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Testemunhas de Jeová

Língua brasileira de sinais

A Sentinela (Edição de Estudo)  |  Março de 2013

Para os que amam a Jeová, “não há pedra de tropeço”

Para os que amam a Jeová, “não há pedra de tropeço”

“Paz abundante pertence aos que amam a tua lei, e para eles não há pedra de tropeço.” — SAL. 119:165.

1. Como a atitude de certa corredora pode ilustrar a nossa determinação de não desistir?

DESDE a adolescência, Mary Decker era famosa como corredora de nível internacional. Ela era a favorita para ganhar a medalha de ouro na final da corrida dos três mil metros nas Olimpíadas de Verão em 1984. No entanto, seus pés não cruzaram a linha de chegada. Ela tropeçou na perna de outra corredora e caiu fora da pista. Ferida e em prantos, teve de ser carregada para fora do local. Mas Mary não desistia facilmente. Em menos de um ano, ela estava de novo em forma para a corrida e bateu um novo recorde mundial feminino para a milha (1.600 m) em 1985.

2. Em que sentido os cristãos verdadeiros estão numa corrida, e qual deve ser o nosso alvo?

2 Como cristãos, estamos numa corrida — uma simbólica corrida a pé. O nosso alvo deve ser correr para vencer. Não é uma corrida de curta distância na qual a velocidade é a chave para a vitória. E com certeza não é uma simples corrida a passos lentos, com frequentes pausas para descanso. Em vez disso, é comparável a uma maratona em que é preciso resistência para vencer. Na sua carta aos cristãos que viviam em Corinto, uma cidade famosa por suas competições de atletismo, o apóstolo Paulo usou a metáfora de um atleta numa corrida . Ele escreveu: “Não sabeis que os corredores numa corrida correm todos, mas apenas um recebe o prêmio? Correi de tal modo, que o possais alcançar.” — 1 Cor. 9:24.

3. De que modo todos os corredores podem ganhar a corrida pela vida eterna?

3 A Bíblia diz para participarmos nessa corrida simbólica. (Leia 1 Coríntios 9:25-27.) O prêmio é a vida eterna, no céu para os cristãos ungidos, ou na Terra para os outros participantes. Diferentemente da maioria das competições de atletismo, essa corrida permite que todos os que entram nela e perseveram até o fim ganhem o prêmio. (Mat. 24:13) Os competidores perdem apenas se não correrem segundo as regras ou não cruzarem a linha de chegada. E essa é a única corrida que oferece o prêmio da vida eterna.

4. Por que a nossa corrida para ganhar a vida eterna é desafiadora?

4 Cruzar a linha de chegada não é fácil. Requer disciplina e certeza de propósito. Apenas uma pessoa — Jesus Cristo — já cruzou a linha de chegada sem nenhum tropeço. Mas o discípulo Tiago escreveu que todos os seguidores de Cristo ‘tropeçam muitas vezes’. (Tia. 3:2) É verdade. Todos nós estamos sujeitos às nossas próprias imperfeições e às de outros. Assim, às vezes podemos tropeçar, cambalear e perder o ímpeto; talvez até mesmo cair. Mas nos levantamos e continuamos a correr. Alguns tiveram uma queda tão grave que precisaram de ajuda para se levantar e voltar a correr rumo à linha de chegada. Portanto, é possível tropeçarmos ou cairmos, momentaneamente ou até mesmo repetidas vezes. — 1 Reis 8:46.

Se você cair, aceite ajuda e levante-se!

CASO TROPECE, CONTINUE NA CORRIDA

5, 6. (a) Em que sentido “não há pedra de tropeço” para um cristão e, se ele cair, o que o ajudará a se “levantar”? (b) Por que alguns não se recuperam depois de tropeçar?

5 Você talvez já tenha usado as palavras “tropeçar” e “cair” como sinônimas ao se referir a uma condição espiritual. Esses termos bíblicos podem ter, embora nem sempre, o mesmo sentido. Por exemplo, note o que diz Provérbios 24:16: “O justo talvez caia até mesmo sete vezes, e ele se há de levantar; mas aos iníquos se fará tropeçar pela calamidade.”

6 Jeová não permitirá que os que confiam nele tropecem ou sofram uma queda — seja por uma adversidade ou algum obstáculo à sua adoração — da qual não possam se recuperar. Temos a garantia de que Jeová nos ajudará a nos “levantar” para podermos dar a ele a nossa máxima devoção. Como isso é consolador para todos os que amam a Jeová do fundo do coração! Os iníquos não têm o mesmo desejo de se levantar. Eles não buscam a ajuda do espírito santo de Deus, nem a do povo de Deus, ou a recusam quando lhes é oferecida. Em contraste, para os ‘que amam a lei de Jeová’ não existe pedra de tropeço que os tire para sempre da corrida pela vida. — Leia Salmo 119:165.

7, 8. Como é possível alguém ‘cair’ e, ainda assim, ter o favor de Deus?

