Aos Filipenses 3:1-21

3  Por fim, meus irmãos, continuem a alegrar-se no Senhor.+ Não me custa escrever-vos as mesmas coisas, e é para a vossa segurança.  Cuidado com os cães; cuidado com os que causam dano; cuidado com os que mutilam a carne.+  Pois nós somos os que têm a verdadeira circuncisão,+ os que prestam serviço sagrado pelo espírito de Deus e se orgulham em Cristo Jesus,+ e os que não baseiam a sua confiança na carne,  apesar de eu, mais do que ninguém, ter motivos para confiar na carne. Se qualquer outro homem acha que tem motivos para confiar na carne, eu tenho muito mais:  circuncidado ao oitavo dia,+ da nação de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu nascido de hebreus;+ com respeito à Lei, fariseu;+  com respeito ao zelo, perseguidor da congregação;+ com respeito à justiça baseada na Lei, alguém que se mostrou irrepreensível.  Contudo, as coisas que para mim eram ganho, considerei-as como perda* por causa do Cristo.+  Mais do que isso, considero realmente todas as coisas como perda, por causa do valor superior do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por sua causa aceitei a perda de todas as coisas e considero-as simplesmente como lixo, para ganhar Cristo  e ser encontrado em união com ele, não por causa da minha própria justiça por seguir a Lei, mas por causa da justiça que vem por meio da fé+ em Cristo,+ a justiça que procede de Deus e se baseia na fé.+ 10  O que eu quero é conhecê-lo a ele e ao poder da sua ressurreição,+ e participar nos seus sofrimentos,+ submetendo-me a uma morte semelhante à dele,+ 11  para ver se, de alguma maneira, consigo alcançar a ressurreição dentre os mortos que ocorrerá mais cedo.+ 12  Não é que já o tenha recebido, ou que já me tenha tornado perfeito, mas empenho-me+ para ver se consigo obter aquilo para o qual Cristo Jesus me escolheu.*+ 13  Irmãos, ainda não considero que já o tenha obtido; mas uma coisa é certa: esquecendo-me das coisas atrás+ e esticando-me para alcançar as coisas à frente,+ 14  empenho-me em alcançar o alvo, para receber o prémio+ da chamada para cima+ da parte de Deus, por meio de Cristo Jesus. 15  Então, que todos nós que somos maduros+ tenhamos esta atitude mental; e, se em algum sentido estiverem inclinados a pensar de outra maneira, Deus irá revelar-vos a atitude correta.* 16  De qualquer modo, seja qual for o progresso que já fizemos, continuemos a andar neste mesmo rumo. 17  Irmãos, tornem-se unidamente meus imitadores,+ e continuem a observar os que andam de acordo com o exemplo que nós vos demos. 18  Pois há muitos — eu mencionava-os muitas vezes, mas agora menciono-os também com choro — que andam como inimigos da estaca do Cristo. 19  O seu fim é a destruição, o seu deus é o ventre,+ orgulham-se do que se deveriam envergonhar e fixam a mente em coisas terrenas.+ 20  Mas a nossa cidadania+ está nos céus,+ de onde aguardamos ansiosamente um salvador, o Senhor Jesus Cristo,+ 21  que transformará o nosso corpo humilde para o tornar como o seu corpo glorioso+ por meio do seu grande poder, que o torna capaz de sujeitar todas as coisas a si mesmo.+

Notas de rodapé

Ou, possivelmente: “voluntariamente abandonei”.
Lit: “agarrou-me”.
Ou: “de cima”.

Notas de estudo

Alegrem-se sempre no Senhor: Paulo novamente incentiva os filipenses a ‘alegrarem-se no Senhor’. (Veja a nota de estudo em Fil 3:1.) É verdade que neste contexto o título “Senhor” poderia referir-se tanto a Jeová Deus como a Jesus Cristo. Mas, aparentemente, Paulo aqui está a referir-se a conselhos parecidos encontrados nas Escrituras Hebraicas e que se referem a Jeová. — Sal 32:11; 97:12.

