As Boas Novas Segundo Lucas 7:1-50

7  Quando terminou o que tinha a dizer ao povo, ele entrou em Cafarnaum.  E um escravo de um oficial do exército, que era muito estimado pelo seu senhor, estava gravemente doente e prestes a morrer.+  Quando o oficial ouviu falar de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus para lhe pedirem que viesse e curasse o seu escravo.  Eles foram ter com Jesus e começaram a suplicar-lhe com insistência: “Ele merece a sua ajuda,  porque ama a nossa nação e foi ele que construiu a nossa sinagoga.”  Assim, Jesus foi com eles. Mas, quando estava perto da casa, o oficial do exército enviou amigos para lhe dizer: “Senhor, não se incomode, pois não sou digno de o receber debaixo do meu teto.+  Foi por isso que não me considerei digno de ir até si. Mas diga a palavra, e o meu servo será curado.  Pois eu também sou um homem sujeito a autoridade e tenho soldados sob as minhas ordens, e digo a um: ‘Vai!’ e ele vai, e a outro: ‘Vem!’ e ele vem, e ao meu escravo: ‘Faz isto!’ e ele faz.”  Quando Jesus ouviu isto, ficou admirado com ele e, virando-se para a multidão que o seguia, disse: “Digo-vos: Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.”+ 10  E, ao voltarem para casa, os que tinham sido enviados encontraram o escravo de boa saúde.+ 11  Logo depois disso, ele viajou para uma cidade chamada Naim, e os seus discípulos e uma grande multidão viajavam com ele. 12  No momento em que se aproximava do portão da cidade, estavam a carregar um morto para fora, o único filho da sua mãe.+ Além disso, ela era viúva. Uma multidão considerável da cidade também a acompanhava. 13  Quando o Senhor a viu, teve pena dela+ e disse-lhe: “Para de chorar.”+ 14  Depois, aproximou-se e tocou no esquife,* e os carregadores ficaram parados. Então, ele disse: “Jovem, digo-te: Levanta-te!”*+ 15  E o morto sentou-se e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe.+ 16  Todos ficaram cheios de temor e começaram a glorificar a Deus, dizendo: “Um grande profeta surgiu no nosso meio”,+ e: “Deus voltou a sua atenção para o seu povo.”+ 17  E esta notícia sobre ele espalhou-se por toda a Judeia e por todas as regiões vizinhas. 18  Então, os discípulos de João contaram-lhe todas estas coisas.+ 19  João convocou então dois dos seus discípulos e enviou-os ao Senhor para lhe perguntar: “És Aquele Que Vem,+ ou devemos esperar outro?” 20  Quando chegaram ao pé dele, os homens disseram: “João Batista enviou-nos a ti para te perguntar: ‘És Aquele Que Vem, ou devemos esperar outro?’” 21  Naquele momento, ele curou muitas pessoas das suas enfermidades,+ de doenças graves e de espíritos maus, e concedeu visão a muitos cegos. 22  Ele disse-lhes em resposta: “Vão, contem a João o que viram e ouviram: os cegos agora veem,+ os coxos estão a andar, os leprosos estão a ser purificados, os surdos estão a ouvir,+ os mortos estão a ser levantados e as boas novas estão a ser anunciadas aos pobres.+ 23  Feliz é aquele que não encontra em mim causa para tropeço.”+ 24  Quando os mensageiros de João partiram, Jesus começou a falar às multidões sobre João: “O que é que foram ver ao deserto? Uma cana sacudida pelo vento?+ 25  Então, o que é que foram ver? Um homem vestido de roupas finas?+ Ora, os que usam roupa esplêndida e têm uma vida de luxo estão nos palácios reais. 26  Realmente, então, o que foram ver? Um profeta? Sim, digo-vos eu, e muito mais do que um profeta.+ 27  Este é aquele a respeito de quem se escreveu: ‘Vê! Enviarei o meu mensageiro à tua frente,* o qual preparará o teu caminho diante de ti!’+ 28  Digo-vos: Entre os nascidos de mulheres, não há ninguém maior do que João; mas aquele que é menor no Reino de Deus é maior do que ele.”+ 29  (Quando ouviram isto, todo o povo e os cobradores de impostos declararam que Deus é justo, pois tinham sido batizados com o batismo de João.+ 30  Mas os fariseus e os peritos na Lei desconsideraram a vontade* de Deus para eles,+ pois não tinham sido batizados por ele.) 31  “Com quem, portanto, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes?+ 32  São semelhantes a crianças sentadas numa praça, que gritam umas para as outras: ‘Nós tocámos flauta para vocês, mas vocês não dançaram; nós lamentámos, mas vocês não choraram.’ 33  Da mesma maneira, João Batista veio sem comer pão e sem beber vinho,+ mas vocês dizem: ‘Ele tem um demónio.’ 34  O Filho do Homem veio, comendo e bebendo, mas vocês dizem: ‘Olhem! Um homem glutão e dado a beber vinho, amigo de cobradores de impostos e de pecadores!’+ 35  No entanto, a sabedoria prova-se justa* por todos os seus filhos.”+ 36  E um dos fariseus pedia-lhe com insistência que comesse com ele. Então, ele entrou em casa do fariseu e recostou-se à mesa.+ 37  Uma mulher, conhecida na cidade como pecadora, soube que ele estava a comer* em casa do fariseu e levou um frasco de alabastro com óleo perfumado.+ 38  Colocando-se atrás dele, aos seus pés, ela chorou e começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas, e enxugou-os com os seus cabelos. Ela também beijava ternamente os pés dele e derramava sobre eles o óleo perfumado. 39  Ao ver isso, o fariseu que o tinha convidado disse para consigo: “Se este homem realmente fosse um profeta, saberia quem lhe está a tocar e que tipo de mulher ela é, que é uma pecadora.”+ 40  Em vista disso, porém, Jesus disse-lhe: “Simão, tenho algo para te dizer.” Ele disse: “Diz, Instrutor!” 41  “Dois homens eram devedores de certo credor: um devia 500 denários, mas o outro 50. 42  Visto que não tinham como lhe pagar, ele perdoou liberalmente a ambos. Portanto, qual deles o amará mais?” 43  Em resposta, Simão disse: “Suponho que seja aquele a quem ele perdoou mais.” Ele disse-lhe: “Julgaste corretamente.” 44  Então, ele virou-se para a mulher e disse a Simão: “Vês esta mulher? Entrei na tua casa e tu não me deste água para os pés. Mas esta mulher molhou os meus pés+ com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. 45  Tu não me deste nenhum beijo, mas esta mulher, desde o momento em que entrei, não parou de beijar ternamente os meus pés. 46  Tu não derramaste óleo na minha cabeça, mas esta mulher derramou óleo perfumado sobre os meus pés. 47  Por isso, digo-te: os pecados dela, embora sejam muitos,* estão perdoados,+ porque ela amou muito.+ Mas aquele a quem se perdoa pouco, ama pouco.” 48  Então, ele disse à mulher: “Os teus pecados estão perdoados.”+ 49  Os que se recostavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: “Quem é este homem que até mesmo perdoa pecados?”+ 50  Mas ele disse à mulher: “A tua fé salvou-te.+ Vai em paz.”