7 Alguns, por causa de alguma fraqueza, caem — até mesmo repetidas vezes — em pecados menores. Mas ainda são justos aos olhos de Jeová caso continuem a se “levantar”, isto é, a se arrepender sinceramente e a se empenhar em retomar a rotina de serviço leal. Vemos isso no modo como Deus lidou com o Israel antigo. (Isa. 41:9, 10) O texto já citado de Provérbios 24:16, em vez de enfatizar o lado negativo, as quedas, focaliza o lado positivo — se “levantar” com a ajuda de nosso misericordioso Deus. (Leia Isaías 55:7.) Expressando sua confiança em nós, Jeová Deus e Jesus Cristo bondosamente nos incentivam a nos “levantar”. — Sal. 86:5; João 5:19.

8 Mesmo que numa maratona um corredor tropece ou caia, ele talvez tenha tempo para se recuperar e terminar a corrida se agir sem demora. Na nossa corrida pela vida eterna, não sabemos ‘o dia e a hora’ em que a corrida terminará. (Mat. 24:36) Sendo assim, quanto menos tropeçarmos, maior a probabilidade de mantermos um ritmo constante, continuarmos na corrida e terminá-la com êxito. Então, como podemos evitar tropeçar?

TROPEÇOS QUE IMPEDEM O PROGRESSO

9. Que possíveis pedras de tropeço analisaremos?

9 Vejamos cinco possíveis pedras de tropeço — fraquezas pessoais, desejos da carne, injustiças da parte de irmãos na fé, tribulação ou perseguição, e imperfeições de outros. Mas lembre-se: se tropeçamos, Jeová é muito paciente. Ele não se apressa em nos tachar de desleais.

10, 11. Com que fraqueza pessoal Davi lutou?

10 Fraquezas pessoais podem ser comparadas a pedras numa pista de corrida. Examinando incidentes na vida do Rei Davi e do apóstolo Pedro, notamos duas dessas fraquezas — falta de autocontrole e temor do homem.

11 O Rei Davi manifestou uma fraqueza no exercício do autocontrole, como ficou claro nas suas ações envolvendo Bate-Seba. E diante dos insultos de Nabal, Davi esteve prestes a agir precipitadamente. De fato, seu autocontrole fraquejou, mas ele nunca desistiu de tentar agradar a Jeová. Com a ajuda de outros, ele recuperou seu equilíbrio espiritual. — 1 Sam. 25:5-13, 32, 33; 2 Sam. 12:1-13.

12. Apesar de ter tropeçado, como foi que Pedro permaneceu na corrida?

12 Pedro manifestou temor do homem, às vezes tropeçando seriamente; no entanto, ele permaneceu leal a Jesus e a Jeová. Por exemplo, ele negou publicamente seu Mestre, não só uma, mas três vezes. (Luc. 22:54-62) Mais tarde, Pedro não agiu de maneira cristã, tratando os cristãos gentios como se não fossem tão bons quanto os cristãos judeus circuncidados. Mas o apóstolo Paulo viu o assunto com clareza — não havia nenhum motivo para distinções de classe na congregação. A atitude de Pedro era errada. Antes que a sua conduta amargurasse a fraternidade, Paulo o aconselhou diretamente, face a face. (Gál. 2:11-14) Será que Pedro ficou tão ferido no seu orgulho que abandonou a corrida pela vida? Não. Ele levou a sério e acatou o conselho de Paulo e continuou na corrida.

13. Como a fraqueza física pode ser uma causa de tropeço?

13 Às vezes, uma fraqueza pessoal se relaciona com um problema de saúde. Isso também pode se manifestar como pedra de tropeço. Pode prejudicar o nosso ritmo espiritual e até mesmo nos fazer ‘cambalear’ e nos esgotar. Por exemplo, uma irmã japonesa teve sérios problemas de saúde 17 anos depois de seu batismo. Ela ficou tão preocupada com a saúde que enfraqueceu espiritualmente. Com o tempo, tornou-se inativa. Dois anciãos a visitaram. Encorajada pelas palavras bondosas desses irmãos, ela voltou a assistir às reuniões. Ela se recorda: “Os irmãos me receberam tão calorosamente que não pude conter as lágrimas.” Nossa irmã está de volta à corrida.

14, 15. Que sérias medidas são necessárias quando surgem desejos errados? Ilustre.

14 Os desejos da carne já fizeram muitos tropeçar. Quando somos tentados dessa maneira, temos de tomar sérias medidas para nos manter mental, moral e espiritualmente limpos. Lembre-se do conselho de Jesus de simbolicamente ‘lançar para longe’ qualquer coisa que nos possa fazer tropeçar, até mesmo o olho ou a mão. Não estariam incluídos nisso os pensamentos e ações imorais que têm levado alguns a desistir da corrida? — Leia Mateus 5:29, 30.