continuem a alegrar-se no Senhor: Na sua carta aos filipenses, Paulo fala várias vezes da sua própria alegria e incentiva os seus irmãos a alegrarem-se. (Fil 1:18; 2:17, 18, 28, 29; 4:1, 4, 10) O facto de Paulo destacar a alegria é impressionante, visto que tudo indica que ele escreveu esta carta enquanto estava em prisão domiciliária. A expressão “no Senhor” pode significar, entre outras coisas, “em relação ao [ou: “em união com o”] Senhor” ou “por causa do Senhor”. É verdade que neste contexto o título “Senhor” poderia referir-se tanto a Jeová Deus como a Jesus Cristo. Mas aqui Paulo talvez estivesse a referir-se a conselhos parecidos encontrados nas Escrituras Hebraicas e que se relacionam com Jeová. — Sal 32:11; 97:12; veja “Introdução a Filipenses” e a nota de estudo em Fil 4:4.

nós somos os que têm a verdadeira circuncisão: Essa frase pode ser traduzida literalmente como “nós somos a circuncisão”. Aqui, Paulo refere-se aos cristãos como o grupo que tinha a única circuncisão que agora era exigida e aprovada por Deus: a circuncisão do coração. (Veja a nota de estudo em Ro 2:29.) Talvez Paulo estivesse a terminar o jogo de palavras iniciado no versículo 2. — Veja a nota de estudo em Fil 3:2.

Cuidado com: Neste versículo, o verbo grego traduzido como “cuidado com” aparece três vezes seguido de palavras que começam com a mesma consoante grega. (Veja a Kingdom Interlinear.) Esse recurso literário deu mais destaque e importância às palavras de Paulo. Além disso, Paulo descreve de três formas diferentes o grupo que estava a ameaçar a fé dos filipenses. Isso faz um contraste com as três formas como os fiéis são descritos no versículo 3.

os cães: Aqui, Paulo usou a palavra “cães” em sentido figurado para alertar os filipenses contra falsos instrutores. Muitos desses falsos instrutores eram judaizantes, que insistiam que os cristãos deviam seguir a Lei mosaica. De acordo com a Lei, os cães eram animais impuros. Por isso, nas Escrituras essa palavra normalmente tem um sentido muito negativo. (Le 11:27; veja a nota de estudo em Mt 7:6.) Nas cidades, os cães muitas vezes alimentavam-se de restos de comida que encontravam no lixo. Por isso, eram conhecidos por comerem alimentos que as pessoas consideravam detestáveis, especialmente aquelas que tinham sido ensinadas a obedecer à Lei mosaica. (Êx 22:31; 1Rs 14:11; 21:19; Pr 26:11) Nas Escrituras Hebraicas, os inimigos dos servos fiéis de Deus às vezes são comparados a cães. (Sal 22:16; 59:5, 6) Ao dizer que os falsos instrutores eram como cães, Paulo queria mostrar que eles não eram puros e não estavam em condições de transmitir a outros os ensinos de Cristo.

os que mutilam a carne: Para se referir aos que apoiavam a circuncisão, Paulo usou a expressão “os que mutilam a carne” (lit.: “o corte”). Ele talvez tenha feito um jogo de palavras com a expressão “os que têm a verdadeira circuncisão” (lit.: “o corte em volta”) que aparece no versículo 3. — Veja a nota de estudo em Fil 3:3.

Não deem aos cães o que é santo, nem lancem as vossas pérolas diante dos porcos: De acordo com a Lei mosaica, os porcos e os cães eram impuros. (Le 11:7, 27) Os israelitas podiam atirar aos cães a carne de um animal morto por um animal selvagem. (Êx 22:31) Mas a tradição judaica dizia que era proibido dar aos cães “carne sagrada”, ou seja, a carne de animais sacrificados a Jeová. Em Mt 7:6, os “cães” e os “porcos” representam pessoas que não reconhecem o valor das verdades preciosas da Palavra de Deus. Assim como um porco não dá nenhum valor às pérolas, esse tipo de pessoa não dá valor às verdades da Palavra de Deus. Essas pessoas até podem maltratar aqueles que querem partilhar essa mensagem preciosa com elas.

