2Ti 4:11) O escritor deste Evangelho não se identifica, mas escritos dos séculos 2 e 3 EC afirmam que Marcos foi o escritor.

um jovem: O Evangelho de Marcos é o único que menciona os acontecimentos descritos nos versículos 51 e 52. Esse jovem talvez fosse o próprio Marcos. Se esse for o caso, pode ser que ele conhecesse Jesus pessoalmente. — Veja a nota de estudo em Mr Título.

nu: Ou: “sem roupa suficiente”. A palavra grega gymnós pode significar “pouco vestido; só com a roupa de baixo”. — Tg 2:15, nota de rodapé.

sumo sacerdote: Quando Israel era uma nação independente, o sumo sacerdote continuava no cargo por toda a sua vida. (Núm 35:25) No entanto, durante o tempo em que o Império Romano dominava sobre Israel, os governantes designados pelos romanos tinham autoridade para nomear e remover sumos sacerdotes. O sumo sacerdote que presidiu o julgamento de Jesus foi Caifás. (Mt 26:3, 57) Ele era um diplomata habilidoso e conseguiu permanecer como sumo sacerdote durante mais tempo do que os últimos que tinham ocupado esse cargo antes dele. Caifás foi nomeado por volta de 18 EC e continuou como sumo sacerdote até por volta de 36 EC. — Veja o Glossário, “Sumo sacerdote”; veja a possível localização da casa de Caifás no Apêndice B12-A.

Sinédrio: Ou seja, o supremo tribunal judaico em Jerusalém. A palavra grega traduzida como “Sinédrio” (synédrion) significa literalmente “sentar-se com”. Embora fosse uma palavra genérica para uma assembleia ou reunião, em Israel, podia referir-se a um tribunal religioso. — Veja a nota de estudo em Mt 5:22 e o Glossário; veja a possível localização do Sinédrio no Apêndice B12-A.

Sinédrio: Veja a nota de estudo em Mt 26:59.

nem [...] o seu testemunho estava de acordo: O Evangelho de Marcos é o único que menciona que as testemunhas falsas do julgamento de Jesus não estavam de acordo entre si.

do Cristo: Aqui, Mateus usou o artigo definido em grego antes do título “Cristo”, que significa “ungido”. Isso indicava que Jesus era o prometido Messias, aquele que foi ungido, ou escolhido, para um cargo especial. — Veja as notas de estudo em Mt 1:1; 2:4.

o Cristo: Veja a nota de estudo em Mt 11:2.

à direita do poder: Estar à direita de um rei significava ser a pessoa mais importante depois do próprio rei. (Sal 110:1; At 7:55, 56) É possível que a palavra grega usada aqui para “poder” se refira ao próprio Deus. Nesse caso, poderia ser traduzida como “o Poder” ou “o Poderoso”. A expressão grega para “direita do poder” aparece também no relato paralelo de Lu 22:69, mas juntamente com a palavra grega para “Deus”. Por isso, a expressão é traduzida como “à direita do Deus poderoso”. A expressão “direita do poder” também pode indicar que Jesus receberia poder, ou autoridade, por estar à direita do Poderoso, ou seja, Deus.

sentado à direita do poder: Veja a nota de estudo em Mt 26:64.

rasgou as suas vestes: Gesto que, neste caso, expressava indignação. Provavelmente, Caifás rasgou a sua roupa na zona do peito para, de forma teatral, dar a impressão de que a sua devoção a Deus era tão grande que ele não conseguia suportar as palavras de Jesus.

Profetiza-nos [...]. Quem é que te bateu?: Aqueles homens não estavam a pedir a Jesus que fizesse uma profecia sobre o futuro, mas sim que dissesse, por revelação de Deus, quem lhe tinha batido. Os relatos paralelos de Mr 14:65 e Lu 22:64 mostram que os inimigos de Jesus tinham coberto o rosto dele. Isso explica porque é que eles ridicularizaram Jesus, perguntando-lhe: “Quem é que te bateu?”

Profetiza!: Os homens não estavam a pedir que Jesus fizesse uma profecia sobre o futuro. O contexto mostra que eles lhe tinham coberto o rosto. Assim, quando pediram a Jesus para profetizar, eles estavam a desafiar Jesus a dizer, por revelação de Deus, quem lhe tinha batido. — Veja a nota de estudo em Mt 26:68.

