Pular para conteúdo

Pular para menu secundário

Pular para sumário

Testemunhas de Jeová

Língua angolana de sinais

A Sentinela (Edição de Estudo)  |  Dezembro de 2015

Use o poder da língua para o bem

Use o poder da língua para o bem

“Que as palavras da minha boca . . . sejam agradáveis a ti, ó Jeová.” — SAL. 19:14.

CÂNTICOS: 21, 35

1, 2. Por que o fogo ilustra bem o poder da língua?

NO INÍCIO de outubro de 1871, o Estado americano de Wisconsin foi atingido por um terrível incêndio florestal, que foi considerado o mais mortífero da história dos EUA. As chamas e o intenso calor mataram mais de 1.200 pessoas e destruíram cerca de 2 bilhões de árvores. É possível que o incêndio tenha começado com faíscas vindas de trens que passavam pelo local. Isso mostra como as palavras de Tiago 3:5 são verdadeiras: “Vejam como basta uma chama muito pequena para incendiar uma grande floresta!” Por que o escritor bíblico disse isso?

2 O ponto que Tiago quis ilustrar fica claro no versículo 6: “A língua também é um fogo.” A língua representa nossa capacidade de falar. Como o fogo, nossas palavras podem causar muito estrago. A Bíblia até mesmo diz que “morte e vida estão no poder da língua”. (Pro. 18:21) É claro que não pararíamos totalmente de falar só por medo de dizer algo errado, assim como não deixaríamos de usar o fogo por medo do estrago que ele pode causar. O segredo é ter controle. O fogo, quando controlado, pode ser usado para cozinhar, para nos aquecer ou para iluminar um ambiente escuro. Se domarmos a língua, podemos usar o poder dela para honrar a Deus e beneficiar outros. — Sal. 19:14.

3. Que três aspectos do uso da língua vamos considerar?

3 Quer usemos a voz e a boca, quer façamos sinais com as mãos, a capacidade de comunicar nossos pensamentos e sentimentos é um maravilhoso presente de Deus. Como podemos usá-lo para edificar, e não para destruir? (Leia Tiago 3:9, 10.) Vamos considerar três aspectos importantes do uso da língua: quando falar, o que falar e como falar.

QUANDO FALAR

4. Em que situações é bom “ficar calado”?

4 Falar faz parte do nosso dia a dia, mas não precisamos falar o tempo todo. A Bíblia diz que há um “tempo para ficar calado”. (Ecl. 3:7) Ficar calado quando outros falam é sinal de respeito. (Jó 6:24) Controlar a língua e não divulgar um assunto confidencial é sinal de prudência e discernimento. (Pro. 20:19) Além disso, é sábio refrear a língua quando somos provocados. — Sal. 4:4.

5. Como mostramos gratidão pelo dom da fala?

5 Por outro lado, a Bíblia também diz que há um “tempo para falar”. (Ecl. 3:7) Se um amigo lhe dá um belo presente, você dificilmente o deixa guardado. Em vez disso, mostra gratidão fazendo bom uso dele. Mostramos a Jeová que somos gratos pelo dom da fala quando a usamos com sabedoria. Isso inclui expressar nossos sentimentos, falar sobre nossas necessidades, dizer palavras de encorajamento e dar louvor a Deus. (Sal. 51:15) Como podemos saber quando é o “tempo para falar”?

6. Como a Bíblia ilustra a importância de escolher a hora certa para falar?

6 Provérbios 25:11 ilustra a importância de escolher a hora certa para falar: “Como maçãs de ouro em esculturas de prata é a palavra falada no tempo certo.” Maçãs de ouro por si só já seriam bonitas. O contraste delas com esculturas de prata realçaria sua beleza. Assim também, quando escolhemos com cuidado a hora certa para falar, nossas palavras se tornam mais agradáveis e atingem o objetivo. Como podemos fazer isso?

7, 8. Como nossos irmãos no Japão imitaram o exemplo de Jesus?

7 Nossas palavras podem ser exatamente o que alguém precisa ouvir. Mas, se falarmos na hora errada, elas poderão perder o efeito. (Provérbios 15:23.) O exemplo a seguir ilustra isso. Em março de 2011, um terremoto e um tsunami atingiram partes do leste do Japão e devastaram cidades inteiras. Mais de 15 mil pessoas morreram. As Testemunhas de Jeová daquela região também sofreram com isso, mas aproveitaram todas as oportunidades para consolar as pessoas enlutadas usando a Bíblia. No entanto, o budismo tem forte influência naquele lugar, e boa parte da população tem pouco ou nenhum conhecimento dos ensinos bíblicos. Nossos irmãos perceberam que logo depois do tsunami não seria o melhor momento para falar sobre a esperança da ressurreição com as vítimas abaladas. Em vez disso, eles usaram o dom da fala para dar apoio emocional e explicar, com base na Bíblia, por que coisas terríveis assim acontecem com pessoas inocentes.