Notas de rodapé

Ou: “na maca funerária”.
Ou: “Acorda!”
Lit.: “diante da tua face”.
Ou: “a orientação; o conselho”.
Ou: “é vindicada”.
Ou: “recostado à mesa”.
Ou: “grandes”.

Notas de estudo

Cafarnaum: Vem de um nome hebraico que significa “aldeia de Naum” ou “aldeia de consolo”. (Na 1:1, nota de rodapé) Cafarnaum ficava na margem noroeste do mar da Galileia. Muitos acontecimentos importantes do ministério de Jesus ocorreram ali, e em Mt 9:1 Cafarnaum é chamada “sua própria cidade”.

Cafarnaum: Veja a nota de estudo em Mt 4:13.

um oficial do exército: Ou: “um centurião”. Um oficial que comandava cerca de cem soldados do exército romano.

enviou-lhe alguns anciãos dos judeus: O relato paralelo em Mt 8:5 diz que “aproximou-se dele [Jesus] um oficial do exército”. Pelos vistos, os anciãos foram falar com Jesus em nome do oficial. Lucas é o único que menciona este detalhe.

Logo depois disso: Alguns manuscritos muito antigos dizem “No dia seguinte”. Mas a opção usada aqui tem mais apoio entre os manuscritos mais antigos e confiáveis.