circuncisão [...] do coração: Tanto as Escrituras Hebraicas como as Escrituras Gregas Cristãs, às vezes, usam a palavra “circuncisão” em sentido figurado. (Veja o Glossário, “Circuncisão”.) Todos os homens israelitas eram circuncidados em sentido literal. Mesmo assim, Deus exigia que também fossem circuncidados no coração. Uma tradução literal das palavras de Moisés para a nação de Israel em De 10:16 e 30:6 (veja as notas de rodapé) seria: “Circuncidem o prepúcio do vosso coração” e “Jeová, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração da tua descendência”. Mais tarde, Jeremias também aconselhou aquela nação desobediente a fazer o mesmo. (Je 4:4) Para “circuncidar” o coração, a pessoa precisa de o purificar, eliminando qualquer pensamento, apego ou motivação que desagrade a Jeová ou que ele considere impuro. Ao fazer isso, a pessoa evita que o seu coração se torne insensível. Na Bíblia, o ouvido que não reage às orientações de Deus também é chamado “incircunciso”. — Je 6:10, nota de rodapé; veja a nota de estudo em At 7:51.

os que mutilam a carne: Para se referir aos que apoiavam a circuncisão, Paulo usou a expressão “os que mutilam a carne” (lit.: “o corte”). Ele talvez tenha feito um jogo de palavras com a expressão “os que têm a verdadeira circuncisão” (lit.: “o corte em volta”) que aparece no versículo 3. — Veja a nota de estudo em Fil 3:3.

nós somos os que têm a verdadeira circuncisão: Essa frase pode ser traduzida literalmente como “nós somos a circuncisão”. Aqui, Paulo refere-se aos cristãos como o grupo que tinha a única circuncisão que agora era exigida e aprovada por Deus: a circuncisão do coração. (Veja a nota de estudo em Ro 2:29.) Talvez Paulo estivesse a terminar o jogo de palavras iniciado no versículo 2. — Veja a nota de estudo em Fil 3:2.

prestam serviço sagrado: Ou: “servem (adoram)”. O verbo grego usado aqui, latreúo, tem o sentido básico de “servir”. Na Bíblia, refere-se a servir a Deus ou trabalhar em coisas relacionadas com a adoração a ele. — Mt 4:10; Lu 2:37; At 7:7; Ro 1:9; 2Ti 1:3; He 9:14; Ap 22:3.

ter motivos para confiar na carne: Ao usar a palavra “carne”, Paulo referiu-se a coisas que, do ponto de vista humano, ou carnal, lhe teriam dado vantagens. Ele cita algumas dessas coisas em Fil 3:5, 6.

da tribo de Benjamim: Neste versículo e em Ro 11:1, Paulo revela que é da tribo de Benjamim. Ele faz isso para destacar um aspeto da sua origem judaica. Benjamim era uma tribo muito respeitada. No seu leito de morte, o patriarca Jacó tinha profetizado o seguinte sobre os descendentes de Benjamim: “Benjamim continuará a dilacerar como um lobo. De manhã, comerá a presa e, ao anoitecer, repartirá o despojo.” (Gén 49:27) Daquela tribo, realmente tinham saído muitos guerreiros valentes e habilidosos que lutaram como lobos para defender o povo de Jeová. Alguns benjaminitas cumpriram essa profecia “de manhã”, ou seja, quando Jeová estabeleceu o seu reinado em Israel; outros fizeram isso “ao anoitecer”, ou seja, depois de aquele reinado ter sido interrompido. (1Sa 9:15-17; 1Cr 12:2; Est 2:5-7) Em sentido espiritual, Paulo também foi um grande guerreiro, lutando contra doutrinas e práticas erradas. Além disso, teve um papel importante em ensinar inúmeros cristãos a serem bem-sucedidos nessa luta. — Ef 6:11-17.

hebreu nascido de hebreus: Aqui, Paulo explica o mesmo ponto de 2Co 11:22, destacando a sua origem judaica. (Veja a nota de estudo.) Por outras palavras, ele estava a dizer que era mesmo hebreu, não de uma linhagem de não judeus. Paulo talvez tenha dito isso por causa de falsos instrutores que se gabavam por terem uma formação judaica e que questionavam se ele era realmente judeu. No entanto, Paulo enfatiza que coisas como essas tinham pouca importância para ele. — Veja a nota de estudo em Fil 3:78.

com respeito à Lei, fariseu: Aqui, Paulo fala sobre a sua formação no judaísmo. Ele provavelmente queria dizer que tinha sido criado por pais que seguiam de perto o ensino dos fariseus, um ramo do judaísmo. (Veja a nota de estudo em At 23:6.) Outros cristãos também já tinham sido fariseus. O texto de At 15:5 (veja a nota de estudo) refere-se a eles como “alguns da seita dos fariseus”.

