As Boas Novas Segundo João 6:1-71

6  Depois disto, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades.+  E uma grande multidão seguia-o,+ porque observavam os sinais milagrosos que ele realizava, curando os doentes.+  Assim, Jesus subiu a um monte e sentou-se ali com os seus discípulos.  Aproximava-se a Páscoa,+ a festividade dos judeus.  Quando Jesus levantou os olhos e viu que uma grande multidão se aproximava dele, perguntou a Filipe:+ “Onde é que vamos comprar pão para eles comerem?”+  No entanto, dizia isto para testá-lo, pois ele sabia o que ia fazer.  Filipe respondeu-lhe: “Pães no valor de 200 denários nem sequer chegam para que cada um coma um pouco.”  Um dos seus discípulos, André, que era irmão de Simão Pedro, disse-lhe:  “Há aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos. Mas o que é isso para tanta gente?”+ 10  Jesus disse: “Mandem as pessoas sentarem-se.” Havia muita relva naquele lugar; assim, sentaram-se ali cerca de 5000 homens.+ 11  Jesus pegou nos pães e, depois de dar graças, distribuiu-os aos que estavam sentados ali; fez o mesmo com os peixinhos, e eles comeram tudo o que quiseram. 12  Mas, quando ficaram satisfeitos, ele disse aos discípulos: “Juntem os pedaços que sobraram, para que nada se desperdice.” 13  Portanto, juntaram os pedaços e encheram 12 cestos com as sobras deixadas pelas pessoas que tinham comido dos cinco pães de cevada. 14  Quando o povo viu o sinal que ele realizou, começaram a dizer: “Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo.”+ 15  Então, Jesus, sabendo que estavam para vir, a fim de fazê-lo rei, retirou-se+ novamente para o monte, sozinho.+ 16  Quando caiu a noite, os seus discípulos desceram em direção ao mar,+ 17  entraram num barco e partiram, atravessando o mar rumo a Cafarnaum. Já tinha escurecido, e Jesus ainda não tinha ido ao encontro deles.+ 18  E o mar estava a ficar agitado, porque soprava um vento forte.+ 19  No entanto, depois de remarem uns cinco ou seis quilómetros, viram Jesus a andar sobre o mar e a aproximar-se do barco, e ficaram com medo. 20  Mas ele disse-lhes: “Sou eu; não tenham medo!”+ 21  Então, eles estavam dispostos a recebê-lo no barco, e o barco rapidamente chegou à terra para onde iam.+ 22  No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar percebeu que ali só havia um barco pequeno, e que Jesus não tinha entrado no barco com os seus discípulos, mas que os discípulos tinham partido sozinhos. 23  No entanto, barcos de Tiberíades aproximaram-se do lugar onde eles tinham comido os pães depois de o Senhor ter dado graças. 24  Então, quando a multidão viu que nem Jesus nem os discípulos estavam lá, entraram nos seus barcos e foram a Cafarnaum, à procura de Jesus. 25  Ao encontrarem Jesus do outro lado do mar, disseram-lhe: “Rabi,+ quando é que chegou aqui?” 26  Jesus respondeu-lhes: “Digo-vos com toda a certeza: Vocês procuram-me, não porque viram sinais, mas porque comeram dos pães e ficaram satisfeitos.+ 27  Trabalhem, não pelo alimento que perece,+ mas pelo alimento que permanece para a vida eterna,+ que o Filho do Homem vos dará; pois o Pai, o próprio Deus, colocou nele o seu selo de aprovação.”+ 28  Então, perguntaram-lhe: “O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” 29  Jesus respondeu-lhes: “Esta é a obra de Deus: que exerçam fé naquele que ele enviou.”+ 30  Disseram-lhe então: “Que sinal realizará,+ para que vejamos e acreditemos em si? Que obra fará? 31  Os nossos antepassados comeram o maná no deserto,+ assim como está escrito: ‘Ele deu-vos pão do céu para comer.’”+ 32  Então, Jesus disse-lhes: “Digo-vos com toda a certeza: Moisés não vos deu o pão do céu, mas o meu Pai dá-vos o verdadeiro pão do céu. 33  Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.”+ 34  Disseram-lhe, portanto: “Senhor, dê-nos sempre desse pão.” 35  Jesus disse-lhes: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem exerce fé em mim nunca mais terá sede.+ 36  Mas, como eu vos disse, vocês viram-me, e mesmo assim não creem.+ 37  Todos os que o Pai me dá virão a mim, e eu nunca rejeitarei aquele que vem a mim;+ 38  pois desci do céu+ não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou.+ 39  Esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu,+ mas que eu os ressuscite+ no último dia. 40  Pois esta é a vontade do meu Pai: que todo aquele que reconhece o Filho e exerce fé nele tenha vida eterna,+ e eu irei ressuscitá-lo+ no último dia.” 41  Então, os judeus começaram a falar contra ele, porque ele tinha dito: “Eu sou o pão que desceu do céu.”+ 42  E começaram a dizer: “Não é este Jesus, o filho de José? Não conhecemos o pai e a mãe dele?+ Como é que agora ele diz: ‘Eu desci do céu’?” 43  Em resposta, Jesus disse-lhes: “Parem de resmungar entre vocês. 44  Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai, que me enviou, o atraia,+ e eu irei ressuscitá-lo no último dia.+ 45  Está escrito nos Profetas: ‘Todos eles serão ensinados* por Jeová.’+ Todo aquele que ouve o Pai e aprende vem a mim. 46  Não é que alguém tenha visto o Pai,+ exceto aquele que vem de Deus. Esse viu o Pai.+ 47  Digo-vos com toda a certeza: Quem crê, tem vida eterna.+ 48  “Eu sou o pão da vida.+ 49  Os vossos antepassados comeram o maná no deserto, no entanto morreram.+ 50  Este é o pão que desce do céu, para que todo aquele que comer dele não morra. 51  Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre; de facto, o pão que eu darei é a minha carne a favor da vida do mundo.”+ 52  Então, os judeus começaram a discutir entre si, dizendo: “Como é que este homem nos pode dar a sua carne para comer?” 53  Assim, Jesus disse-lhes: “Digo-vos com toda a certeza: A menos que comam a carne do Filho do Homem e bebam o seu sangue, não têm vida em vocês mesmos.+ 54  Quem se alimenta da minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu irei ressuscitá-lo+ no último dia, 55  pois a minha carne é verdadeiro alimento, e o meu sangue é verdadeira bebida. 56  Quem se alimenta da minha carne e bebe o meu sangue permanece em união comigo, e eu em união com ele.+ 57  Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim também aquele que se alimenta de mim viverá por causa de mim.+ 58  Este é o pão que desceu do céu. Não é como quando os vossos antepassados comeram e mesmo assim morreram. Quem se alimentar deste pão viverá para sempre.”+ 59  Ele disse estas coisas enquanto estava a ensinar numa sinagoga em Cafarnaum. 60  Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: “Estas palavras são chocantes. Quem as pode escutar?” 61  Mas, percebendo que os discípulos resmungavam por causa disso, Jesus disse-lhes: “Isto faz-vos tropeçar? 62  O que aconteceria então se vissem o Filho do Homem subir para onde estava antes?+ 63  É o espírito que dá vida;+ a carne não é de nenhum valor. As declarações que eu vos fiz são espírito e são vida.+ 64  Mas há alguns de vocês que não acreditam.” Pois Jesus sabia desde o princípio quem eram os que não acreditavam e quem o trairia.+ 65  Ele acrescentou: “É por isso que eu vos disse: Ninguém pode vir a mim, a menos que isso lhe seja concedido pelo Pai.”+ 66  Por causa disso, muitos dos seus discípulos foram-se embora para as coisas deixadas atrás+ e já não andavam com ele. 67  Portanto, Jesus disse aos Doze: “Será que vocês também querem ir?” 68  Simão Pedro respondeu-lhe: “Senhor, para quem iremos?+ Tu tens declarações de vida eterna.+ 69  Nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus.”+ 70  Jesus respondeu-lhes: “Não fui eu que vos escolhi aos doze?+ Contudo, um de vocês é um caluniador.”+ 71  Na verdade, ele estava a falar de Judas, filho de Simão Iscariotes, porque esse homem ia traí-lo, embora fosse um dos Doze.+