Naim: Cidade da Galileia que ficava cerca de 35 quilómetros a sudoeste de Cafarnaum, que, pelos vistos, era a cidade de onde Jesus estava a vir. (Lu 7:1-10) Esta é a única vez que Naim é mencionada nas Escrituras Gregas Cristãs. Estudiosos acreditam que a cidade ficava no local em que hoje existe a aldeia de Nein, no lado noroeste da colina de Moré, cerca de 10 quilómetros a sudeste de Nazaré. A aldeia de Nein é relativamente pequena, mas as ruínas encontradas ali mostram que antigamente era muito maior. Naim ficava numa bela região acima do vale de Jezreel. Foi em Naim que aconteceu a primeira das três ressurreições realizadas por Jesus registadas na Bíblia. As outras duas ocorreram em Cafarnaum e Betânia. (Lu 8:49-56; Jo 11:1-44) Foi perto de Naim, na cidade de Suném, que o profeta Eliseu ressuscitou o filho de uma mulher sunamita cerca de 900 anos antes. — 2Rs 4:8-37.

um filho unigénito: A palavra grega monogenés foi traduzida como “unigénito; unigénita” em todas as ocorrências nas edições anteriores da Tradução do Novo Mundo. Pode ser definida como “único da sua espécie; sem igual; ímpar”. A Bíblia também usa monogenés com o sentido de “filho único”, e essa palavra pode referir-se tanto a filhos como a filhas. (Veja as notas de estudo em Lu 7:12; 8:42; 9:38.) Quando o apóstolo João usa a palavra monogenés, está sempre a referir-se a Jesus. (Jo 3:16, 18; 1Jo 4:9) No entanto, ele nunca usa essa palavra para se referir a Jesus durante a sua vida humana. Em vez disso, usa monogenés para falar da vida que Jesus tinha no céu como o Logos, ou a Palavra, aquele que “estava no princípio com Deus”, mesmo “antes de o mundo existir”. (Jo 1:1, 2; 17:5, 24) Jesus pode ser chamado “filho unigénito” porque foi, não apenas o primeiro Filho de Jeová, mas também o único criado diretamente por ele. Apesar de outras criaturas espirituais também serem chamadas “filhos do verdadeiro Deus” ou “filhos de Deus” (Gén 6:2, 4; Jó 1:6; 2:1; 38:4-7), Jeová criou-as a todas por meio de Jesus, o seu Filho primogénito. (Col 1:15, 16). Em resumo, a palavra monogenés refere-se tanto a Jesus ser “o único da sua espécie; sem igual; ímpar” como a ele ser o único filho que Jeová criou diretamente, sem a colaboração de mais ninguém. — 1Jo 5:18; veja a nota de estudo em He 11:17.

Filho unigénito: A palavra grega monogenés foi traduzida como “unigénito; unigénita” em todas as ocorrências nas edições anteriores da Tradução do Novo Mundo. Esta palavra pode ser definida como “único da sua espécie; sem igual; ímpar”. Sempre que o apóstolo João usa a palavra monogenés, está a referir-se a Jesus. (Jo 1:14; 3:18; 1Jo 4:9; veja a nota de estudo em Jo 1:14.) Apesar de outras criaturas espirituais também serem chamadas “filhos do verdadeiro Deus” ou “filhos de Deus”, Jesus é o único chamado “Filho unigénito”. (Gén 6:2, 4; Jó 1:6; 2:1; 38:4-7) Jesus é o Filho primogénito de Deus e foi o único criado diretamente pelo seu Pai. Nesse sentido, ele é ímpar, diferente de todos os outros filhos de Deus. Jeová gerou, ou criou, todos eles por meio do seu Filho primogénito. O apóstolo Paulo usou a palavra monogenés de maneira parecida quando falou de Isaque como o “único filho” de Abraão. (He 11:17) Abraão também era pai de Ismael, por meio de Agar, e teve vários filhos com Quetura. (Gén 16:15; 25:1, 2; 1Cr 1:28, 32) Mas Isaque foi o filho “único”, ou unigénito, num sentido especial; ele foi o único gerado por meio de uma promessa de Deus e o único filho de Abraão com Sara. — Gén 17:16-19.

portão da cidade: A palavra grega pólis (“cidade”), que é usada três vezes neste relato para se referir a Naim, geralmente refere-se a cidades muradas. Alguns arqueólogos acreditam que Naim realmente era cercada por uma muralha, mas não é possível ter a certeza disso. Caso não fosse murada, o “portão” que Lucas menciona talvez fosse apenas uma passagem entre as casas por onde a estrada entrava em Naim. De qualquer forma, o “portão” onde Jesus e os seus discípulos encontraram o cortejo fúnebre talvez ficasse na entrada leste de Naim, em direção aos túmulos que ficam a sudeste de onde hoje está a aldeia de Nein.