da seita dos fariseus: Pelos vistos, esses cristãos ainda estavam de alguma forma ligados ao seu passado como fariseus. — Compare com a nota de estudo em At 23:6.

eu sou fariseu: Alguns dos que estavam ali conheciam Paulo. (At 22:5) Com certeza, eles entenderam que, quando Paulo afirmou que era filho de fariseus, estava simplesmente a reconhecer que tinha a mesma formação que eles. Por isso, os fariseus do Sinédrio não pensariam que Paulo estava a fingir ser o que não era quando disse que era fariseu. Eles sabiam que Paulo se tinha tornado um cristão zeloso. Neste contexto, as palavras de Paulo davam a entender que ele se identificava, até certo ponto, com os fariseus, e não com os saduceus, porque os fariseus acreditavam na ressurreição, assim como ele. Dessa forma, Paulo mostrou que eles tinham algo em comum. Tudo indica que, ao levantar este assunto polémico, a intenção dele era fazer com que alguns membros do Sinédrio tomassem o lado dele, e isso funcionou. (At 23:7-9) O que Paulo disse aqui em At 23:6 também está de acordo com o que ele disse sobre si mesmo quando se defendeu diante do rei Agripa. (At 26:5) Além disso, quando Paulo estava em Roma e escreveu aos cristãos em Filipos, falou novamente sobre o seu passado como fariseu. (Fil 3:5) Também é interessante o modo como outros cristãos que tinham sido fariseus são descritos em At 15:5. — Veja a nota de estudo em At 15:5.

lixo: A palavra traduzida aqui como “lixo” só aparece neste versículo nas Escrituras Gregas Cristãs. Também pode ser traduzida como “resto”, “refugo” e até “esterco”. Por usar essa palavra, Paulo mostrou de forma bem expressiva o valor relativo que passou a dar às vantagens e oportunidades que eram tão importantes para ele antes de se tornar cristão. (Veja a nota de estudo em Fil 3:5.) Ele mostrou que estava determinado a apegar-se à sua decisão de deixar para trás aquelas vantagens, sem nunca se arrepender. Tudo aquilo que um dia tinha sido importante para ele agora não passava de lixo quando comparado com o “valor superior do conhecimento de Cristo Jesus”.

ganho […] perda: Os termos que Paulo usou para “ganho” e “perda” eram comuns no mundo comercial. Ele usou esses termos para se referir às coisas que considerava importantes na vida. Paulo foi criado como fariseu. (Fil 3:5, 6) Ele já nasceu com todos os privilégios e direitos de um cidadão romano. (At 22:28) Como aluno de Gamaliel, ele tinha um alto grau de instrução e era fluente tanto em grego como em hebraico. Paulo poderia ter-se destacado muito no judaísmo. (At 21:37, 40; 22:3) Mas ele abdicou dessas vantagens e oportunidades; considerou-as como perda para poder tornar-se um seguidor fiel de Cristo. Paulo viveu de acordo com o conselho que Jesus deu aos seus discípulos: eles deviam avaliar com cuidado as suas prioridades a respeito do que consideravam ganhos e perdas. — Mt 16:26.

ganho […] perda: Os termos que Paulo usou para “ganho” e “perda” eram comuns no mundo comercial. Ele usou esses termos para se referir às coisas que considerava importantes na vida. Paulo foi criado como fariseu. (Fil 3:5, 6) Ele já nasceu com todos os privilégios e direitos de um cidadão romano. (At 22:28) Como aluno de Gamaliel, ele tinha um alto grau de instrução e era fluente tanto em grego como em hebraico. Paulo poderia ter-se destacado muito no judaísmo. (At 21:37, 40; 22:3) Mas ele abdicou dessas vantagens e oportunidades; considerou-as como perda para poder tornar-se um seguidor fiel de Cristo. Paulo viveu de acordo com o conselho que Jesus deu aos seus discípulos: eles deviam avaliar com cuidado as suas prioridades a respeito do que consideravam ganhos e perdas. — Mt 16:26.

lixo: A palavra traduzida aqui como “lixo” só aparece neste versículo nas Escrituras Gregas Cristãs. Também pode ser traduzida como “resto”, “refugo” e até “esterco”. Por usar essa palavra, Paulo mostrou de forma bem expressiva o valor relativo que passou a dar às vantagens e oportunidades que eram tão importantes para ele antes de se tornar cristão. (Veja a nota de estudo em Fil 3:5.) Ele mostrou que estava determinado a apegar-se à sua decisão de deixar para trás aquelas vantagens, sem nunca se arrepender. Tudo aquilo que um dia tinha sido importante para ele agora não passava de lixo quando comparado com o “valor superior do conhecimento de Cristo Jesus”.