Notas de rodapé

Ou: “serão os ensinados”.

Notas de estudo

mar da Galileia: Lago de água doce no norte de Israel. (A palavra grega traduzida como “mar” também pode significar “lago”.) Já foi chamado mar de Quinerete (Núm 34:11), lago de Genesaré (Lu 5:1) e mar de Tiberíades (Jo 6:1). Fica cerca de 210 metros abaixo do nível do mar. Tem 21 quilómetros de comprimento (de norte a sul) e 12 quilómetros de largura (de leste a oeste). O seu ponto mais fundo fica cerca de 48 metros abaixo da superfície. — Veja “Acontecimentos no Mar da Galileia” no Mapa 3B do Apêndice A7-D.

do mar da Galileia, ou de Tiberíades: O mar da Galileia era, às vezes, chamado mar de Tiberíades, por causa da cidade com o mesmo nome que ficava na sua margem oeste. (Jo 6:23) A cidade recebeu esse nome em homenagem ao imperador romano Tibério César. O mar da Galileia é chamado mar de Tiberíades neste versículo e em Jo 21:1. — Veja a nota de estudo em Mt 4:18.

a Páscoa: Jesus iniciou o seu ministério depois do seu batismo, que aconteceu por volta do mês de outubro de 29 EC. Visto que a Páscoa mencionada aqui foi celebrada pouco tempo depois, tudo indica que tenha sido a Páscoa de nisã (março/abril) do ano 30 EC. (Veja a nota de estudo em Lu 3:1 e o Apêndice A7-B.) Quando os quatro Evangelhos são analisados juntos, há fortes indicações de que foram celebradas quatro Páscoas durante o ministério de Jesus. Por isso, é possível concluir que o seu ministério tenha durado três anos e meio. A única Páscoa mencionada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas (também conhecidos como Evangelhos sinópticos) é a da ocasião da morte de Jesus. O Evangelho de João fala de modo específico de três Páscoas. (Jo 2:13; 6:4; 11:55) Em Jo 5:1, é bem provável que João estivesse a falar de mais uma Páscoa quando usou a expressão “uma festividade dos judeus”. Este exemplo mostra como é importante comparar os Evangelhos para ter uma visão mais completa da vida de Jesus. — Veja as notas de estudo em Jo 5:1; 6:4; 11:55.