8 Jesus sabia quando era melhor não falar nada e quando era a hora certa para falar. (João 18:33-37; 19:8-11) Certa vez, ele disse aos seus discípulos: “Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas agora vocês não são capazes de suportá-las.” (João 16:12) Os irmãos no Japão seguiram o exemplo de Jesus. Dois anos e meio depois do tsunami, eles participaram numa campanha mundial de distribuição do folheto Notícias do Reino N.° 38, Será Que os Mortos Podem Voltar a Viver?. Nessa ocasião, as pessoas estavam mais dispostas a ser consoladas pela tocante mensagem da ressurreição, e muitas aceitaram o folheto com prazer. Naturalmente, culturas e crenças religiosas variam de um lugar para outro, por isso precisamos discernir qual é a hora certa para falar.

9. Em que situações faz diferença escolher a hora certa para falar?

9 Há algumas situações em que realmente precisamos discernir a hora certa para falar. Por exemplo, alguém talvez nos ofenda, mesmo com palavras bem-intencionadas. Seremos prudentes se tirarmos tempo para pensar e ver se o problema é tão sério que justifique falarmos algo. Se decidirmos falar, não seria sábio procurar o ofensor no momento da raiva. Acabaríamos falando coisas de que poderíamos nos arrepender. (Leia Provérbios 15:28.) Outra situação em que precisamos saber quando falar é ao darmos testemunho a parentes descrentes. Queremos que eles conheçam a Jeová, mas devemos ter paciência e discernimento. Falar as palavras certas na hora certa pode ajudar a tocar seu coração.

O QUE FALAR

10. (a) Por que devemos escolher nossas palavras com cuidado? (b) Dê um exemplo de “palavras cruéis”.

10 As palavras têm o poder tanto de ferir como de curar. (Leia Provérbios 12:18.) No mundo de Satanás, é comum machucar com palavras. O entretenimento incentiva as pessoas a ‘afiar a língua como uma espada’ e a ‘apontar, como flechas, palavras cruéis’. (Sal. 64:3) Os cristãos precisam tomar cuidado com isso. Um exemplo de “palavras cruéis” é o sarcasmo, ou seja, comentários maldosos que rebaixam ou censuram outros. As pessoas geralmente são sarcásticas para parecer engraçadas, mas a conversa logo pode se tornar desrespeitosa e ofensiva. O sarcasmo cruel é um exemplo de “palavras ofensivas”, que os cristãos devem ‘abandonar’. O humor pode tornar interessante o que falamos, mas precisamos tomar cuidado para não humilhar nem machucar pessoas com brincadeiras sarcásticas e desamorosas só para fazer os outros rir. A Bíblia nos aconselha: “Não saia da boca de vocês nenhuma palavra pervertida, mas somente o que for bom para a edificação, conforme a necessidade, para transmitir aos ouvintes o que é benéfico.” — Efé. 4:29, 31.

11. Como o coração afeta nossa escolha de palavras?

11 Jesus ensinou que “a boca fala do que o coração está cheio”. (Mat. 12:34) Assim, a escolha das palavras certas começa no coração. O que dizemos muitas vezes revela o que realmente achamos dos outros. Se nosso coração estiver cheio de amor e compaixão, falaremos coisas positivas e edificantes.

12. O que pode nos ajudar a escolher as palavras certas?

12 Para escolher as palavras certas, também é necessário esforço mental e bom critério. Até o sábio rei Salomão “meditou e fez uma pesquisa profunda” para “encontrar palavras agradáveis e registrar com exatidão palavras de verdade”. (Ecl. 12:9, 10) O que você pode fazer se acha difícil encontrar “palavras agradáveis”? Talvez precise aumentar seu vocabulário. Aprenda o significado de palavras que não conhece. Também, repare em como a Bíblia e nossas publicações usam as palavras para expressar ideias. Acima de tudo, aprenda a falar palavras que ajudem outros. Sobre a relação entre Jeová e seu Filho primogênito, lemos: “Jeová me deu [a Jesus] a língua dos instruídos, para que eu soubesse dizer ao cansado uma palavra de consolo.” (Isa. 50:4) Tirar tempo para meditar no que vamos dizer pode nos ajudar a encontrar as palavras certas. (Tia. 1:19) Poderíamos nos perguntar: ‘Será que essas palavras vão realmente expressar o que eu quero dizer? Que efeito elas terão na outra pessoa?’