com respeito à Lei, fariseu: Aqui, Paulo fala sobre a sua formação no judaísmo. Ele provavelmente queria dizer que tinha sido criado por pais que seguiam de perto o ensino dos fariseus, um ramo do judaísmo. (Veja a nota de estudo em At 23:6.) Outros cristãos também já tinham sido fariseus. O texto de At 15:5 (veja a nota de estudo) refere-se a eles como “alguns da seita dos fariseus”.

da justiça que vem por meio da fé em Cristo: Veja a nota de estudo em Gál 2:16.

submetendo-me a uma morte semelhante à dele: Os cristãos ungidos aceitam sofrer uma morte como a de Jesus no sentido de que passam a viver uma vida de sacrifícios, o que inclui abdicar da esperança de viver para sempre na Terra. Durante toda a sua vida, eles mantêm a integridade ao passar por provações; participam nos sofrimentos de Cristo, e alguns deles até enfrentam a morte diariamente. O modo de vida desses cristãos resulta na sua morte como servos fiéis de Deus, uma morte como a de Cristo. Depois, eles são ressuscitados como criaturas espirituais. — Mr 10:38, 39; Ro 6:4, 5; veja a nota de estudo em Ro 6:3.

batizados na sua morte: Ou: “imersos na sua morte”. Paulo usa aqui a palavra grega baptízo (“mergulhar; imergir”). Depois do seu batismo em água em 29 EC, Jesus começou a passar pelo batismo mencionado em Mr 10:38. (Veja a nota de estudo.) Esse batismo, que estava em andamento durante todo o ministério de Jesus, ficou completo quando ele foi executado em 14 de nisã de 33 EC e ressuscitado três dias depois. Em Mr 10:39, Jesus disse aos seus seguidores que eles seriam batizados “com o batismo com que [ele estava] a ser batizado”. Os cristãos ungidos, como membros do corpo de Cristo, são ‘batizados na morte’ de Jesus no sentido de que, assim como Jesus, passam a viver uma vida de sacrifícios, que inclui abdicar da esperança de viver para sempre na Terra. Este batismo continua durante toda a vida deles, à medida que mantêm a integridade ao passarem por provações, e completa-se quando eles morrem e são ressuscitados como criaturas espirituais. — Ro 6:4, 5.

a ressurreição […] que ocorrerá mais cedo: Muitas traduções dizem apenas “ressurreição”. No entanto, Paulo não usou a palavra grega geralmente usada para ressurreição (anástasis), mas uma relacionada com ela (exanástasis; lit.: “fora-ressurreição”, Kingdom Interlinear), que só aparece aqui nas Escrituras Gregas Cristãs. Por isso, vários estudiosos dizem que essa expressão se refere a uma ressurreição especial. Na literatura grega clássica, esse termo era usado para se referir à ideia de alguém se levantar cedo de manhã. O facto de Paulo ter usado essa palavra específica dá a entender que ele estava a pensar numa ressurreição que ocorreria mais cedo na corrente do tempo (1Co 15:23; 1Te 4:16), antes da ressurreição geral dos mortos para viverem na Terra (Jo 5:28, 29; At 24:15). Essa ressurreição que ia ocorrer mais cedo também é chamada “a primeira ressurreição”; envolve a ressurreição dos seguidores ungidos de Cristo para viverem no céu. — Ap 20:4-6.

Cristo Jesus: Alguns manuscritos dizem apenas “Cristo”. Mas a frase mais longa, que inclui “Jesus”, aparece em vários manuscritos muito antigos e confiáveis.

com respeito à Lei, fariseu: Aqui, Paulo fala sobre a sua formação no judaísmo. Ele provavelmente queria dizer que tinha sido criado por pais que seguiam de perto o ensino dos fariseus, um ramo do judaísmo. (Veja a nota de estudo em At 23:6.) Outros cristãos também já tinham sido fariseus. O texto de At 15:5 (veja a nota de estudo) refere-se a eles como “alguns da seita dos fariseus”.