uma festividade dos judeus: João não informa qual é a festividade de que está a falar, mas há bons motivos para acreditar que seja a Páscoa do ano 31 EC. A maior parte do Evangelho de João foi escrita por ordem cronológica. O contexto indica que não passou muito tempo entre Jesus dizer que faltavam “quatro meses para chegar a colheita” (Jo 4:35) e a festividade mencionada aqui. A colheita, mais especificamente a colheita da cevada, começava na época da Páscoa, que calhava no dia 14 de nisã. Portanto, parece que Jesus disse estas palavras mais ou menos no mês de quisleu (novembro/dezembro), cerca de quatro meses antes da Páscoa. No período entre quisleu e nisã, aconteciam duas outras festividades, a Festividade da Dedicação e a Festividade de Purim, mas a Lei não exigia que os israelitas subissem para Jerusalém para participarem nessas festividades. Por outro lado, a Lei exigia que os israelitas fossem a Jerusalém para a Páscoa (De 16:16), o que torna provável que essa seja a “festividade dos judeus” mencionada aqui. É verdade que o relato de João cita poucos acontecimentos entre a festividade mencionada aqui e a Páscoa mencionada em Jo 6:4, mas isso não quer dizer que não tenha passado um ano entre elas. João resumiu os primeiros anos do ministério de Jesus e não mencionou muitos acontecimentos que já tinham sido relatados nos outros Evangelhos, conforme mostram as tabelas no Apêndice A7. Na verdade, os outros Evangelhos mostram que aconteceu muita coisa entre a Páscoa mencionada em Jo 2:13 e a mencionada em Jo 6:4. Isso apoia a conclusão de que outra Páscoa ocorreu entre elas. — Veja o Apêndice A7 e a nota de estudo em Jo 2:13.

a Páscoa: Ou seja, a Páscoa de 33 EC. Pelos vistos, esta é a quarta Páscoa mencionada no Evangelho de João. — Veja as notas de estudo em Jo 2:13; 5:1; 6:4.

a Páscoa: Pelos vistos, refere-se à Páscoa de 32 EC, a terceira Páscoa celebrada durante o ministério de Jesus. — Veja as notas de estudo em Jo 2:13; 5:1; 11:55 e o Apêndice A7-D.

Onde é que vamos comprar pão para eles comerem?: O milagre de Jesus descrito a seguir é o único que foi registado por todos os escritores dos Evangelhos. — Mt 14:15-21; Mr 6:35-44; Lu 9:10-17; Jo 6:1-13.

denários: Veja o Glossário e o Apêndice B14-B.

além de mulheres e crianças: Apenas Mateus menciona mulheres e crianças ao relatar este milagre. É possível que Jesus tenha alimentado de modo milagroso muito mais de 15 000 pessoas.

Mandem as pessoas sentarem-se: Ou: “Mandem as pessoas recostarem-se”. A palavra grega traduzida aqui como “pessoas” é uma forma da palavra ánthropos, que, muitas vezes, se refere tanto a homens como a mulheres. Já a palavra grega que foi traduzida neste versículo como “homens” é uma forma da palavra anér. O relato paralelo em Mt 14:21 mostra que, aqui, anér se refere apenas aos homens adultos que estavam presentes. — Veja a nota de estudo em Mt 14:21.

sentaram-se ali cerca de 5000 homens: Todos os escritores dos Evangelhos relatam este milagre, mas apenas Mateus acrescenta as palavras “além de mulheres e crianças”. (Mt 14:21) É possível que Jesus tenha alimentado de modo milagroso muito mais de 15 000 pessoas.

mundo: A palavra grega traduzida como “mundo” (kósmos) refere-se aqui à humanidade como um todo. Neste versículo, a expressão vir ao mundo parece referir-se principalmente ao batismo de Jesus, e não ao nascimento dele. Depois do seu batismo, Jesus tornou-se uma luz para a humanidade, realizando o ministério que tinha recebido do seu Pai. — Compare com Jo 3:17, 19; 6:14; 9:39; 10:36; 11:27; 12:46; 1Jo 4:9.

o Profeta: Muitos judeus do primeiro século EC achavam que a profecia em De 18:15, 18, sobre um profeta semelhante a Moisés, se referia ao Messias. Neste contexto, a expressão vir ao mundo parece referir-se ao aparecimento do Messias, algo que os judeus estavam a aguardar. João é o único escritor dos Evangelhos que regista o que o povo disse sobre Jesus. — Veja a nota de estudo em Jo 1:9.