13. Por que é importante falar de modo claro?

13 Em Israel, as trombetas eram usadas para reunir ou levantar o acampamento e para incentivar o exército para a batalha. De forma apropriada, a Bíblia usa o toque de trombeta para ilustrar como é importante falarmos de um modo que as pessoas entendam bem. Um toque de trombeta que não fosse claro poderia resultar em desastre para o exército. Com a fala acontece algo parecido: se formos vagos ao falar ou não formos claros, o ouvinte pode ficar confuso ou entender outra coisa. Naturalmente, ao tentar falar de modo claro, não queremos ser ríspidos nem indelicados. — 1 Coríntios 14:8, 9.

14. Dê um exemplo de como Jesus usava linguagem fácil de entender.

14 No que diz respeito à escolha de palavras certas, Jesus deixou o melhor exemplo. Veja o discurso curto, mas marcante, registrado em Mateus capítulos 5 a 7. Jesus não usou linguagem complicada ou vaga; também não disse nada duro ou que magoasse as pessoas. Em vez disso, escolheu palavras claras e simples que tocaram o coração dos ouvintes. Por exemplo, para aliviar a ansiedade das pessoas com respeito ao alimento diário, ele falou de como Jeová alimenta as aves. Então comparou os ouvintes com as aves e perguntou: “Será que vocês não valem mais do que elas?” (Mat. 6:26) Que amoroso apelo ao coração, com palavras simples e fáceis de entender! Vamos considerar agora o terceiro aspecto importante do uso da língua.

COMO FALAR

15. Por que devemos falar de modo agradável?

15 Tão importante quanto o que falamos é o modo como falamos. Quando Jesus falou na sinagoga da sua cidade, Nazaré, as pessoas ‘se maravilharam com as palavras cativantes que saíam da sua boca’. (Luc. 4:22) Palavras agradáveis tocam o coração e de maneira alguma enfraquecem o poder da língua. Na verdade, quando falamos de forma cativante, é mais fácil que outros aceitem o que dizemos. (Pro. 25:15) Podemos imitar o modo de Jesus falar por sermos bondosos e gentis e por termos consideração pelos sentimentos das pessoas. Ao ver o esforço de uma multidão para ouvi-lo, Jesus teve pena e “começou a lhes ensinar muitas coisas”. (Mar. 6:34) Mesmo quando era insultado, Jesus não usava palavras duras. — 1 Ped. 2:23.

16, 17. (a) Como podemos imitar Jesus ao falar com membros da família ou com amigos achegados da congregação? (Veja a gravura no início do artigo.) (b) Que bons resultados uma irmã teve por falar palavras agradáveis?

16 Falar com brandura e tato pode ser um desafio quando a outra pessoa é alguém com quem temos bastante intimidade, como um membro da família ou um amigo na congregação. Nesse caso, é possível que nos sintamos à vontade para ser bem francos. Será que Jesus achava que, por ter amizade achegada com seus discípulos, tinha liberdade para ser duro com eles? De forma alguma! Quando seus discípulos mais achegados continuaram discutindo sobre quem era o maior, Jesus os corrigiu com palavras bondosas e contou uma ilustração sobre uma criancinha. (Mar. 9:33-37) Os anciãos podem imitar Jesus por dar conselhos “num espírito de brandura”. — Gál. 6:1.

17 Mesmo quando alguém nos diz algo ofensivo, responder com palavras agradáveis pode ter bons resultados. (Pro. 15:1) Veja o caso de uma irmã. Ela criava sozinha um filho adolescente que estava levando uma vida dupla. Uma irmã bem-intencionada disse a ela: “Que pena que você não conseguiu criar bem o seu filho.” A mãe pensou um pouco e respondeu: “É verdade que as coisas não estão indo muito bem agora, mas o meu trabalho como mãe ainda não terminou. Podemos falar sobre isso depois do Armagedom; então vamos saber se deu tudo certo.” Por responder de modo calmo, a irmã preservou a paz entre elas e ajudou o filho, que por acaso ouviu a conversa. Ele se deu conta de que sua mãe não havia desistido dele, e isso o levou a deixar as más companhias. Com o tempo ele se batizou e mais tarde serviu em Betel. Não importa se estamos com nossos irmãos, com nossa família ou com estranhos, nossas palavras devem ser “sempre agradáveis, temperadas com sal”. — Col. 4:6.

18. Como o exemplo de Jesus nos ajuda a usar o poder da língua para o bem?

18 Nossa capacidade de expressar pensamentos e sentimentos com palavras é um verdadeiro milagre. Que imitemos o exemplo de Jesus por decidir a hora certa para falar, escolher as palavras certas e nos esforçar para ser agradáveis. Assim, o poder da nossa língua será uma cura para os ouvintes e agradará a Jeová, aquele que nos deu o valioso dom da fala.