lixo: A palavra traduzida aqui como “lixo” só aparece neste versículo nas Escrituras Gregas Cristãs. Também pode ser traduzida como “resto”, “refugo” e até “esterco”. Por usar essa palavra, Paulo mostrou de forma bem expressiva o valor relativo que passou a dar às vantagens e oportunidades que eram tão importantes para ele antes de se tornar cristão. (Veja a nota de estudo em Fil 3:5.) Ele mostrou que estava determinado a apegar-se à sua decisão de deixar para trás aquelas vantagens, sem nunca se arrepender. Tudo aquilo que um dia tinha sido importante para ele agora não passava de lixo quando comparado com o “valor superior do conhecimento de Cristo Jesus”.

o prémio da chamada para cima: Paulo sabia que a sua esperança era a mesma dos outros cristãos ungidos: governar com Cristo no céu no Reino messiânico. (2Ti 2:12; Ap 20:6) A “chamada para cima” é, na verdade, um convite para fazer parte do Reino celestial. No entanto, para receber “o prémio”, os “participantes da chamada [ou: “do convite”] celestial” precisam de ‘assegurar-se da sua chamada e escolha’ por permanecerem “fiéis”. — He 3:1, 2, nota de rodapé; 2Pe 1:10; Ap 17:14; veja a nota de estudo em Fil 3:20.

esquecendo-me das coisas atrás: A palavra grega que foi traduzida aqui como “esquecendo” pode significar “não se preocupar”. É claro que Paulo não tinha apagado da memória as “coisas atrás”; afinal, ele tinha acabado de alistar algumas delas. (Veja a nota de estudo em Fil 3:5.) No entanto, ao tornar-se cristão, ele escolheu concentrar-se no que viria, assim como um corredor que se concentra na parte da corrida que está à sua frente. (Veja a nota de estudo em esticando-me para alcançar as coisas à frente neste versículo.) Fazer isso ajudou Paulo a esquecer-se das “coisas atrás”, ou seja, a não se preocupar com as vantagens e oportunidades que tinha quando era um grande defensor do judaísmo. Ele recusou-se a ficar a pensar nelas visto que já não eram importantes para ele. — Veja a nota de estudo em Fil 3:8.

esticando-me para alcançar as coisas à frente: As palavras de Paulo dão a entender que ele está a comparar-se a um corredor, talvez fazendo uma referência indireta aos atletas nos jogos gregos. (Veja as notas de estudo em 1Co 9:24.) As pessoas no mundo greco-romano estavam bem familiarizadas com as corridas, e os corredores costumavam ser representados em estátuas e em vasos. Os participantes de uma corrida não se concentravam no que estava atrás deles; isso só iria fazê-los diminuir o ritmo. A propósito dos corredores, o escritor grego Luciano, do século 2 EC, disse: “Um bom corredor desde o momento [da largada] só pensa em avançar, fixa a sua mente na linha de chegada e conta com as suas pernas para vencer.” O corredor faria todo o esforço possível e imaginável para alcançar o seu objetivo: a linha de chegada. Paulo manteve o foco, não nas coisas que tinha deixado para trás, mas na recompensa que tinha à frente. — Veja a nota de estudo em Fil 3:14.

o prémio da chamada para cima: Paulo sabia que a sua esperança era a mesma dos outros cristãos ungidos: governar com Cristo no céu no Reino messiânico. (2Ti 2:12; Ap 20:6) A “chamada para cima” é, na verdade, um convite para fazer parte do Reino celestial. No entanto, para receber “o prémio”, os “participantes da chamada [ou: “do convite”] celestial” precisam de ‘assegurar-se da sua chamada e escolha’ por permanecerem “fiéis”. — He 3:1, 2, nota de rodapé; 2Pe 1:10; Ap 17:14; veja a nota de estudo em Fil 3:20.

a nossa cidadania: A cidade de Filipos era uma colónia romana, e os seus habitantes tinham muitos privilégios. (Veja as notas de estudo em At 16:12, 21.) Alguns da congregação em Filipos talvez tivessem um tipo de cidadania romana, o que era muito valorizado. A distinção entre cidadãos e não cidadãos era uma questão importante. Mas aqui Paulo refere-se à cidadania no céu, algo muito superior. (Ef 2:19) Ele incentiva os cristãos ungidos a concentrarem-se, não em coisas terrenas (Fil 3:19), mas na sua vida futura como “cidadãos” do céu. — Veja a nota de estudo em Fil 1:27.