a fim de fazê-lo rei: João é o único escritor dos Evangelhos que regista este acontecimento. Jesus recusou-se a envolver-se na política da sua nação. Ele só aceitaria ser rei da maneira como Deus queria e no tempo que Deus tinha determinado. Mais tarde, Jesus deixou claro que os seus seguidores também não se deveriam envolver na política. — Jo 15:19; 17:14, 16; 18:36.

mar da Galileia: Lago de água doce no norte de Israel. (A palavra grega traduzida como “mar” também pode significar “lago”.) Já foi chamado mar de Quinerete (Núm 34:11), lago de Genesaré (Lu 5:1) e mar de Tiberíades (Jo 6:1). Fica cerca de 210 metros abaixo do nível do mar. Tem 21 quilómetros de comprimento (de norte a sul) e 12 quilómetros de largura (de leste a oeste). O seu ponto mais fundo fica cerca de 48 metros abaixo da superfície. — Veja “Acontecimentos no Mar da Galileia” no Mapa 3B do Apêndice A7-D.

do mar da Galileia, ou de Tiberíades: O mar da Galileia era, às vezes, chamado mar de Tiberíades, por causa da cidade com o mesmo nome que ficava na sua margem oeste. (Jo 6:23) A cidade recebeu esse nome em homenagem ao imperador romano Tibério César. O mar da Galileia é chamado mar de Tiberíades neste versículo e em Jo 21:1. — Veja a nota de estudo em Mt 4:18.

o mar: Ou seja, o mar da Galileia. — Veja as notas de estudo em Mt 4:18; Jo 6:1.

mar da Galileia: Lago de água doce no norte de Israel. (A palavra grega traduzida como “mar” também pode significar “lago”.) Já foi chamado mar de Quinerete (Núm 34:11), lago de Genesaré (Lu 5:1) e mar de Tiberíades (Jo 6:1). Fica cerca de 210 metros abaixo do nível do mar. Tem 21 quilómetros de comprimento (de norte a sul) e 12 quilómetros de largura (de leste a oeste). O seu ponto mais fundo fica cerca de 48 metros abaixo da superfície. — Veja “Acontecimentos no Mar da Galileia” no Mapa 3B do Apêndice A7-D.

uns cinco ou seis quilómetros: Lit.: “uns 25 ou 30 estádios”. Um estádio (em grego, stádion) equivalia a um oitavo de 1 milha romana, ou seja, a 185 metros. Visto que o mar da Galileia tem cerca de 12 quilómetros de largura, os discípulos talvez estivessem no meio dele. — Mr 6:47; veja a nota de estudo em Mt 4:18 e os Apêndices A7-D e B14-A.

Tiberíades: Uma cidade que ficava na margem oeste do mar da Galileia, cerca de 15 quilómetros a sul de Cafarnaum. Logo a sul de Tiberíades, havia algumas fontes termais famosas nos tempos antigos. A cidade foi construída por Herodes Antipas em algum momento entre 18 EC e 26 EC para servir como capital do seu governo e local da sua residência. Ele deu esse nome à cidade em homenagem a Tibério Cesar, que, na época, era o imperador romano. A cidade ainda é chamada Tiberíades (em hebraico, Teverya). Era a maior cidade da região, mas esta é a única vez em que é mencionada nas Escrituras. Não há registo bíblico de que Jesus tenha visitado Tiberíades, e é possível que ele realmente não tenha feito isso, talvez por causa do grande número de não judeus que viviam ali. (Compare com Mt 10:5-7.) De acordo com Josefo, a cidade foi construída num local cheio de sepulturas e, por isso, muitos judeus não queriam morar ali. (Núm 19:11-14) Depois da revolta dos judeus no século 2 EC, eles declararam que Tiberíades estava purificada. Então, a cidade passou a ser o principal centro de estudos dos judeus, além de se tornar o local onde o Sinédrio se reunia. Foi em Tiberíades que a Mishná e o Talmude Palestiniano (ou Talmude de Jerusalém) foram produzidos. Também foi ali que foi produzido o texto massorético das Escrituras Hebraicas que, mais tarde, foi usado para traduzi-las para outras línguas. — Veja o Apêndice B10.

alimento que perece [...] alimento que permanece para a vida eterna: Jesus sabia que algumas das pessoas que estavam a associar-se com ele e com os seus discípulos estavam apenas a pensar no que podiam ganhar em sentido material. É verdade que o alimento físico sustenta a vida do ser humano durante algum tempo, mas apenas o “alimento” espiritual que vem da Palavra de Deus é capaz de dar vida eterna. Jesus incentivou a multidão a trabalhar [...] pelo “alimento que permanece para a vida eterna”. Por outras palavras, eles deveriam esforçar-se para satisfazer a sua necessidade espiritual e para exercer fé nas coisas que aprendessem. — Mt 4:4; 5:3; Jo 6:28-39.