único: A palavra grega monogenés foi traduzida como “unigénito; unigénita” em todas as ocorrências nas edições anteriores da Tradução do Novo Mundo. Essa palavra pode ser definida como “único da sua espécie; sem igual; único de uma classe ou espécie; ímpar”. Aqui, é usada com o sentido de “filho único”, mas pode referir-se tanto a filhos como a filhas. Essa mesma palavra grega é usada para falar da filha “única” de Jairo e de um menino a quem Jesus curou que era o filho “único” de um homem. (Lu 8:41, 42; 9:38) A Septuaginta usa monogenés para se referir à filha de Jefté em Jz 11:34, que diz: “Ela era a sua única filha; além dela, ele não tinha nem filhos nem filhas.” Nos livros bíblicos que o apóstolo João escreveu, ele usou monogenés cinco vezes ao falar de Jesus. — Para informações sobre o significado desse termo quando usado para se referir a Jesus, veja as notas de estudo em Jo 1:14; 3:16.

teve pena: Ou: “sentiu compaixão”. O verbo grego usado aqui, splagkhnízomai, está relacionado com a palavra splágkhna, que significa “intestinos”. Portanto, esse verbo indica um sentimento muito profundo, uma emoção intensa. É uma das palavras mais fortes da língua grega para o sentimento de compaixão.

dois dos seus discípulos: O relato paralelo em Mt 11:2, 3 diz simplesmente que João Batista enviou “os seus próprios discípulos”. Lucas informa que foram dois.

um leproso: Pessoa que sofria de uma grave doença de pele. A lepra mencionada na Bíblia não é apenas a doença que hoje é chamada lepra (hanseníase). Se uma pessoa tivesse lepra, ela tinha de viver isolada até ficar curada. — Le 13:2, nota de rodapé, 45, 46; veja o Glossário, “Lepra; Leproso”.

leprosos: Veja a nota de estudo em Mt 8:2 e o Glossário, “Lepra; Leproso”.

batizo-vos: Ou: “mergulho-vos”. A palavra grega baptízo significa “imergir; afundar [algo]”. Outros textos na Bíblia mostram que o batismo envolve imergir completamente uma pessoa. Em certa ocasião, João estava a batizar num local no vale do Jordão perto de Salim “porque havia ali uma grande quantidade de água”. (Jo 3:23) Depois de Filipe batizar o eunuco etíope, eles ‘saíram da água’, ou seja, estavam dentro da água. (At 8:39) A Septuaginta usou essa mesma palavra grega em 2Rs 5:14, quando disse que Naamã “mergulhou no Jordão sete vezes”.

batismo em símbolo de arrependimento: Lit.: “batismo de arrependimento”. O batismo realizado por João não lavava, ou eliminava, os pecados daquelas pessoas. Em vez disso, servia como demonstração pública de que elas estavam arrependidas dos pecados que tinham cometido contra a Lei e que estavam decididas a mudar o seu modo de agir. Esse arrependimento ajudou a conduzir aquelas pessoas ao Cristo. (Gál 3:24) Assim, o trabalho de João estava a preparar um povo para ver, ou reconhecer, “a salvação” que Deus tinha providenciado. — Lu 3:3-6; veja as notas de estudo em Mt 3:2, 8, 11 e o Glossário, “Batismo; Batizar”; “Arrependimento”.

batismo: A palavra grega báptisma significa “imersão; mergulho”. — Veja as notas de estudo em Mt 3:11; Mr 1:4.

sem comer e sem beber: Pelos vistos, refere-se ao facto de que João levava uma vida com algumas restrições. Ele praticava o jejum e seguia a instrução dada aos nazireus de não tomarem bebidas alcoólicas. — Núm 6:2-4; Mt 9:14, 15; Lu 1:15; 7:33.

sem comer pão e sem beber vinho: Veja a nota de estudo em Mt 11:18.

cobradores de impostos: Muitos judeus trabalhavam para as autoridades romanas como cobradores de impostos. Eles eram odiados pelos outros judeus porque, além de colaborarem com o governo de Roma (que os judeus odiavam), roubavam o povo, cobrando mais dinheiro do que o imposto oficial. Os judeus em geral não se misturavam com cobradores de impostos e consideravam-nos como estando ao mesmo nível de pecadores e prostitutas. — Mt 11:19; 21:32.