continuemos a andar neste mesmo rumo: O verbo grego traduzido aqui como “andar [ou: “andar ordeiramente”] neste mesmo rumo” tem o sentido básico de “estar numa fila; alinhado”. No contexto militar, esse verbo era usado para descrever a forma unida e organizada como os soldados da linha da frente marchavam nos tempos antigos. Com o tempo, passou a ser usado em sentido figurado para transmitir a ideia de “seguir; estar de acordo com; apegar-se a” certo rumo ou padrão. Ao que tudo indica, Paulo estava a referir-se a avançar por seguir certo rumo. Os cristãos filipenses precisavam de continuar no rumo de vida cristão, apegando-se às verdades e aos padrões de comportamento que tinham aprendido. As expressões “andar corretamente” (At 21:24) e ‘andar ordeiramente’ (notas de rodapé em Ro 4:12; Gál 5:25; 6:16) também são usadas para traduzir esse verbo nas outras vezes em que aparece nas Escrituras Gregas Cristãs.

inimigos da estaca do Cristo: Esta expressão refere-se àqueles que se tinham tornado cristãos, mas que depois abandonaram a fé, praticando o pecado e procurando os seus próprios interesses. Isso fez com que eles se tornassem inimigos da adoração verdadeira. (Fil 3:19) O termo grego staurós, traduzido aqui como “estaca” (ou: “estaca de tortura”), é usado para representar a morte de Jesus como sacrifício na estaca. (Veja o Glossário, “Madeiro; Estaca”; “Estaca de tortura”.) Jesus morreu dessa forma para que a humanidade já não fosse escrava do pecado e pudesse reconciliar-se com Deus e ter uma forte amizade com Ele. Mas as ações daqueles “inimigos da estaca” mostravam que eles não davam valor aos benefícios que a morte de Jesus tornava possível. — He 10:29.

fim: Ou: “fim definitivo; fim completo”. Isso quer dizer que o fim dos “inimigos da estaca do Cristo” é a “destruição”. — Fil 3:18.

o seu deus é o ventre: Em sentido literal, a palavra grega koilía, traduzida como “ventre”, refere-se ao “estômago” ou às entranhas de uma pessoa. Aqui, é usada em sentido figurado para se referir ao apetite, ou desejo, carnal de uma pessoa. (Veja a nota de estudo em Ro 16:18.) Nos dias de Paulo, algumas peças de teatro gregas faziam referência a um “deus do ventre”, e as personagens dessas peças diziam que o seu ventre era “a maior das divindades”. O filósofo Séneca, que viveu na mesma época de Paulo, criticava quem era “escravo da sua barriga”. Parece que, para aqueles mencionados em Fil 3:18, entregar-se aos desejos da carne era mais importante do que servir a Jeová. Alguns talvez se excedessem na comida ou na bebida a ponto de se tornarem glutões ou beberrões. (Pro. 23:20, 21; veja também De 21:18-21.) Outros, em vez de darem prioridade ao serviço de Jeová, talvez tenham preferido procurar as oportunidades oferecidas pelo mundo daquela época. Alguns estudiosos sugerem que aqui Paulo estava a referir-se àquelas pessoas que seguiam rigorosamente as leis judaicas sobre alimentação. A preocupação delas com essas leis era tão grande que a comida se tornou algo muito importante para elas, tornou-se o seu deus.

dos seus próprios desejos: Ou: “do seu próprio ventre”. A palavra grega koilía, traduzida aqui como “desejos”, refere-se literalmente ao “estômago” ou às entranhas de uma pessoa. Neste versículo e em Fil 3:19, esta palavra é usada em sentido figurado para se referir ao apetite, ou desejo, carnal. Aqui, Paulo explica que aqueles que se tornam escravos “dos seus próprios desejos” não podem ser “escravos de Cristo, nosso Senhor”. O texto de Fil 3:19 fala de pessoas que tinham o seu “ventre”, ou seja, os seus desejos carnais, como o seu deus.