Os nossos antepassados comeram o maná: Os judeus queriam um Rei messiânico que lhes desse alimento. Para justificar o pedido que tinham feito a Jesus, eles mencionaram que Deus tinha dado o maná aos antepassados deles no deserto do Sinai. Ao citar o Sal 78:24, eles chamaram ao maná pão [ou: “cereal”] do céu. Quando pediram a Jesus que realizasse um “sinal” (Jo 6:30), eles talvez estivessem a pensar no milagre que Jesus tinha feito no dia anterior, quando multiplicou cinco pães de cevada e dois peixinhos e alimentou milhares de pessoas. — Jo 6:9-12.

o mundo veio a existir por meio dele: A palavra grega traduzida como “mundo” (kósmos) refere-se aqui à humanidade, e não ao planeta Terra. Isso fica claro na parte final do versículo, que diz que o mundo não conheceu Jesus. Às vezes, a palavra kósmos era usada na literatura grega para se referir ao Universo ou à criação em geral. Pode ser que o apóstolo Paulo tenha usado a palavra com esse sentido quando falou com um grupo de pessoas gregas no Areópago. (At 17:24) No entanto, nas Escrituras Gregas Cristãs, essa palavra geralmente refere-se à humanidade como um todo ou a uma parte dela. É verdade que Jesus participou na criação de todas as coisas, incluindo o céu, a Terra e tudo o que há neles. Mas, quando João diz que “o mundo veio a existir por meio” de Jesus, o foco está no papel que ele teve na criação dos humanos. — Gén 1:26; Jo 1:3; Col 1:15-17.

ao mundo: Nas Escrituras Gregas Cristãs, a palavra grega kósmos geralmente refere-se à humanidade como um todo ou a uma parte dela. (Veja a nota de estudo em Jo 1:10.) Em Jo 1:29, Jesus é chamado “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. E, aqui em Jo 6:33, Jesus é chamado o pão de Deus. Jeová usa Jesus para dar vida e bênçãos à humanidade.

o pão da vida: Esta expressão aparece apenas duas vezes nas Escrituras. (Jo 6:35, 48) Aqui, a palavra vida refere-se à “vida eterna”. (Jo 6:40, 47, 54) Nesta conversa com os judeus, Jesus chamou a si mesmo “o verdadeiro pão do céu” (Jo 6:32), “o pão de Deus” (Jo 6:33) e “o pão vivo” (Jo 6:51). Ele lembrou os seus ouvintes de que, apesar de Deus ter alimentado milagrosamente os israelitas no deserto (Ne 9:20), o maná não lhes deu vida eterna (Jo 6:49). Por outro lado, os seguidores fiéis de Cristo têm acesso ao maná do céu, ou “pão da vida” (Jo 6:48-51, 58), que lhes pode dar vida eterna. Os seguidores de Jesus ‘comem desse pão’ quando exercem fé no poder que a carne e o sangue de Jesus têm de libertá-los do pecado e da morte.

Sei que ele se levantará: Marta pensou que Jesus estivesse a falar da ressurreição futura, no último dia. (Veja a nota de estudo em Jo 6:39.) A fé que ela tinha na ressurreição era impressionante. Apesar de as Escrituras inspiradas falarem de forma clara sobre esse ensino, alguns líderes religiosos da época, chamados saduceus, afirmavam que não haveria uma ressurreição. (Da 12:13; Mr 12:18) Outros líderes religiosos, chamados fariseus, acreditavam na imortalidade da alma. Marta, por outro lado, sabia que Jesus ensinava sobre a ressurreição e que ele já tinha ressuscitado algumas pessoas, embora nenhuma delas estivesse morta durante tanto tempo como Lázaro.

eu os ressuscite no último dia: Durante esta conversa, Jesus disse quatro vezes que iria ressuscitar pessoas no último dia. (Jo 6:40, 44, 54) Em Jo 11:24, Marta também falou da “ressurreição, no último dia”. (Compare com Da 12:13; veja a nota de estudo em Jo 11:24.) O texto de Jo 12:48 relaciona o “último dia” com um tempo de julgamento, pelos vistos, referindo-se ao Reinado de Mil Anos de Cristo. Nesse período, Jesus vai julgar a humanidade, incluindo todos os que tiverem sido ressuscitados. — Ap 20:4-6.

vida eterna: Nesta ocasião, a expressão “vida eterna” foi usada quatro vezes por Jesus (Jo 6:27, 40, 47, 54) e uma vez por um dos seus discípulos (Jo 6:68). Nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, essa expressão aparece um total de 8 vezes, mas, em João, foi usada 17 vezes.

todo o tipo de pessoas: Jesus estava a dizer que atrairia a si todo o tipo de pessoas, sem levar em conta a nacionalidade, a raça ou a classe social delas. (At 10:34, 35; Ap 7:9, 10; veja a nota de estudo em Jo 6:44.) É interessante que, nesta ocasião, havia “alguns gregos” no templo que queriam ver Jesus. (Veja a nota de estudo em Jo 12:20.) Muitas Bíblias traduzem aqui a palavra grega pas (“todos; todas [as pessoas]”) de uma forma que dá a entender que, mais cedo ou mais tarde, todos os humanos serão atraídos a Jesus. No entanto, isso não está de acordo com o restante das Escrituras inspiradas. (Sal 145:20; Mt 7:13; Lu 2:34; 2Te 1:9) Apesar de o significado literal da palavra pas ser “todos” (Ro 5:12), os textos de Mt 5:11 e At 10:12 mostram claramente que também pode significar “todo o tipo” ou “todos os tipos”. Nesses dois textos, muitas traduções da Bíblia traduzem pas como “todo o tipo” ou “toda a espécie”. — Jo 1:7; 1Ti 2:4.