Profetiza!: Aqueles homens não estavam a pedir a Jesus que fizesse uma profecia sobre o futuro, mas sim que dissesse, por revelação de Deus, quem lhe tinha batido. O contexto mostra que os inimigos de Jesus lhe tinham coberto o rosto, e o relato paralelo em Mt 26:68 diz que eles ridicularizaram Jesus, dizendo: “Profetiza-nos, ó Cristo. Quem é que te bateu?” Eles estavam a desafiar Jesus, que estava com o rosto coberto, a identificar quem lhe estava a bater. — Veja as notas de estudo em Mt 26:68; Lu 22:64.

entrada do pátio: Lit.: “portão”. O relato paralelo de Marcos usa uma palavra que pode significar “entrada” ou “vestíbulo”, o que indica que não se tratava de um simples portão. (Mr 14:68) Pelos vistos, devia ser algo construído, como um corredor ou um saguão, que ia do pátio até às portas que davam para a rua.

entrada do pátio: Ou: “vestíbulo”. — Veja a nota de estudo em Mt 26:71.

jurar: Ou: “fazer um juramento”. Como estava com medo, Pedro tentou convencer todos os presentes de que ele realmente não conhecia Jesus. Por ter feito um juramento, era como se Pedro dissesse: ‘Eu juro que o que eu disse é verdade. Que uma tragédia me aconteça se não for!’

antes do amanhecer: Lit.: “quando o galo canta”. De acordo com o sistema de vigílias dos gregos e dos romanos, este era o nome da terceira vigília da noite. Refere-se ao período da meia-noite até cerca das 3 horas da madrugada. (Veja as notas de estudo anteriores neste versículo.) Provavelmente, foi nessa vigília da noite que “um galo cantou”. (Mr 14:72) Em geral, concorda-se que o canto do galo há muito tempo é usado nas terras a leste do mar Mediterrâneo como referência de tempo. — Veja as notas de estudo em Mt 26:34; Mr 14:30, 72.

um galo cantou: Os quatro Evangelhos mencionam este acontecimento, mas o Evangelho de Marcos é o único que acrescenta o detalhe de que o galo cantou pela segunda vez. (Mt 26:34, 74, 75; Mr 14:30; Lu 22:34, 60, 61; Jo 13:38; 18:27) A Mishná indica que, nos dias de Jesus, as pessoas criavam galos em Jerusalém, o que apoia o relato da Bíblia. É provável que o galo tenha cantado antes do amanhecer. — Veja a nota de estudo em Mr 13:35.

Multimédia

Frasco de alabastro
Frasco de alabastro

Originalmente, estes pequenos frascos para perfume eram feitos de uma pedra encontrada perto de Alabastron, no Egito. Com o tempo, essa pedra, que é um tipo de carbonato de cálcio, passou a ser conhecida como alabastro. O frasco mostrado aqui foi descoberto no Egito e é datado do período entre 150 AEC e 100 EC. Existiam frascos feitos com materiais mais baratos, como o gesso, que também eram chamados alabastros porque eram usados da mesma forma. No entanto, era nos frascos feitos de alabastro verdadeiro que se guardavam óleos e perfumes mais caros, como os que foram derramados em Jesus em duas ocasiões – na casa de um fariseu na Galileia e na casa de Simão, o leproso, em Betânia.

A refeição da Páscoa
A refeição da Páscoa

A refeição da Páscoa tinha de incluir os seguintes itens: cordeiro assado (nenhum osso do animal podia ser quebrado) (1); pães sem fermento (2); e ervas amargas (3). (Êx 12:5, 8; Núm 9:11) De acordo com a Mishná, algumas ervas amargas que podiam ser usadas eram alface, chicória, agrião, endívia ou dente-de-leão. Pelos vistos, essas ervas lembravam os israelitas da sua amarga escravidão no Egito. Jesus usou o pão sem fermento para representar o seu corpo humano sem pecado. (Mt 26:26) E o apóstolo Paulo chamou a Jesus “o nosso cordeiro pascoal”. (1Co 5:7) No primeiro século EC, o vinho (4) também era servido na refeição da Páscoa. Jesus usou o vinho para representar o seu sangue, que seria derramado como sacrifício. — Mt 26:27, 28.

Sala no andar de cima
Sala no andar de cima

Algumas casas em Israel tinham dois andares. O acesso ao andar de cima podia ser por dentro da casa, por meio de uma escada móvel ou de uma escada fixa construída com madeira. Também podia ser pelo lado de fora da casa, por meio de uma escada móvel ou de uma escada fixa feita de pedra. Foi numa grande sala no andar de cima, possivelmente parecida com a mostrada aqui, que Jesus celebrou a última Páscoa com os seus discípulos e realizou a primeira Ceia do Senhor. (Lu 22:12, 19, 20) Parece que, quando o espírito de Deus foi derramado sobre cerca de 120 discípulos no dia da Festividade de Pentecostes, em 33 EC, eles estavam numa sala no andar de cima de uma casa em Jerusalém. — At 1:15; 2:1-4.