cobradores de impostos: Veja a nota de estudo em Mt 5:46.

os seus filhos: Ou: “os seus resultados”. Neste versículo, Jesus falou da sabedoria como se fosse uma pessoa e disse que ela tem “filhos”. No relato paralelo em Mt 11:19, a sabedoria é descrita como tendo “obras”. Os filhos, ou as obras, da sabedoria eram as ações de João Batista e de Jesus. Essas ações provavam que as acusações contra eles eram falsas. Em outras palavras, Jesus estava a dizer: ‘É só observarem que as obras e a conduta da pessoa são justas, e vocês saberão que a acusação é falsa.’

entrou em casa do fariseu: O Evangelho de Lucas é o único que diz que Jesus aceitava convites de fariseus para comer com eles. Outras vezes em que isso aconteceu estão registadas em Lu 11:37 e 14:1.

Uma mulher, conhecida [...] como pecadora: A Bíblia diz que todos os humanos são pecadores. (2Cr 6:36; Ro 3:23; 5:12) Portanto, a palavra “pecadora” é usada aqui, não para falar simplesmente de alguém que peca, mas de alguém que pratica o pecado, talvez por cometer crimes ou por levar uma vida imoral. (Lu 19:7, 8) Embora a expressão grega traduzida como “conhecida [...] como” signifique literalmente “que era”, aqui provavelmente refere-se a uma pessoa ser conhecida por uma determinada característica ou por fazer parte de certa classe de pessoas. Lucas é o único a registar que esta mulher, que talvez fosse uma prostituta, derramou óleo perfumado sobre os pés de Jesus.

dívidas: Refere-se a pecados. Quando pecamos contra outra pessoa, é como se ficássemos em dívida com ela. Temos uma obrigação para com a pessoa e precisamos de pedir o seu perdão. Para recebermos o perdão de Deus, precisamos de perdoar os nossos devedores, ou seja, os que pecaram contra nós. — Mt 6:14, 15; 18:35; Lu 11:4.

cancelou a sua dívida: Ou: “perdoou a sua dívida (o seu empréstimo)”. Em sentido figurado, dívidas podem referir-se a pecados. — Veja a nota de estudo em Mt 6:12.

aquele que está em dívida para connosco: Ou: “aquele que peca contra nós”. Quando pecamos contra uma pessoa, ficamos de certa forma em dívida para com ela. Temos uma obrigação para com ela e precisamos de pedir o seu perdão. Na oração-modelo que Jesus ensinou no Sermão do Monte, ele usou a palavra “dívidas”, em vez de pecados. (Veja a nota de estudo em Mt 6:12.) A palavra grega para perdoar significa literalmente “deixar ir embora”, ou seja, deixar uma dívida “ir-se embora”, não exigindo que ela seja paga.

Dois homens eram devedores: Os judeus do primeiro século EC conheciam bem a relação entre credores e devedores, e Jesus, às vezes, usava essa relação nas suas ilustrações. (Mt 18:23-35; Lu 16:1-8) Lucas é o único que regista esta ilustração sobre os dois homens que eram devedores, sendo que um deles devia dez vezes mais do que o outro. Jesus contou esta ilustração porque, quando a mulher derramou óleo perfumado sobre os pés dele, o dono da casa, Simão, não reagiu bem. (Lu 7:36-40) Jesus comparou o pecado a uma dívida que é demasiado grande para ser paga, e destacou que “aquele a quem se perdoa pouco, ama pouco”. — Lu 7:47; veja as notas de estudo em Mt 6:12; 18:27; Lu 11:4.

denários: O denário era uma moeda romana de prata que pesava 3,85 gramas e tinha a imagem de César num dos lados. O texto de Mt 20:2 mostra que os trabalhadores rurais dos dias de Jesus geralmente ganhavam um denário por um dia de trabalho (12 horas). — Veja o Glossário, “Denário”, e o Apêndice B14-B.