o atraia: Lit.: “o puxe; o arraste”. O verbo grego que aparece aqui é usado para se referir à ação de puxar ou recolher uma rede de pesca. (Jo 21:6, 11) Mas isso não quer dizer que Deus force as pessoas a fazer algo que elas não queiram. Esse verbo também pode significar “atrair” e Jesus talvez estivesse a fazer uma referência indireta a Je 31:3, onde Jeová disse à nação de Israel: ‘Atraí-te a mim com amor leal.’ (A Septuaginta usa o mesmo verbo grego neste texto.) O texto de Jo 12:32 (veja a nota de estudo) mostra que, de forma parecida, Jesus atrai a ele todo o tipo de pessoas. As Escrituras explicam que Jeová deu aos humanos liberdade para tomar as suas próprias decisões. Todos podem escolher se querem ou não servir a Jeová. (De 30:19, 20) Ele atrai de forma bondosa os que têm um coração sincero. (Sal 11:5; Pr 21:2; At 13:48) Jeová faz isso por meio da Bíblia e do espírito santo. A profecia de Is 54:13, citada em Jo 6:45, cumpre-se nos que são atraídos pelo Pai. — Compare com Jo 6:65.

Jeová: Esta é uma citação direta de Is 54:13. No texto hebraico original de Isaías, aparecem as quatro letras hebraicas que formam o nome de Deus (que equivalem a YHWH). Os manuscritos gregos disponíveis hoje do Evangelho de João usam aqui a palavra theós (talvez porque essa seja a palavra usada em cópias da Septuaginta em Is 54:13). Isso explica porque é que a maioria das traduções diz aqui “Deus”. No entanto, visto que no texto hebraico do versículo citado por Jesus aparece o nome de Deus, usou-se o nome de Deus aqui no texto principal. — Veja o Apêndice C1.

tem vida em si mesmo: Ou: “tem em si mesmo o dom da vida”. Jesus tem “vida em si mesmo” porque o seu Pai, Jeová, lhe deu autoridade e poder para fazer coisas que antes só Jeová fazia. Por exemplo, Jesus pode ajudar os humanos a ganhar a vida eterna por lhes dar a oportunidade de ter a aprovação de Deus. Jesus também recebeu o poder de dar vida aos mortos por meio da ressurreição. Cerca de um ano depois de dizer as palavras registadas aqui, Jesus indicou que os seus seguidores poderiam ter vida em si mesmos noutro sentido. — Para entender o significado da expressão “ter vida em si mesmo” quando se refere aos seguidores de Jesus, veja a nota de estudo em Jo 6:53.

vida em vocês mesmos: Antes disso, em Jo 5:26, Jesus disse que tinha recebido o privilégio de ter “vida em si mesmo” assim como o Pai tem “vida em si mesmo”. (Veja a nota de estudo em Jo 5:26.) Agora, cerca de um ano mais tarde, Jesus usou a mesma expressão em relação aos seus seguidores. Aqui, ele usou ‘ter vida em vocês mesmos’ como equivalente a ‘ter vida eterna’. (Jo 6:54) Assim, parece que, neste versículo, a expressão ‘ter vida em vocês mesmos’ não se refere ao poder de dar vida, mas a ter vida de modo pleno, completo, ou seja, a estar completamente vivo. Os cristãos ungidos tornam-se completamente vivos quando são ressuscitados para a vida imortal no céu. Os servos fiéis de Deus com a esperança de viver para sempre na Terra vão tornar-se completamente vivos depois de passarem no teste final logo depois do fim do Reinado de Mil Anos de Cristo. — 1Co 15:52, 53; Ap 20:5, 7-10.

se alimenta da minha carne e bebe o meu sangue: O contexto indica que Jesus Cristo não estava a falar sobre comer a sua carne e beber o seu sangue em sentido literal, mas sobre exercer fé nele. (Jo 6:35, 40) Jesus disse isso em 32 EC. Visto que a Ceia do Senhor só começaria a ser celebrada um ano depois, Jesus não podia estar a referir-se a ela. Ele fez esta declaração mesmo antes da “Páscoa, a festividade dos judeus”. (Jo 6:4) Por isso, as pessoas que ouviram Jesus provavelmente lembraram-se da Páscoa e do significado do sangue do cordeiro, que salvou vidas na noite em que os israelitas saíram do Egito. (Êx 12:24-27) Jesus estava a destacar que, da mesma forma, o seu sangue seria fundamental para que os seus discípulos pudessem ganhar a vida eterna.

em união comigo: Ou: “em mim”. Esta expressão transmite a ideia de proximidade, harmonia e união.