a nossa cidadania: A cidade de Filipos era uma colónia romana, e os seus habitantes tinham muitos privilégios. (Veja as notas de estudo em At 16:12, 21.) Alguns da congregação em Filipos talvez tivessem um tipo de cidadania romana, o que era muito valorizado. A distinção entre cidadãos e não cidadãos era uma questão importante. Mas aqui Paulo refere-se à cidadania no céu, algo muito superior. (Ef 2:19) Ele incentiva os cristãos ungidos a concentrarem-se, não em coisas terrenas (Fil 3:19), mas na sua vida futura como “cidadãos” do céu. — Veja a nota de estudo em Fil 1:27.

se comportem: Ou: “procedam como cidadãos”. O verbo grego que Paulo usou aqui está relacionado com as palavras gregas para “cidadania” (Fil 3:20) e “cidadão” (At 21:39). Os cidadãos romanos costumavam participar ativamente nas questões do Estado, visto que a cidadania romana era muito valorizada e trazia tanto responsabilidades como privilégios. (At 22:25-30) Portanto, ao associar uma forma desse verbo (traduzido aqui como “se comportem”) com a expressão de uma maneira digna das boas novas a respeito do Cristo, Paulo transmitiu a ideia de participar em atividades cristãs, especialmente na pregação das boas novas. Como os habitantes de Filipos tinham recebido um tipo de cidadania romana, é provável que eles estivessem familiarizados com essa ideia de participação ativa. — Veja as notas de estudo em At 23:1; Fil 3:20.

somos romanos: A cidade de Filipos era uma colónia romana e os seus habitantes tinham muitos privilégios. Entre esses privilégios, talvez estivesse uma espécie de cidadania que lhes dava alguns direitos de um cidadão romano. Isso talvez explique por que razão eles, pelos vistos, eram tão apegados a Roma. — Veja a nota de estudo em At 16:12.

Filipos: O nome original desta cidade era Crenides (Krenides). Por volta da metade do século 4 AEC, Filipe II, da Macedónia (pai de Alexandre, o Grande), tomou a cidade, que estava sob o domínio dos trácios, e deu-lhe o seu próprio nome. Naquela região, havia minas de ouro muito produtivas, e foram feitas moedas de ouro com o nome de Filipe. Por volta de 168 AEC, o cônsul romano Lúcio Emílio Paulo derrotou Perseu, o último dos reis macedónios, e conquistou Filipos e a região à volta. Em 146 AEC, toda a Macedónia tornou-se uma única província romana. Foi na planície de Filipos, em 42 AEC, que aconteceu a famosa batalha em que Otaviano (Otávio) e Marco António derrotaram os exércitos de Bruto e Caio Cássio Longino, que tinham assassinado Júlio César. Para comemorar a sua vitória, Otaviano tornou Filipos uma colónia romana. Alguns anos mais tarde, quando Otaviano foi nomeado pelo Senado como imperador e passou a ser conhecido como César Augusto, ele deu a Filipos o título de Colónia Júlia Augusta Filipense. — Veja o Apêndice B13.

transformará o nosso corpo humilde para o tornar como o seu corpo glorioso: Paulo aqui refere-se à transformação pela qual os cristãos ungidos têm de passar para viverem no céu como herdeiros com o Senhor Jesus Cristo. Primeiro, precisam de morrer como humanos. A seguir, no tempo determinado por Deus, ele trá-los de volta à vida num corpo totalmente novo. (2Co 5:1, 2) Eles recebem um corpo espiritual imperecível e imortal. (1Co 15:42-44, 53; veja a nota de estudo em 1Co 15:38.) Desse modo, o corpo humano humilde e imperfeito deles é substituído por um que é “como o” (lit.: “conformado ao”) corpo espiritual glorioso de Cristo. — Ro 8:14-18; 1Jo 3:2.

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Cidadania romana
Cidadania romana

Esta fotografia mostra uma das duas partes de um documento de bronze que foi emitido em 79 EC. O documento, que foi dado a um marinheiro que estava prestes a reformar-se, certificava que ele, a esposa e o filho tinham recebido a cidadania romana. Quando o documento ficava pronto, as suas duas partes eram unidas uma à outra e eram seladas. Algumas pessoas conseguiam a cidadania romana mais tarde na vida, mas outras já nasciam com ela. (Veja a nota de estudo em At 22:28.) Nos dois casos, o documento de cidadania era muito valorizado, já que, às vezes, uma pessoa precisava de provar que tinha a cidadania para fazer uso dos privilégios que ela dava. Mas Paulo falou de um tipo de cidadania que tem muito mais valor, a cidadania que “está nos céus”. — Fil 3:20.