água para os pés: Assim como ainda acontece em algumas partes do mundo, antigamente, a maioria das viagens era feita a pé. Algumas pessoas andavam descalças, mas muitas usavam sandálias, que não passavam de uma sola com algumas tiras de couro. Quando entravam numa casa, as pessoas tiravam as sandálias. Uma forma importante de mostrar hospitalidade era lavar os pés dos visitantes. Isso era feito pelo dono da casa ou por um servo. No mínimo, o convidado recebia água para poder lavar os seus pés. — Gén 18:4; 24:32; 1Sa 25:41; Lu 7:37, 38.

Tu não me deste nenhum beijo: Nos tempos bíblicos, beijar era uma forma de mostrar carinho ou respeito. Às vezes, o beijo era dado nos lábios (Pr 24:26), no rosto ou, em casos excecionais, até nos pés (Lu 7:37, 38). Era comum beijar os familiares. Além de beijar as mulheres (Gén 29:11; 31:28), os homens também se beijavam uns aos outros (Gén 27:26, 27; 45:15; Êx 18:7; 2Sa 14:33). Também era comum beijar amigos achegados. — 1Sa 20:41, 42; 2Sa 19:39.

Multimédia

Palácios reais
Palácios reais

Quando Jesus falou dos que moravam nos “palácios reais” (Lu 7:25) ou “palácios dos reis” (Mt 11:8), as pessoas talvez se tenham lembrado dos vários palácios luxuosos construídos por Herodes, o Grande. A fotografia mostra as ruínas de apenas uma parte de um complexo de palácios de inverno que ele construiu em Jericó. A construção mostrada na fotografia tinha um saguão para receber convidados que era rodeado de colunas e media 29 metros por 19 metros. Também tinha pátios com colunas rodeados por vários aposentos, e uma casa de banho com sistemas de refrigeração e de aquecimento. Anexo ao palácio havia um jardim com diversos níveis. Esse palácio talvez tenha sido incendiado durante uma revolta que aconteceu algumas décadas antes de João Batista iniciar o seu trabalho de pregação, mas foi reconstruído pelo filho de Herodes, Arquelau.

Praças
Praças

As praças eram áreas abertas usadas como locais de reuniões públicas e como mercados. Alguns mercados ficavam ao longo de uma rua, como mostrado aqui. Os vendedores costumavam colocar tantas mercadorias na rua que dificultavam a movimentação das pessoas. Os moradores podiam comprar alimentos frescos, itens para a casa, artigos de barro ou cerâmica e objetos caros feitos de vidro. Como na época não existiam frigoríficos, as pessoas precisavam de ir ao mercado todos os dias para comprar alimentos. Ali, ficavam a saber de notícias trazidas pelos comerciantes ou por outras pessoas de fora. As crianças brincavam nesses lugares, e quem estava sem trabalho ficava ali à espera de que alguém o contratasse. Nessas praças, Jesus curou doentes e Paulo pregou. (At 17:17) Os orgulhosos escribas e fariseus gostavam de chamar a atenção e de ser cumprimentados nessas áreas públicas.

Flauta de osso
Flauta de osso

Nos tempos bíblicos, as flautas podiam ser feitas de junco, cana ou até de osso ou de marfim. A flauta era um dos instrumentos musicais mais populares. As pessoas tocavam flauta em ocasiões alegres, como banquetes e casamentos. (1Rs 1:40; Is 5:12; 30:29) As crianças imitavam esse costume quando brincavam em lugares públicos. As pessoas também tocavam flauta em ocasiões tristes. Lamentadores profissionais, muitas vezes, eram acompanhados de flautistas que tocavam melodias tristes. O pedaço de flauta mostrado na fotografia foi encontrado em Jerusalém numa camada de destroços que data da época em que os romanos destruíram o templo. Esta peça tem cerca de 15 centímetros de comprimento e, provavelmente, foi feita de um osso da perna dianteira de uma vaca.

Frasco de alabastro
Frasco de alabastro

Originalmente, estes pequenos frascos para perfume eram feitos de uma pedra encontrada perto de Alabastron, no Egito. Com o tempo, essa pedra, que é um tipo de carbonato de cálcio, passou a ser conhecida como alabastro. O frasco mostrado aqui foi descoberto no Egito e é datado do período entre 150 AEC e 100 EC. Existiam frascos feitos com materiais mais baratos, como o gesso, que também eram chamados alabastros porque eram usados da mesma forma. No entanto, era nos frascos feitos de alabastro verdadeiro que se guardavam óleos e perfumes mais caros, como os que foram derramados em Jesus em duas ocasiões – na casa de um fariseu na Galileia e na casa de Simão, o leproso, em Betânia.