sinagoga: Ou, possivelmente: “assembleia pública”. A palavra grega usada aqui, synagogé, significa literalmente “um ajuntamento; uma assembleia”. Mas, na maioria das vezes em que essa palavra aparece nas Escrituras Gregas Cristãs, refere-se ao edifício ou local onde os judeus se reuniam para a leitura das Escrituras, instrução e oração. (Veja o Glossário, “Sinagoga”.) Embora o contexto permita que synagogé tenha sido usada aqui em sentido literal para se referir a uma reunião aberta ao público em geral, é mais provável que a palavra se refira ao local onde os judeus se reuniam, ou seja, a uma “sinagoga”. Nesse caso, Jesus estaria a falar com pessoas que estavam debaixo da Lei mosaica.

te faz tropeçar: Nas Escrituras Gregas Cristãs, a palavra grega skandalízo refere-se a tropeçar em sentido figurado, o que pode incluir pecar ou levar alguém a pecar. Assim, a palavra também poderia ser traduzida aqui como “te faz pecar; está a tornar-se uma armadilha para ti”. De acordo com o uso da palavra na Bíblia, o “tropeço” poderia envolver perder a fé, aceitar ensinos falsos ou desobedecer a uma das leis de moral de Deus. A palavra skandalízo também pode ser usada com o sentido de “ficar ofendido”. — Veja as notas de estudo em Mt 13:57; 18:7.

pedras de tropeço: Estudiosos acreditam que a palavra grega skándalon, traduzida como “pedra de tropeço”, se referia originalmente a uma armadilha. Alguns acham que se referia mais especificamente à parte da armadilha em que se prende o isco. Com o tempo, essa palavra grega começou a ser usada para se referir a qualquer obstáculo que fizesse alguém tropeçar ou cair em sentido literal. Em sentido figurado, skándalon refere-se a uma ação ou situação que leva uma pessoa a fazer algo inapropriado, tropeçar em sentido moral ou, até mesmo, cair no pecado. O texto de Mt 18:8, 9 usa um verbo relacionado (skandalízo), que é traduzido como “fazer tropeçar”. Esse verbo também poderia ser traduzido como “tornar-se uma armadilha; levar ao pecado”.

Isto faz-vos tropeçar?: Ou: “Isto faz-vos ficar ofendidos?; Isto faz-vos deixar de acreditar?” Nas Escrituras Gregas Cristãs, a palavra grega skandalízo refere-se a tropeçar em sentido figurado, e, muitas vezes, envolve pecar ou levar alguém a pecar. Dependendo do contexto, o “tropeço” poderia ser perder a fé, aceitar ensinos falsos, desobedecer a uma das leis de moral de Deus ou ficar ofendido. — Veja as notas de estudo em Mt 5:29; 18:7.

significa: Lit.: “é”. Aqui o verbo grego estín é usado com o sentido de “significa”. — Veja a nota de estudo em Mt 26:26.

representa: Lit.: “é”. Aqui, o verbo grego estín é usado com o sentido de “significa; simboliza”. Isso era muito claro para os apóstolos porque, naquela ocasião, o corpo perfeito de Jesus estava ali à frente deles, e também o pão sem fermento que iam comer. Por isso, o pão não podia ser o corpo literal de Jesus. É interessante que a mesma palavra grega estín é usada em Mt 12:7, e, muitas Bíblias traduzem-na como “significa”.

o espírito: Tudo indica que aqui a palavra “espírito” se refira ao espírito santo de Deus. Jesus explicou que a carne, quando comparada com o poder e a sabedoria que Deus dá por meio do seu espírito, não é de nenhum valor. Isso indica que as coisas produzidas pelo poder e pela sabedoria do homem, como os seus escritos, filosofias e ensinos, não são capazes de levar à vida eterna.

a carne: Pelos vistos, esta expressão foi usada aqui com um sentido amplo e refere-se às limitações humanas. Os humanos não conseguem entender tudo aquilo de que gostariam nem conseguem realizar tudo aquilo que desejam. Mesmo que toda a experiência e sabedoria humanas sejam somadas, incluindo todos os escritos, as filosofias e os ensinos humanos, isso não é de nenhum valor para ajudar o homem a ter vida eterna.

são espírito e são vida: A palavra grega traduzida aqui como “são” (estín) talvez tenha sido usada com o sentido de “significam”. Portanto, a tradução poderia ser “significam espírito e significam vida”. (Veja as notas de estudo em Mt 12:7; 26:26.) Jesus, pelos vistos, estava a dizer que as suas declarações eram inspiradas pelo espírito santo e podiam dar vida eterna.

um caluniador: Ou: “um diabo”. A palavra grega diábolos, que na maioria das vezes se refere ao Diabo, significa “caluniador”. Nas outras três vezes que não se refere ao Diabo, foi traduzida como “caluniadoras” (1Ti 3:11; Tit 2:3) ou “caluniadores” (2Ti 3:3). Em grego, o artigo definido é quase sempre usado antes da palavra quando ela se refere ao Diabo. (Veja a nota de estudo em Mt 4:1 e o Glossário, “Artigo definido”.) Aqui, diábolos foi usada com respeito a Judas Iscariotes, que tinha desenvolvido uma característica má. É possível que, naquele momento, Jesus tivesse percebido que Judas começava a desviar-se. Mais tarde, isso permitiu que Satanás usasse Judas como seu cúmplice para fazer com que Jesus fosse morto. — Jo 13:2, 11.