15 Certo irmão, que foi criado num lar cristão, escreveu que, desde que consegue se lembrar, luta contra tendências homossexuais. Ele diz: “Eu sempre me sentia desajeitado, parecia que não me encaixava em lugar nenhum.” Aos 20 anos, ele havia se tornado pioneiro regular e servo ministerial na congregação. Daí ele tropeçou seriamente, foi disciplinado com base na Bíblia e ajudado pelos anciãos. Por orar, estudar a Palavra de Deus e se concentrar em ajudar outros, ele se reergueu e retomou seu ritmo espiritual. Anos mais tarde, ele admitiu: “Às vezes ainda tenho esses sentimentos, mas não deixo que eles me dominem. Aprendi que Jeová não permitirá que sejamos tentados além daquilo que podemos suportar. Portanto, acredito que Deus sabe que posso lidar com isso.” Esse irmão concluiu: “Todas as lutas que tenho enfrentado serão recompensadas no novo mundo. Eu quero isso! Até lá, continuarei a lutar.” Ele está decidido a permanecer na corrida.

16, 17. (a) O que ajudou um irmão que achava ter sofrido uma injustiça? (b) Para não tropeçar, em que devemos nos concentrar?

16 Injustiças da parte de irmãos na fé também podem ser pedras de tropeço. Na França, um ex-ancião, acreditando que tinha sido vítima de uma injustiça, ficou amargurado. Como resultado, deixou de se associar com a congregação e ficou inativo. Dois anciãos o visitaram e, sem interrompê-lo, ouviram com empatia a sua versão do caso. Eles o incentivaram a lançar sua carga sobre Jeová e enfatizaram que o mais importante era agradar a Deus. Ele reagiu bem, logo estava de volta à corrida e novamente ativo na congregação.

17 Todos os cristãos precisam se manter concentrados no Cabeça designado da congregação, Jesus Cristo, não em humanos imperfeitos. Jesus, cujos olhos são “como chama ardente”, vê todas as coisas na perspectiva correta, de modo que ele vê muito mais do que nós jamais poderíamos ver. (Rev. 1:13-16) Por exemplo, Jesus reconhece que aquilo que nos parece ser uma injustiça pode na realidade ser algo mal interpretado ou um mal-entendido de nossa parte. Jesus atenderá com perfeição as necessidades da congregação no tempo certo. Portanto, não devemos permitir que ações ou decisões de qualquer irmão se tornem uma pedra de tropeço para nós.

18. Como podemos suportar provações ou situações aflitivas?

18 Duas outras pedras de tropeço são tribulação ou perseguição e imperfeições de outros na congregação. Na sua parábola do semeador, Jesus disse que “tribulação ou perseguição” por causa da palavra fariam alguns tropeçar. Não importa a origem da perseguição — família, vizinhos ou autoridades —, ela pode afetar em especial quem “não tem raiz em si mesmo”, ou seja, a quem falta boa espiritualidade. (Mat. 13:21) Mas, se mantivermos uma correta condição de coração, a semente do Reino nos ajudará a desenvolver raízes profundas que estabilizam a nossa fé. Ao enfrentar provações, empenhe-se em meditar com devoção em coisas louváveis. (Leia Filipenses 4:6-9.) Com a força que Jeová nos dá suportaremos provações sem permitir que situações aflitivas se tornem pedras de tropeço.

Não permita que nada o impeça de terminar a corrida!

19. Como podemos evitar que uma ofensa se torne uma pedra de tropeço?

19 Infelizmente, ao longo dos anos, alguns têm permitido que as imperfeições de outros os tirem da corrida. Diferenças de opinião em assuntos de consciência têm se tornado para eles pedras de tropeço. (1 Cor. 8:12, 13) Se alguém nos ofender, permitiremos que isso se torne um grande problema? A Bíblia exorta os cristãos a parar de julgar, a perdoar outros e a não insistir em direitos pessoais. (Luc. 6:37) Ao enfrentar uma possível pedra de tropeço, pergunte-se: ‘Estou julgando outros à base de minhas próprias preferências? Reconhecendo que meus irmãos são imperfeitos, permitirei que a falta de perfeição de alguém me tire da corrida pela vida?’ O amor a Jeová pode nos ajudar a estar decididos a evitar que nada que outros humanos façam nos impeça de cruzar a linha de chegada.

CORRA COM PERSISTÊNCIA — EVITE TROPEÇAR

20, 21. O que você está decidido a fazer na corrida pela vida?

20 Você está decidido a ‘correr até o fim’ da corrida? (2 Tim. 4:7, 8) Nesse caso, o estudo pessoal é uma necessidade. Use a Bíblia e nossas publicações teocráticas para ajudá-lo a pesquisar, meditar e identificar possíveis pedras de tropeço. Suplique que o espírito santo lhe dê a resistência espiritual de que você precisa. Lembre-se: nenhum corredor está condenado a falhar na corrida pela vida só porque ocasionalmente tropeça ou cai. Ele pode se levantar e voltar à corrida. Pode até mesmo usar possíveis pedras de tropeço como pedras de apoio, aprendendo lições valiosas de qualquer desafio à sua fé.

21 A Bíblia se refere à participação na corrida pela vida eterna como algo ativo, não passivo. Não é como entrar num ônibus que simplesmente transporta os passageiros para uma vitória. Temos de pessoalmente correr a corrida pela vida. Se o fizermos, a “paz abundante” da parte de Jeová será como que um vento que nos impulsiona. (Sal. 119:165) Podemos ter certeza de suas contínuas bênçãos agora e futuras bênçãos sem fim para todos os que terminarem a corrida. — Tia. 1:12.