ele sabia: Jesus conseguia saber o que as pessoas estavam a pensar e percebia as suas intenções. Assim, fica claro que, quando Judas foi escolhido para ser um apóstolo, ele ainda não tinha desenvolvido as características más que o levaram a trair Jesus. (Mt 9:4; Mr 2:8; Jo 2:24, 25) No entanto, quando Judas, mais tarde, começou a mudar, Jesus viu que isso estava a acontecer e soube que Judas iria traí-lo. Mesmo sabendo o que Judas faria, Jesus lavou os pés do seu traidor. — Veja as notas de estudo em Jo 6:64, 70.

Jesus sabia [...] quem o trairia: Jesus sabia que o traidor seria Judas Iscariotes. Antes de escolher os 12 apóstolos, Jesus passou a noite inteira a orar ao seu Pai. (Lu 6:12-16) Por isso, quando Judas foi escolhido, era fiel a Deus. No entanto, Jesus sabia, com base nas Escrituras Hebraicas, que seria traído por uma pessoa muito próxima. (Sal 41:9; 109:8; Jo 13:18, 19) Visto que Jesus podia perceber o que as pessoas tinham na mente e no coração, ele percebeu quando Judas começou a tornar-se mau. (Mt 9:4) É verdade que, quando Deus inspirou as Escrituras Hebraicas, ele usou a sua capacidade de prever o futuro para saber que um dos amigos de confiança de Jesus se tornaria um traidor. Mas a ideia de que Judas estava predestinado a ser o traidor não está em harmonia com as qualidades de Deus e com o modo como Deus sempre agiu com as pessoas.

desde o princípio: Esta expressão não se refere ao nascimento de Judas. Também não se refere a quando ele foi escolhido como apóstolo, visto que Jesus orou a noite inteira antes de escolher os 12 apóstolos. (Lu 6:12-16) Esta expressão refere-se à época em que Judas começou a agir como traidor, algo que Jesus percebeu imediatamente. (Jo 2:24, 25; Ap 1:1; 2:23; veja as notas de estudo em Jo 6:70; 13:11.) Judas planeou a sua traição, e a mudança gradual que o levou a fazer isso começou muito antes de trair Jesus. A palavra grega traduzida aqui como “princípio” é arkhé, e o seu significado nas Escrituras Gregas Cristãs depende do contexto. No texto de 2Pe 3:4, “princípio” refere-se ao início da criação. Mas, na maioria das vezes, essa palavra refere-se a algo mais específico. Por exemplo, Pedro disse que o espírito santo desceu sobre os não judeus “da mesma forma como tinha descido sobre nós no princípio”. (At 11:15) Pedro não estava a falar de quando nasceu nem de quando se tornou apóstolo. Ele estava a referir-se ao dia de Pentecostes de 33 EC. Essa ocasião foi o “princípio” no sentido de que foi a primeira vez que o espírito santo foi derramado com aquele objetivo especial. (At 2:1-4) Outros exemplos de como o contexto influencia o significado da palavra arkhé são Lu 1:2; Jo 15:27 e 1Jo 2:7.

Diabo: Vem da palavra grega diábolos, que significa “caluniador”. (Jo 6:70; 2Ti 3:3) O verbo relacionado diabállo significa “acusar; incriminar”, e foi traduzido em Lu 16:1 como “foi acusado”.

um caluniador: Ou: “um diabo”. A palavra grega diábolos, que na maioria das vezes se refere ao Diabo, significa “caluniador”. Nas outras três vezes que não se refere ao Diabo, foi traduzida como “caluniadoras” (1Ti 3:11; Tit 2:3) ou “caluniadores” (2Ti 3:3). Em grego, o artigo definido é quase sempre usado antes da palavra quando ela se refere ao Diabo. (Veja a nota de estudo em Mt 4:1 e o Glossário, “Artigo definido”.) Aqui, diábolos foi usada com respeito a Judas Iscariotes, que tinha desenvolvido uma característica má. É possível que, naquele momento, Jesus tivesse percebido que Judas começava a desviar-se. Mais tarde, isso permitiu que Satanás usasse Judas como seu cúmplice para fazer com que Jesus fosse morto. — Jo 13:2, 11.

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Cestos
Cestos

A Bíblia usa palavras diferentes para descrever diversos tipos de cestos. Por exemplo, depois de Jesus alimentar milagrosamente cerca de 5000 homens, as sobras foram recolhidas em 12 cestos. A palavra grega usada para esses 12 cestos sugere que eram cestos de vime relativamente pequenos que se levavam na mão. No entanto, outra palavra grega é usada para descrever os 7 cestos usados para recolher as sobras na ocasião em que Jesus alimentou cerca de 4000 homens. (Mr 8:8, 9) Essa palavra indica um cesto grande, ou balaio. O texto de At 9:25 usa a mesma palavra grega para se referir ao cesto em que os discípulos colocaram Paulo para o tirar da cidade de Damasco.